Artigo: lutadores transexuais devem lutar com mulheres ou homens? Leia e opine sobre o tema

Publicado em 23/10/2019 por: Mateus Machado
Artigo: lutadores transexuais devem lutar com mulheres ou homens? Leia e opine sobre o tema Fallon Fox é o primeiro transsexual a disputar lutas oficiais de MMA (Foto: TMZ)

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* Artigo opinativo de Mônica de Paula: Uma mulher vive na pele, todos os dias, inúmeros desafios de ser mulher, e talvez por vários motivos, nenhuma tenha parado para pensar sobre certas disputas que elas enfrentam no cotidiano, em meio a uma lista de afazeres para dar conta todos os dias, e nesse meio termo, acabam uma hora ou outra se deparando com outro desafio. 

Esse artigo não tem como objetivo colocar as mulheres como vítimas da sociedade machista, até porque temos uma história de contos de fadas, onde as mulheres eram tratadas como princesas e rainhas, no qual era concebido à elas todos os direitos. Nunca fomos tratadas como seres inferiores, e muito menos comparadas aos animais, como aconteceu no século V e VI. Basta fazer uma pesquisa sobre a presença das mulheres em meio à sociedade, e teremos muitos conteúdos sobre o assunto, e posso afirmar: “Nunca foi um conto de fadas e está longe de ser”. 

Vamos refrescar alguns fatos interessantes na Idade Média até o século XIX, onde as mulheres só prestavam para procriar, fazer os serviços domésticos, educar os filhos, obedecer a seus maridos independentes da sua posição social. Todas as mulheres viviam subordinadas aos homens, eram proibidas de intervir na política, não tinham direito a voto, era vedado o acesso ao ensino universitário e seus salários eram menores. Será que hoje isso ainda acontece? 

Retomando ao tema e aos questionamentos, no mundo das lutas, como no UFC e no MMA, como um todo, uma das melhores explicações sobre o assunto em minha opinião foi do Psiquiatra Guido Palomba, onde ele faz uma comparação entre os sexos e usa o exemplo da Tiffany Transexual (jogadora de Vôlei), do qual podemos usar essa análise para os lutadores transexuais. 

“No útero de sua mãe, desde o embrião, possuía (como possui até hoje) o par cromossômico XY, e devido à presença do Y, formou substâncias androgênica hormônios masculinos, antígeno HY, e assim nasceu com PÊNIS, ESCROTO E PRÓSTATA. Já as outras jogadoras da liga feminina, todas, todas, também desde o embrião, são XX e, em virtude da ausência do Y, não tiveram substâncias morfogenéticas com secreção androgênica e antígeno HY. Dessa maneira, nasceram com VAGINA, OVÁRIO E ÚTERO.” 

Se Tiffany, já nos primeiros anos de vida extrauterina, mostrou-se feminina, se desenvolveu como verdadeira mulher em corpo de homem, passou por cirurgia de emasculação e formação de neovagina, tomou e toma doses de hormônios femininos, se em vez de chamar Rodrigo, hoje se chama Tiffany, nem por isso e aquilo o seu gênero biológico deixou de ser XX, afirma o psiquiatra. 

Fallon Fox, 42 anos, é o primeiro transexual a disputar oficiais de MMA. Até agora foram seis lutas, com cinco vitórias e três nocautes. Fox só “confessou” que era transexual depois das duas primeiras lutas, dois massacres vencidos no primeiro assalto. “Vamos pensar juntos?” 

Quando alguém diz que Fox não poderia estar nessa competição, “ela” reage dizendo que está sendo “atacada como mulher”. Ou seja, “preconceito”. Volto a dizer, vamos pensar juntos em uma visão “orgânica e biológica” e principalmente “ginecológica”. Esqueça essa visão de preconceitos e vamos retomar o tema. Voltando a falar sobre mulheres, acredito que o artigo nos deixa uma análise “complexa”, pois as mulheres são complexas por natureza, já nasceram com um ferramental biológico mais complexo. 

Então vamos começar pelas diferenças entre mulheres e homens transexuais, como, por exemplo, a TPM, também conhecida por tensão pré-menstrual, que consiste num conjunto de sintomas físico e psicológicos, que podem surgir na mulher por 1 a 2 semanas. Você pode imaginar uma mulher lutando neste período? São dez dias em crises. Os sintomas psicológicos são irritabilidade, mau humor, angústia e vontade inexplicável de chorar, sensibilidade emocional, nervosismo e ansiedade (as mulheres que estão lendo esse artigo sabem aonde eu quero chegar). Por outro lado, os sintomas físicos geralmente incluem dor de cabeça ou enxaqueca, flatulência, cansaço, insônia, inchaço abdominal, diarreia, prisão de ventre, seios inchados e doloridos, aumento de peso, inchaço nas pernas, tonturas, podendo também, por vezes, surgir acnes ou oleosidade na pele. Meus queridos leitores (as), são todos os meses vivendo esse drama hormonal. 

Não vou parar por aqui. Temos os maravilhosos exames ginecológicos, que nos trazem tranquilidade e leveza, como o famoso Papanicolau, que todas as mulheres têm que fazer para evitar o câncer. Papanicolau, aquele exame chatinho que não dói, apenas pode causar um pequeno desconforto no momento em que o médico raspa o colo do útero, que serve para diagnosticar inflamação vaginal, doenças como HPV e para identificar a presença de câncer de colo do útero, devendo ser realizado duas vezes por ano.

O ultrassom transvaginal é um exame de diagnóstico que utiliza um pequeno aparelho (tamanho de um pênis), que é introduzido na vagina e que produz ondas de som que depois são transformadas pelo computador em imagens dos órgãos internos, como útero, trompas de falópio, ovários, colo do útero e vagina. É possível diagnosticar diferentes problemas da região pélvica, como cistos, infecções, gravidez ectópica, câncer, ou até confirmar uma possível gravidez. 

O exame é feito com a mulher deitada numa cadeira ginecológica com as pernas abertas e ligeiramente dobrada. Durante o exame, o médico insere o aparelho de ultrassom, que está protegido com uma camisinha e com lubrificante (já pensou sem lubrificante?) no canal vaginal e deixa por 10 a 15 minutos, podendo movê-lo algumas vezes para obter melhores imagens. 

Esses são alguns exemplos de exames que todas as mulheres devem fazer para se prevenir de certas doenças. Falar sobre força física entre homens e mulheres é fácil, até porque não há o que ser questionado. Homens são mais fortes e não precisamos ser especialistas do assunto. 

Porém, não é suficiente falarmos somente da força física entre homens e mulheres ou transexuais. As diferenças são inúmeras e complexas, e para completar a fala do psiquiatra Guido Palomba: “Nem por isso e aquilo o seu gênero biológico deixou de ser XX”. 

Referência: Revista Psique n° 145 , Tiffany e a superliga de Vôlei, Psiquiatria Forense por Guido Arturo

Quem sou eu? Mônica de Paula Silva, também conhecida como Monica Lambiasi, é graduada em Pedagogia desde 2004. Concursada pela Prefeitura de Embu Guaçu – SP, atua há 13 anos como psicopedagoga clínica, área na qual é pós-graduada desde 2006. Em 2008 concluiu pós-graduação em Didática Superior, e em 2009 concluiu pós-graduação em Educação Especial e Educação Inclusiva. Já em 2017 concluiu pós-graduação em neuropsicopedagoga, e atualmente estuda psicanálise e neurociência. Também é escritora.

Contatos: WhatsApp (11) 99763-1603 / Instagram @lambiazi03

* Por Mônica de Paula Silva

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