Em busca de reconhecimento, classe master ajuda a ‘bancar’ os grandes eventos, mas ainda é carente de premiações; saiba mais

Publicado em 24/12/2019 por: Yago Redua
Em busca de reconhecimento, classe master ajuda a ‘bancar’ os grandes eventos, mas ainda é carente de premiações; saiba mais Marcelo Dourado, Bernardo Popolo e Alan Finfou, diferentes representantes da classe master (Foto reprodução)

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* Além das grandes estrelas e do “lado B” da arte suave, a categoria master vive uma realidade ainda distante das grandes premiações. Maior evento da classe, o Mundial Master da IBJJF (International Brazilian Jiu-Jitsu Federation) acontece anualmente na famosa Las Vegas (EUA). Em 2019 o torneio contou com a presença de 5.419 lutadores, sendo que o valor médio para inscrição, contando os três lotes, foi de US$ 130,00.

Desta forma, a IBJJF arrecadou cerca de US$ 707 mil (ou R$ 2,8 milhões) – apenas em inscrições. Entretanto, diferente do Mundial e do Brasileiro da CBJJ, onde a federação passou a pagar os campeões no adulto faixa-preta nesta temporada, o Mundial Master segue sem nenhuma premiação para os primeiros colocados.

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Sempre com um alto número de atletas inscritos nos campeonatos, a classe master busca reconhecimento. Bernardo Popolo, atual sexto colocado no ranking da Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu (CBJJ), afirmou que a realidade dos lutadores masters é “bem difícil” e, geralmente sem contar com muitos apoios ou patrocínios, é preciso ter outras fontes de renda para custear os gastos com competições, treinos, etc.

“Dou aulas de Jiu-Jitsu, mas também tenho um outro tipo de renda. É difícil viver só do Jiu-Jitsu, porque não recebemos apoios. Fazemos por amor mesmo. É um esporte que dá muita satisfação na parte pessoal, mas é muito por amor mesmo. Os lutadores masters que têm ajuda financeira são poucos”, opinou o faixa-preta.

Outro faixa-preta que costuma disputar as principais competições nacionais e internacionais é Marcelo Dourado. O casca-grossa – ex-campeão do BBB – alertou para a questão da classe master colocar um alto número de atletas nos eventos, mas não ser recompensada com premiação em dinheiro, como é no adulto.

“Eu vejo os eventos crescerem, cada vez mais gente nas competições, um interesse maior de todos. Até mesmo na cobertura de veículos especializados. O Mundial Master teve transmissão em todas as áreas para o mundo todo. Isso é algo muito positivo. O que falta é ter o retorno financeiro. A realidade é que quem sustenta os campeonatos profissionais são as categorias de base e os masters, que têm mais inscritos, e eles não recebem dinheiro”, afirmou Dourado, que é faixa-preta de Jiu-Jitsu, Judô e Luta Livre.

Como viajar para lutar?

Morador do estado de Santa Catarina, Bernardo Popolo viaja os principais estados brasileiros para competir Opens da IBJJF/CBJJ e também para lutar o Abu Dhabi Grand Slam do Rio de Janeiro. O deslocamento e o valor das inscrições são arrecadados pelo próprio atleta, que precisa, às vezes, dar o “jeitinho brasileiro”.

“Eu tenho alguns apoios, mas a parte de inscrição eu não tenho. Acabo pagando do meu bolso, as passagens e hotéis também tiro do meu próprio bolso. É muito difícil essa questão financeira. Para viajar, eu tiro as passagens no cartão, dou aquele jeitinho brasileiro, me endivido, mas vou fazer o que eu amo”, comentou:

“Eu dou aula, mas não são em todos os lugares que sou remunerado. Em dois projetos sou voluntário. Um no morro do Mocotó e outro em uma igreja. Eu também tenho outra fonte de renda, que são apartamentos que alugo, me ajuda bastante, principalmente com as inscrições. É uma guerra constante”, disse Bernardo.

Mesmo master, Bernardo Popolo roda o Brasil disputando torneios de Jiu-Jitsu (Foto Focados no Tatame)

Quais eventos pagam?

Com o crescimento da categoria, alguns eventos já estão procurando valorizar a classe master como um todo, seja em organizações de lutas casadas ou em campeonatos. O Fight 2 Win, por exemplo, promove disputas profissionais entre atletas com e sem quimono, pagando premiação e distribuindo cinturão aos campeões nos Estados Unidos. No Brasil, o BJJ Stars realizou um GP master com oito atletas em sua primeira edição e promoveu superlutas na segunda, sempre com bolsas para os participantes.

Em campeonatos, o Circuito Rio Mineirinho, da Federação de Jiu-Jitsu Desportivo do Rio de Janeiro (FJJD-Rio), premia o campeão do ranking com uma passagem para World Pro, em Abu Dhabi, que é organizado pela AJP (antiga UAEJJF). Além disso, nesta temporada, criou o ranking extra, que garantiu o vencedor no Mundial Master de 2020. Já em São Paulo, a FPJJ (Federação Paulista de Jiu-Jitsu) distribuiu passagens para o Pan da IBJJF e ainda realizou o Master Pro, pagando R$ 2 mil aos campeões. Outros eventos pelo Brasil, como o Prime Experience Jiu-Jitsu, por exemplo, também buscam remunerar a categoria.

A AJP premia em dinheiro os três primeiros colocados em seus principais eventos, como o World Pro e as etapas do Abu Dhabi Grand Slam que rodam o mundo – seis atualmente. Os valores nos Grands Slams podem variar de US$ 1,5 mil até US$ 2,5 mil, de acordo com o número de atletas inscritos.

Campeão no master 1 do Grand Slam do Rio, o experiente Alan Finfou destacou essa valorização para a categoria: “O Jiu-Jitsu está crescendo demais. Essas competições que a AJP está organizando, com certeza vêm abrindo portas para diversos atletas. Hoje, temos a oportunidade de lutar por US$ 2.500 (classe master). Sabemos que não têm muito muito dinheiro no esporte, mas isso já é um pontapé muito grande para profissionalizar. Vemos atletas que vêm de todas as partes do Brasil para tentar a sorte no Grand Slam. Eu comecei a lutar em 1996 e tenho a oportunidade de lutar até hoje”, destacou Alan Finfou.

 

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5X IBJJF NOGI WORLD CHAMPION JIU-JITSU.??But this time was special because I finally managed to close out the division with my team mates @hectorobeltran and @lapelamafra . The feeling of victory is priceless. It makes you see that it was worth it to be strong and deal with the things you needed to overcome until that moment .Thank you so much everyone that have been involved in my preparation in every way . God , Family and Jiu-Jitsu ❤️ Now let’s get ready for 2020 ???? Pentacampeão Mundial Sem Kimono mas dessa foi especial pra mim por que pela primeira vez consegui fechar a categoria com meus parceiros de Equipe @hectorobeltran e @lapelamafra . O sabor e o sentimento de uma vitória não tem preço . Isso faz vc olhar pra traz e ver que realmente valeu todo sacrifício . Muito obrigado a todos os que estiveram envolvidos de alguma forma na minha preparação para essa competição. Deus , Família e Jiu-Jitsu. Agora vamos nos preparar para a 2020??. -A favela Venceu ?? Special Thanks to: @Heracles @checkmatsp @checkmatalanfinfou @leovieirabjj @allstarsgymsweden @hefitness @shoyoroll @fightpharm @ajptour @vigour8official @extremehobbytm @checkmat_poznan @checkmathq #alanfinfou#bjj#jiujitsu#worldchampion#ibjjf#bjj#nykvarn#checkmatbjj#ibjjf#nogi#finfoujj#Luta#vencer#champion#bless#fight#nogi#grappling#submission#mma#teamwork#hardwork#work #jiujitsu#godshand#vigour8official#extremehobbytm

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O que esperar do futuro?

O mercado da classe master vem mostrando cada vez mais força nas principais competições de Jiu-Jitsu dentro do Brasil e também no exterior. Marcelo Dourado acredita a tendência é a classe seguir em evolução e destacou o empenho dos atletas em todas as categorias na busca pela profissionalização do esporte.

“Eu vejo que está crescendo muito o mercado de competição na classe master. A galera se interessa muito por competir no master, quando já tem uma certa estabilidade financeira, estão trabalhando ou então quase se aposentando. Isso permite que eles voltem aos treinos. A galera que faz preparação física e treina forte. De uma certa forma, essa galera é profissional. Eles fazem de forma muito séria. Eu vejo em todas as categorias cada vez mais o comprometimento de tentar competir. Eu vejo o Jiu-Jitsu muito parecido com o Rugby, que os árbitros se profissionalizaram primeiro que os atletas. Tem árbitro que consegue estar todos os fins de semana trabalhando e acho que eles conseguem pagar os boletos, fazendo o que gostam”.

* Por Yago Rédua

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