O ADCC, maior torneio de luta agarrada do mundo, acontecerá nos dias 28 e 29 de setembro, em Long Beach, na Califórnia (EUA), e contará com a presença de um seleto grupo de atletas pertencentes a elite mundial do esporte. Dentre eles, está o faixa-preta brasileiro Pablo Mantovani, de apenas 24 anos, que atualmente treina em San Diego, Estados Unidos, com o multicampeão André Galvão.

Mas, muito além dos treinos no tatame, Mantovani conta com uma rede de preparação que envolve o coach e especialista em performance Lincoln Nunes, o qual trabalha também com outros atletas de elite do Brasil, como o jovem talento da natação, Guilherme Costa, que recentemente conquistou um título inédito para o Brasil nos Jogos Pan-Americanos 2019, em Lima (PER).

O trabalho de Lincoln Nunes junto a Mantovani envolve a mente, o comportamento e o foco do atleta. Para desenvolver este trabalho, o coach ressalta ser essencial seu conhecimento e sua paixão pelo Jiu-Jitsu: “Por este não ser um esporte olímpico, sei que a dificuldade desses atletas é muito grande, e por isso mesmo sei o quanto eles precisam de um profissional capacitado para ajudá-los na parte mental, uma vez que é impossível separar corpo e mente. Especialmente em se tratando de atletas de alta performance, a mente tem que ser muito bem trabalhada, a ponto de ser um diferencial para vitória ou derrota do atleta”.

Metas diárias

Lincoln revela que nas sessões com Mantovani, o primeiro foco é estabelecer algumas metas diárias que o atleta deve atingir. Segundo o especialista, é essencial liberar todo o potencial do atleta a cada dia. Assim, a preparação mental se torna tão importante quanto os treinos físicos, tornando-se aliada fundamental deste.

“Trabalhamos sempre com metas, aparentemente, pequenas, mas que precisam ser cumpridas pelo atleta, como finalizar todos os colegas durante um treino, ou não ser finalizado nenhuma vez durante um torneio. São passos importantes dentro do tatame, no dia a dia, que garantirão a vitória nos principais eventos”.

Foco no ADCC

Quando a sessão é para a preparação específica de um torneio como o ADCC, o especialista afirma que o ponto principal é o reconhecimento das fraquezas do atleta: “No trabalho com o Pablo, e especificamente com o Jiu-Jitsu, o mais importante é minimizar os erros dia após dia, e que ele tenha como objetivo não uma medalha, mas sim um trabalho de excelência. O que mais trabalhamos juntos é justamente o fato da medalha ser uma consequência de um trabalho sem falhas. Isso vale para o ADCC ou para qualquer outro torneio. Ele tem que fazer um jogo com o mínimo de erro possível e estar mentalmente preparado para usar o erro do adversário como uma vantagem para ele em busca do resultado positivo”, revelou.

O especialista considera o Jiu-Jitsu semelhante a uma partida de Xadrez: “Assim como numa partida de Xadrez, o Jiu-Jitsu é sobre saber transformar suas fraquezas em grandezas, pois são as peças consideradas mais fracas que possuem o poder de defender ou deixar abater o Rei. Geralmente, costumamos dar muito valor às nossas qualidades e esquecemos de refletir sobre nossas fraquezas. O Pablo tem percebido a importância de trabalhar suas fraquezas e de realizar uma luta com o mínimo de erros possíveis, e este é um dos grandes segredos do sucesso que este atleta vem tendo nas competições recentes”.

Se o atleta tem alguma falha identificável, são colocadas metas para que ele melhore os erros através de pequenos objetivos antes do treino: “Outro ponto que a gente trabalha muito são possíveis situações difíceis em competições. A gente delimita algumas situações que poderão ocorrer, para trabalhá-las antes dos treinos, através da visualização de possíveis resoluções, e durante o treino, quando ele coloca em prática o que visualizamos. Um exemplo de situação assim é que muitas vezes durante o torneio o atleta está perdendo e falta menos de 1 minuto para a luta acabar. Nessas situações, o Pablo já entende que o tempo não está contra ele, mas sim a favor, pois ele está preparado para reverter essas situações, ele já tem confiança de que isso é possível. É isso que a gente coloca como meta de trabalho duro nos treinos, que a mente dele esteja preparada para sair dessas adversidades, independente de qual seja ela”, finalizou.