O que falta para o Jiu-Jitsu feminino ter seu devido reconhecimento? Professores opinam e listam possíveis razões; confira

Publicado em 28/12/2019 por: Mateus Machado
O que falta para o Jiu-Jitsu feminino ter seu devido reconhecimento? Professores opinam e listam possíveis razões; confira Valorização do Jiu-Jitsu feminino foi tema entre os professores (Foto Ane Nunes / Gentle Art Media)

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* Que o Jiu-Jitsu feminino vem crescendo a passos largos nos últimos anos, isso é inegável. Além do número de praticantes ter aumentado de maneira considerável, é cada vez mais comum vermos mulheres em ação em diferentes campeonatos, além da clara evolução técnica, entre outros fatores que, sem dúvida, nos fazem acreditar em um futuro ainda melhor para elas.

No entanto, embora as mulheres venham brigando cada vez mais pelo seu espaço no esporte, a realidade ainda é dura e incerta para muitas. Afinal, o que falta para as mulheres terem seu devido reconhecimento?

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Para responder essa questão, a TATAME conversou com três professores: Fábio Gurgel (líder da Alliance), Alberto Ramos (professor na equipe GFTeam Cachambi) e Fábio Andrade (professor na Nova União e no projeto social “Família Bangu JJ”). Iniciando o debate, Gurgel citou que as federações devem criar as mesmas oportunidades para as meninas lutarem em relação aos homens, todavia, foi sucinto ao falar sobre as premiações, ressaltando que o Jiu-Jitsu feminino não atrai o mesmo interesse comparado ao masculino.

“De fato, algumas meninas se sobressaem. A Gabi Garcia tem um marketing enorme, ganhou tudo o que poderia ganhar, tem o reconhecimento dela, embora ela tenha sido apedrejada também. Eu acho que as federações devem, claro, criar a mesma oportunidade para as meninas lutarem – no sentido de visibilidade – em relação aos homens. O meu ponto de vista em relação à premiação é diferente. Eu não acho que elas atraiam o mesmo interesse do público, logo, dinheiro não cai do céu, então eu acho que o que falta para elas ainda é uma evolução. Elas vêm conquistando isso. O Jiu-Jitsu feminino não está parado, está evoluindo a cada ano, e consequentemente despertando mais interesse nas pessoas de assistir. Acredito que isso é o que vai trazer a igualdade. Quando elas atingirem o mesmo grau técnico de dificuldade dos homens, elas vão atingir, também, o mesmo interesse, e o dinheiro vai ser uma consequência”, opinou o General da Alliance, seguido por Alberto, que valorizou o que vem sendo feito pelas mulheres no esporte, mas destacou a maioria dos homens na modalidade para exemplificar o fato de ainda não haver esse tipo de igualdade.

“Eu torço muito para o crescimento do Jiu-Jitsu feminino, porque as meninas batalham tanto quanto os meninos, elas se doam, se entregam e, às vezes, acontece que a premiação delas é menor, ou nem tem premiação. Acho meio que desleal isso, mas eu também consigo entender o lado do organizador de eventos, porque o masculino, hoje em dia, ainda é muito maior que o feminino. Tem muito mais atletas do sexo masculino competindo, pagando inscrição, do que as meninas. Então, por esse lado, a gente consegue até entender um pouco a desigualdade na hora da premiação. Mas eu espero muito que um dia isso acabe e que as premiações sejam igualadas, que as meninas possam viver do esporte também, porque elas fazem o mesmo que nós, não tem motivo para ter essa diferença na hora da premiação”, avaliou o faixa-preta.

Para finalizar o assunto, Fábio Andrade citou a faixa-preta Tayane Porfírio como exemplo de atleta que venceu através do esporte. Entretanto, o professor citou uma questão em específico que prejudica a evolução do Jiu-Jitsu feminino e, consequentemente, a valorização das mulheres dentro da modalidade.

“Eu usaria a Tayane Porfírio como exemplo para essa situação, pois a vi desde o começo da sua carreira e realmente sei que ela veio de família humilde e venceu através do esporte. Mesmo com o crescimento feminino dentro do esporte, elas infelizmente ainda deixam a desejar… Ano passado, se não me engano, teve um evento da SJJIF que deu uma premiação ótima no feminino, porém, as meninas não se inscreveram e não foi possível cumprir o que estava escrito no edital. No próprio Brasileiro da CBJJ, que teve premiação nas categorias, as meninas também não compareceram. Então, ao meu ver, elas precisam estar mais presentes, em quantidade, e logo acontecerá essa igualdade de premiações”, finalizou Fábio.

* Por Mateus Machado

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