Arte suave para mulheres: o que fazer pelo Jiu-Jitsu feminino no ano de 2020? Leia o artigo e opine

Publicado em 08/01/2020 por: Mateus Machado
Arte suave para mulheres: o que fazer pelo Jiu-Jitsu feminino no ano de 2020? Leia o artigo e opine Em seu novo artigo, Carolina Lopes fala sobre as lições para o Jiu-Jitsu feminino em 2020 (Foto: FlashSport)

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* Já começamos um novo ano. É época de traçar novas metas e entender como podemos melhorar em relação ao ano anterior. Em 2019, tivemos alguns marcos para o Jiu-Jitsu feminino, como a premiação em dinheiro no Campeonato Brasileiro (da Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu) baseada em número de inscritos, e não diferenciando entre masculino e feminino, como vemos em muitos eventos. Vimos também o crescimento de uma equipe gerida 100% por mulheres, a AVIV Jiu-Jitsu, da Ana Carolina Vieira e Luanna Alzuguir.

Tudo que já tivemos de progresso até aqui não pode ser esquecido, muito menos regredir. Em 2020, temos que continuar lutando pelo crescimento do Jiu-Jitsu feminino e não nos acomodar com o que já conquistamos até agora. O que, então, podemos fazer para valorizar ainda mais as mulheres no Jiu-Jitsu?

Um primeiro ponto, que sinceramente nem deveria ser falado mais, é parar de fazer certos comentários ou reproduzir comportamentos machistas dentro e fora do tatame. Muita gente acaba repetindo estereótipos de gênero sem nem perceber, porque já é algo enraizado na nossa sociedade. O que para você é só um modo de falar, pode atrasar e muito o desenvolvimento das mulheres no Jiu-Jitsu. “Luta que nem homem”, “você tem força de homem”, “deixa eu ir com ela para descansar”, e por aí vai. Se tem um jeito melhor de falarmos as coisas, sempre vale mais a pena pensar antes e ir pelo caminho mais gentil e menos preconceituoso.

Em segundo lugar: valorizar as mulheres no Jiu-Jitsu. Seja chamando uma professora para dar um seminário na sua academia, apoiando as atletas da sua cidade, assistir os eventos que tenham lutas femininas, cobrar da mídia especializada que fale também (e na mesma proporção) das atletas e não só dos homens. Isso pode começar de forma mais simples também, como mostrar que apoia o “corre” daquela menina que treina na sua academia e está sempre batalhando para ter seu espaço no Jiu-Jitsu

Essa vai mais para as empresas e federações, mas serve também para todos: incentivar o trabalho e acreditar na competência das mulheres. Seja dando espaço para uma mulher integrar o corpo de arbitragem, ou fechando uma parceria com uma atleta, divulgando aquela sua amiga que faz um trabalho bacana. A teoria é muito linda, não é? Mas na hora de fazer acontecer de verdade, não é todo mundo que bota em prática o discurso da igualdade. Seja uma pessoa que faz, e não que só fala.

Um ponto muito importante também, e que serve para pais, educadores e todas as pessoas que convivem com crianças é: incentivar a liberdade de escolha das meninas. É muito cruel com uma criança dizer que tipo de brincadeira ela pode brincar, que tipo de esporte serve ou não para ela. O Jiu-Jitsu também é para as meninas e é incrível quando elas podem descobrir sua força, ter autoconfiança e acreditar no seu potencial, tudo isso por meio da arte suave. Vale lembrar: educar os meninos em um universo de igualdade e respeito é tão importante quanto incentivar o voo das meninas.

Esses são alguns pontos que podemos ter atenção para continuar fazendo o Jiu-Jitsu feminino crescer. Pode parecer simples, mas se já tivéssemos alcançado tudo, nem estaria falando deles aqui. Para alguns, “2020” poderia parecer muito distante, mas o futuro já chegou. Certamente, não podemos continuar parados esperando que as coisas mudem. Que a luta continue, dentro e fora dos tatames!

* Por Carolina Lopes

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