Doença rara e sobrenome de peso no MMA nacional: Gabriel Silva repassa sua trajetória antes de duelo no UFC Norfolk

Publicado em 26/02/2020 por: Mateus Machado
Doença rara e sobrenome de peso no MMA nacional: Gabriel Silva repassa sua trajetória antes de duelo no UFC Norfolk Gabriel Silva passou sua trajetória a limpo e vai em busca de sua primeira vitória no UFC (Foto: Reprodução)

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* É possível afirmar que Gabriel Silva chegou ao UFC com um privilégio que poucos brasileiros tiveram a sensação de viver: foi escolhido pessoalmente pelo presidente Dana White, que ficou impressionado com as habilidades do peso-galo da Team Nogueira. O convite para integrar o plantel de atletas do maior evento de MMA do planeta veio no LFA 63, em março de 2019, quando ‘Gabito’ chamou a atenção ao nocautear o até então invicto Jake Heffernan em míseros 83 segundos, anotando seu oitavo triunfo em oito lutas profissionais. Dana, que estava no local gravando seu reality show “Lookin’ For a Fight”, fez questão de ir até o vestiário após o combate e convocar pessoalmente o brasileiro, que prontamente aceitou a proposta.

A estreia no Ultimate ocorreu em julho passado, num bom e disputado duelo contra o ex-desafiante ao cinturão Ray Borg, que acabou saindo vitorioso na decisão dos juízes. Agora, passada a pressão inicial, Gabriel, aos 25 anos, garante estar pronto para conquistar seu primeiro triunfo no Ultimate. Ele retorna ao octógono no UFC Norfolk, no próximo sábado (29), contra Kyler Phillips.

“Minha preparação foi a todo vapor para chegar na melhor forma possível. Eu estudei muito meu adversário, a gente fez um trabalho de estudo bem completo, fechamos até com um rapaz para fazermos um ‘scout’ de todos os melhores momentos do meu oponente para a gente conseguir aproveitar qualquer brecha que ele possa dar. Não preparei nada especial, mas o que eu posso dizer é que vou vir preparado para qualquer situação da luta. Trabalhamos muito em cima dessa luta e com certeza terei uma resposta para todos os ataques dele”, contou o lutador, em entrevista à TATAME, para relembrar logo em seguida sobre sua estreia na organização.

“Eu já estreei contra o Ray Borg, um cara que já disputou o cinturão, um atleta duríssimo e foi uma grande experiência. Ter feito uma luta dura contra ele, bem disputada, mostra que eu estou pronto para estar na organização, enfrentando os melhores. Claro que cometi erros e estou aqui para estar sempre melhorando, corrigindo os meus erros, e foi isso que tentei fazer nesse período pós-luta. Também procurei melhorar minha parte mental, porque acredito que senti um pouco na estreia, pela grandiosidade do evento, mas não é nenhuma desculpa, é algo normal. Temos que saber lidar com nossas emoções e foi uma experiência bem legal estrear no UFC. Passada a estreia, eu vou entrar bem mais tranquilo, focado na luta para fazer uma grande apresentação”.

Mesmo com apenas 25 anos, Gabriel Silva possui uma longa trajetória nas artes marciais. No MMA profissional, por exemplo, o lutador do Espírito Santo luta desde 2011. Desta forma, o início precoce no esporte e os treinos diários tornaram o atleta preparado para encarar os desafios de fazer parte do plantel de lutador da maior organização de MMA do mundo.

“Eu tenho 25 anos, mas luto desde os 16. De lá pra cá, foi uma caminhada longa e eu acredito que evoluí bastante desde então. Passei por alguns lugares que me proporcionaram muitos aprendizados. Hoje em dia, com essa bagagem adquirida, eu me vejo disputando as primeiras posições da minha categoria e, quem sabe, disputar o cinturão um dia, que é meu grande sonho. Almejo voos altos dentro do UFC e é para isso que trabalho dia após dia”.

 

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Galera, estou muito feliz por compartilhar esse momento com vocês! Foram dois anos sem lutar, mas agora estou de volta. Mais forte do que nunca. E pronto pra qualquer coisa. Isso não seria possível sem Deus que me deu forças, Sem ele eu não seria nada. Quero agradecer minha familia, aqueles por quem eu luto. Por acreditarem em mim em cada segundo @deputadonunes @deisimara01 @ericksilvamma @bruno_silvamma, minha namorada @mayara_neves que atura meu mal humor na dieta e sonha os meus sonhos junto comigo. Quero agradecer também minha equipe @teamnogueirarecreio e ao corpo de treinadores, começando pelo head coach @vandervalverde que foi fundamental no resultado da luta. Ao @minotouromma @minotauromma @daviramos_ufc @wellwrestling @cezarguimaraesbjj @rickmonstromma pelo trabalho e dedicação com todos nós da team nogueira. Ao mestre @rogeriocamoes por me deixar cada vez mais forte e preparado. ao @rafael__feijao meu empresário e o @lfafighting por me dar essa incrível oportunidade de mostrar meu trabalho. a todos companheiros de treino da team Nogueira que estão na mesma guerra que eu todos os dias. A vitória não é minha, é nossa! Quero agradecer também aos meus patrocinadores e apoiadores @supremaciacorretora @uselobster @recuperaife @drdanielrosa @helio.fadel @safarimkt @iconesports @o2manipulacao por confiarem suas marcas e nomes a mim. Juntos somos mais fortes! Obrigado a todos que torceram por mim, aos amigos que mandaram mensagens antes e depois da luta. A energia positiva de vocês foi o combustível dessa vitória. Muito obrigado!

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Superação na infância: o primeiro triunfo

Embora tenha estreado no MMA em 2011, Gabriel obteve sua primeira grande vitória em 2008, antes mesmo de imaginar que seria um lutador profissional. Quando tinha apenas nove anos, foi diagnosticado com uma doença rara na perna chamada Síndrome de Legg-Calvé-Perthes, que não só o impediu de praticar esportes durante sua infância, como também o obrigou a fazer o uso de muletas após passar por uma cirurgia. Cinco anos depois, aos 14, quando fora liberado pelos médicos, contou com um “empurrãozinho” do irmão Erick Silva para ingressar no esporte que transformaria sua vida.

“Foi um momento muito difícil da minha vida. Tive essa doença quando era criança, fui impedido de fazer esportes por quatro ou cinco anos, então é uma fase difícil, que a criança quer pular, brincar, correr e não pode fazer nada. Isso acaba mexendo com a cabeça da criança e comigo não foi diferente, porque passei momentos difíceis. Mas tive resiliência para dar a volta por cima, tirar proveito dessa adversidade. Quando fui liberado, não deixei me abater, voltei em grande estilo, porque eu escolhi um esporte que não era indicado pelos médicos, o Jiu-Jitsu, as artes marciais. Eu estava numa fase difícil, tinha engordado devido ao tempo parado, e foi quando o Erick (Silva), meu irmão, começou a dar aula (de Jiu-Jitsu) e me levou para a academia. Mesmo contrariado pelos médicos, que falaram pra eu evitar esportes de impacto, eu permaneci e fui em busca do meu objetivo, que era se tornar um lutador. Hoje, graças a Deus, consegui me tornar um atleta de alto rendimento, então fico muito feliz com minha trajetória”, relembrou o casca-grossa.

Parceria com o irmão famoso

A pressão em lidar com o status de promessa no MMA não é novidade na família Silva. Caçula da família, Gabriel cresceu vendo seu irmão mais velho, Erick Silva, ex-UFC e hoje contratado do Bellator, despontar como um dos lutadores mais famosos do público brasileiros. Acostumado aos holofotes da rotina do irmão famoso, Gabito soube tirar proveito da experiência e acumulou conhecimento para sua carreira, transformando o que poderia ser um peso extra em um fator positivo.

“Realmente, o Erick tem uma grande experiência no MMA. Por sorte, eu convivi com ele por muitos anos da minha vida e, consequentemente, da minha carreira. Pude aprender muitas coisas com ele, adquiri uma grande bagagem com as experiências que ele teve, de irmão para irmão, ele sempre me ajudou e apoiou rumo ao caminho certo. O maior aprendizado foi esse, a convivência com ele. É um atleta que tem um estilo diferente do meu, e tudo que ele pode agregar ao meu jogo e à minha vida foi de grande importância para mim. Fico bastante feliz com a nossa parceria e a nossa irmandade”, concluiu.

 

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Serenidade nos olhares de quem está pronto! @ericksilvamma @aryfariasmma e mestre @rogeriocamoes #oldschool

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CARD COMPLETO: 

UFC Norfolk
Sábado, 29 de fevereiro de 2020
Norfolk, na Virginia (EUA)

Card principal
Peso-mosca: Joseph Benavidez x Deiveson Figueiredo
Peso-pena: Felicia Spencer x Zarah Fairn
Peso-pena: Megan Anderson x Norma Dumont
Peso-médio: Brendan Allen x Tom Breese
Peso-galo: Gabriel Silva x Kyler Phillips

Card preliminar
Peso-meio-pesado: Ion Cutelaba x Magomed Ankalaev
Peso-pesado: Marcin Tybura x Serghei Spivac
Peso-pena: Mike Davis x Giga Chikadze
Peso-pena: Aalon Cruz x Spike Carlyle
Peso-pena: Jordan Griffin x TJ Brown
Peso-meio-médio: Sean Brady x Ismail Naurdiev
Peso-leve: Luis Peña x Alex Muñoz
Peso-pena: Grant Dawson x Darrick Minner

* Por Mateus Machado

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