Artigo: a troca de faixas nas artes marciais e a importância do ciclo de aprendizagem

Publicado em 04/02/2020 por: Mateus Machado
Artigo: a troca de faixas nas artes marciais e a importância do ciclo de aprendizagem Artigo fala sobre a importância do entendimento entre pais, professores e crianças (Foto divulgação)

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* Se a criança vai para uma academia de artes marciais, conclui-se que seja para aprender a lutar, seja qual for a modalidade, não concordam? Na semana passada, na clínica onde eu trabalho, a mãe de um paciente de 7 anos me disse que o filho estava frustrado pelo fato do seu professor de Judô ter lhe dado uma advertência sobre o seu comportamento inadequado, e que para mudar de faixa, a criança precisava aprender e principalmente merecer. Bastou para a mãe ficar irritada com a atitude do professor e ir a favor do filho, justificando que tal atitude era injusta e que não precisava ser severo ao ponto de não participar da troca de faixas.

Nota: inicialmente, as faixas possuíam apenas duas cores, sendo elas a branca, que significava a inocência do praticante, sem conhecimentos prévios, ou com pouco conteúdo adquirido. Enquanto a outra cor era preta, que representa que o praticante já possui conhecimento considerável. Em 1935, o mestre Judoca Mikonasuke Kawaishi, quando lecionava em Paris, na França, desenvolveu outras cores de faixas com o intuito de motivar seus alunos a alcançarem objetivos maiores no esporte.

Vamos lá, qualquer problema que você tiver com o professor do teu filho, resolva com ele, pois além de antiético falar mal dos profissionais, você acaba gerando um mal-estar entre você e o professor, e quem acaba sendo prejudicada é a criança. Por esse motivo, o ideal é esclarecer o mais rápido possível o ocorrido para que as aulas voltem a ser tranquilas, sem nenhum tipo de desentendimento.

Ultimamente tenho atendido muitas famílias sem preparo para educar. Um exemplo é a questão do elogio fácil, da premiação gratuita, por aquilo que não representa esforço pessoal. Se a criança não está fazendo os exercícios propostos pelo professor na academia, não há razão para os pais ficarem bravos. Há momentos em que os pais defendem os filhos pelo bom comportamento e pelo péssimo comportamento. Se a criança é elogiada sem merecer, naturalmente, ela vai esperar ser elogiada em outras ocasiões que não merece.

Infelizmente, a mãe com essa postura não está educando e nem preparando o filho para o futuro. Pode parecer algo simples uma troca de faixa, mas não é. Precisa ter conhecimento suficiente, simboliza um sinal de honraria e respeito, devido ao grau de hierarquia que a arte proporciona em seus ensinamentos e, por isso, muitos alunos sentem orgulho quando as conquistam por mérito e não porque a família tem medo que o filho fique frustrado por não merecer a honrada faixa em determinado momento.

Os pais devem se lembrar de que o sucesso e o fracasso do filho dependem, em grande parte, do esforço dele, e por muitas vezes as famílias querem poupar os filhos das frustrações, prejudicando eles de crescer, levando no futuro a problemas emocionais, como baixa autoestima, depressão e insegurança.

É importante ensinar aos filhos que a vida deve ser composta de atos responsáveis, que cada ação gera de fato uma consequência, que os pais estão lá para orientar, mas nunca enganar, fingindo que os filhos estão certos quando não estão, que fizeram o melhor quando por vezes não houve comprometimento.

Dar presentinhos para os filhos porque conseguiram alcançar os objetivos, recompensar como consolo porque não conseguiu vencer ou prometer prêmios para fazer qualquer atividade, não questionar a atitude do filho em parceria com o professor são ações que não trazem aprendizado e não são úteis para ninguém.

 

 

 

 

 

 

 

 

Quem sou eu? Mônica de Paula Silva, também conhecida como Monica Lambiasi, é graduada em Pedagogia desde 2004. Concursada pela Prefeitura de Embu Guaçu – SP, atua há 13 anos como psicopedagoga clínica, área na qual é pós-graduada desde 2006. Em 2008 concluiu pós-graduação em Didática Superior, e em 2009 concluiu pós-graduação em Educação Especial e Educação Inclusiva. Já em 2017 concluiu pós-graduação em neuropsicopedagoga, e atualmente estuda psicanálise e neurociência. Também é escritora.

Contatos: WhatsApp (11) 99763-1603 / Instagram @lambiazi03

* Por Mônica de Paula Silva

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