Artigo: a importância da união entre crianças e família em academias de artes marciais para o desenvolvimento pessoal

Publicado em 23/11/2019 por: Mateus Machado
Artigo: a importância da união entre crianças e família em academias de artes marciais para o desenvolvimento pessoal

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* Hoje, o aumento na quantidade de crianças que chegam às academias de artes marciais encaminhadas pelas escolas e até mesmo por clínicas psicopedagógicas, psicológicas e psiquiátricas, com queixa de comportamento agressivo e antissocial, é enorme. 

E em muitos casos, a presença de crianças em academias de artes marciais está ligada ao seu desenvolvimento pessoal e social, já que os pais e a família, em geral, não sabem lidar com a criança em meio a alguns problemas. 

É evidente que hoje as academias de artes marciais ocupam um papel de destaque na vida das crianças, mas não é responsável pela construção da autonomia de cada uma delas. Hoje em dia, muitas crianças chegam às academias dependentes de tudo, sem autonomia, esperando tudo nas mãos, ou agressivas, não aceitando regras. 

Neste contexto, existem dois tipos de famílias na vida de muitas crianças: as superprotetoras e as irresponsáveis. 

Leia também: Qual é a idade ideal para uma criança começar a praticar artes marciais 

Superprotetores Sabemos que essas crianças já estão participando das aulas de Jiu-Jitsu, Judô, ou qualquer modalidade de artes marciais. Aí você depara com a mãe ou o pai vestindo a criança, penteando os cabelos e usando fala infantilizada, isso tudo antes de entrar no tatame. Mal sabe o professor que esses mesmos pais, em casa, fazem tudo pelos filhos: dá comida na boca, banho, penteiam os cabelos, amarram os sapatos e outras coisas. E quando iniciam as aulas na academia, esses pais ficam de fora do tatame, com olhar desesperado, achando que o filho sairá machucado e muitas vezes nem voltam a treinar com receio. 

Outro aspecto que pode ser considerado como uma das razões é que, em muitos casos, os pais querem evitar situações nas quais acreditam ser de sofrimento e frustração ou querem recompensar a criança por alguma falha. Dessa maneira, eles acabam tomando as decisões e as atitudes que os seus filhos deveriam ter. Esses fatores impactam na capacidade do indivíduo de tomar decisões e corroboram para a formação de uma criança dependente e um adulto despreparado para enfrentar o dia-a-dia com todas as suas nuances, afirma Luciana Brites, psicopedagoga. 

Agora vamos falar dos pais relapsos: que não prestam atenção às suas obrigações. Geralmente essas crianças aparecem na academia sem tomar banho, com os cabelos sujos, quimono encardido, da cor branca para o marrom, e para completar, sem se alimentar, causando problemas sérios com a saúde do filho, como perda intensa de massa muscular, desaceleração, interrupção do crescimento, mudanças psicológicas e psíquicas, deixando o indivíduo apático e depressivo, perda de cabelo e de sua tonalidade, pele com aspecto enrugado, anemia, raquitismo – devido à falta de vitamina D, sistema nervoso – deficiente, diminuindo o número de neurônios, baixa imunidade, onde o indivíduo está sujeito a contrair doenças viróticas, bacterianas, entre outras. 

Sabemos que as famílias influenciam o desenvolvimento dos seus filhos. Nesse sentido, podemos afirmar que esse abandono em relação aos cuidados físicos e emocionais podem refletir na vida adulta, criando desequilíbrio que pode gerar vários problemas na formação da personalidade dos mesmos. Sendo assim, retomo dizendo que o professor de artes marciais não tem a função de executar as obrigações que compete somente aos pais. 

Como os pais e os professores de artes marciais podem propiciar o desenvolvimento saudável para essas crianças, algumas dicas ajudarão a refletir algumas posturas, contribuindo para possíveis mudanças. 

  • Reservar um tempo durante o dia para conversar com os professores de artes marciais sobre os avanços e dificuldades dos filhos; 
  • Participar de uma aula com o filho, ter momentos de interação, procurando deixar que a criança proponha e direcione o rumo do treino. É essencial para que ela desenvolva autoconfiança e segurança para a tomada de decisões no decorrer da vida; 
  • Não infantilizar os filhos e não deixar os filhos fazerem o que bem quiserem, pois as academias de artes marciais e a sociedade no geral não são seu quarto, que você pode deixar os brinquedos jogados no chão. 
  • Comemorar os acertos em vez de somente criticar as falhas; é muito importante comemorar quando a criança consegue realizar um bom treino, e quando a criança falha em algo, o ideal é ajudá-la a entender os motivos de não ter dado certo, em vez de criticá-las, lembrando que a parceria do professor e família nesta ocasião é de suma importância, pois falar a mesma língua entre eles é fundamental para o bom desempenho da criança. 

Porém, é fundamental ressaltar que os pais estejam dispostos a compartilhar aos professores de artes marciais suas dificuldades e que os professores estejam abertos à essa parceria, um respeitando o outro. Sendo assim, cada um cumprindo o seu papel em favor das crianças, da qual no momento necessita dos dois para obterem sucesso em suas vidas futuras. Lembrando que o professor de artes marciais não faz milagres, e sim parcerias. 

Quem sou eu? Mônica de Paula Silva, também conhecida como Monica Lambiasi, é graduada em Pedagogia desde 2004. Concursada pela Prefeitura de Embu Guaçu – SP, atua há 13 anos como psicopedagoga clínica, área na qual é pós-graduada desde 2006. Em 2008 concluiu pós-graduação em Didática Superior, e em 2009 concluiu pós-graduação em Educação Especial e Educação Inclusiva. Já em 2017 concluiu pós-graduação em neuropsicopedagoga, e atualmente estuda psicanálise e neurociência. Também é escritora.

Contatos: WhatsApp (11) 99763-1603 / Instagram @lambiazi03

* Por Mônica de Paula Silva

 

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