Artigo: o atleta de Jiu-Jitsu pode se tornar um ‘viciado’ em treinos? Leia e opine

Publicado em 02/09/2019 por: Mateus Machado
Artigo: o atleta de Jiu-Jitsu pode se tornar um ‘viciado’ em treinos? Leia e opine Mônica de Paula Silva faz uma breve reflexão sobre a prática compulsiva de esportes e atividades físicas (Foto divulgação)

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* Um tempo atrás, eu ouvi um comentário que me chamou atenção: “Meu namorado depois que começou a treinar artes marciais não pensa em ‘fazer mais nada’, além de viver dentro da academia”. Não era a primeira vez que eu ouvia esse tipo de relato e logo em seguida, lembrei-me de um amigo que sofreu vários problemas em relação ao seu pai com isso. Minha mãe chamava-o de “viciado em Jiu-Jitsu”. Na época eu achei estranha essa nomeação. 

Desde quando eu nasci, meu pai já praticava o Jiu-Jitsu, e pelo que eu me recordo, ele não tinha limites em relação aos treinos, ao ponto de nos deixar sozinhos em festas familiares para treinar em uma academia próxima da minha casa. Minha mãe reclamava muito sobre esse comportamento, o qual nos causou muitos problemas. 

O objetivo desse artigo não é fazer críticas em relação aos exercícios físicos e às artes marciais, porém, causar uma reflexão sobre o vício, que pode afetar a vida das pessoas, trazendo prejuízos diversos, como o relacionamento e convívio com os familiares que, por regra, observam as mudanças de cada membro. 

Em última análise, todos os vícios têm basicamente as mesmas características. O que distingue um do outro é apenas o fato de que alguns são visíveis e prejudiciais no âmbito social, e outros não, como por exemplo, a prática compulsiva de esportes. Para muitas pessoas, o vício está somente direcionado às drogas pesadas, como cocaína, crack, heroína e outras substâncias, além do álcool. O descontrole e a falta de consciência em relação aos exercícios físicos e treinos, fazem com que a pessoa seja levada pelo impulso do vício. Estima-se que de 8 a 12% da população mundial tenha dependência psicológica por esportes, por exemplo.

Para Normam Doidge, psiquiatra e psicanalista canadense, autor de “O cérebro que muda a si mesmo e o modo de cura do cérebro”, todos os viciados mostram uma perda de controle sobre a atividade, procurando compulsivamente por ela. Apesar das consequências negativas, essas pessoas desenvolvem uma tolerância, de modo que precisam de níveis cada vez mais altos de estímulos para ter satisfação, e sofrem abstinência. 

A cocaína e quase todas as drogas ilegais e até vícios, como correr, ativam o neurotransmissor do prazer no cérebro, a dopamina. A dopamina é chamada de transmissor da recompensa, porque quando realizamos alguma coisa, como disputar uma corrida e vencer, o cérebro estimula sua liberação, dando prazer de satisfação à pessoa, diz Normam. O cérebro viciado sempre mostra certas alterações nas áreas ventrais do córtex pré-frontal, uma região relacionada com o significado emocional e com a capacidade de controle. Alguns especialistas sugerem que se uma pessoa continua a exercer a atividade para alcançar esse sentimento de bem-estar e euforia, ela pode entrar em um ciclo viciante complicado de sair. 

Como diz um ditado popular, “tudo que é exagerado faz mal”. Ser viciado em alguma coisa, seja o que for, irá causar consequências em várias áreas da sua vida, profissional e pessoal, sendo assim, os professores de Jiu-Jitsu precisam conscientizar seus alunos da prática equilibrada de treinos. Fica aqui a reflexão!

Quem sou eu? Mônica de Paula Silva, também conhecida como Monica Lambiasi, é graduada em Pedagogia desde 2004. Concursada pela Prefeitura de Embu Guaçu – SP, atua há 13 anos como psicopedagoga clínica, área na qual é pós-graduada desde 2006. Em 2008 concluiu pós-graduação em Didática Superior, e em 2009 concluiu pós-graduação em Educação Especial e Educação Inclusiva. Já em 2017 concluiu pós-graduação em neuropsicopedagoga, e atualmente estuda psicanálise e neurociência. Também é escritora.

Contatos: WhatsApp (11) 99763-1603 / Instagram @lambiazi03

* Por Mônica de Paula Silva

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