Artigo: o desafio das atletas de MMA em vencer o preconceito e o machismo diariamente; leia e deixe a sua opinião

Publicado em 04/03/2020 por: Mateus Machado
Artigo: o desafio das atletas de MMA em vencer o preconceito e o machismo diariamente; leia e deixe a sua opinião Cris Cyborg é referência no MMA feminino e possui títulos em quatro organizações diferentes (Foto divulgação)

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* Eu poderia escrever por horas o quanto é honroso e desafiador escrever para essas deusas do mundo da luta. Não seria algo superficial, e sim de muita intensidade, e sabe por quê? Elas são determinadas, atraentes, sedutoras, educadas, sensíveis, conseguem dar conta da vida profissional e pessoal, são ótimas mães, filhas, esposas independentes da opção sexual, são amigas e, por fim, são lutadoras em todos os sentidos, não somente no octógono.

Não há dúvidas que o preconceito e o machismo existem até hoje, muitos dizem que antigamente era pior, posso afirmar que foram épocas diferentes, porém existe uma carga pesada em nossos ombros. Por exemplo: as mulheres dependiam exclusivamente do pai e do marido. Suas ações restringiam-se ao âmbito da casa, os casamentos eram arranjados e, além disso, cabiam às mulheres o cuidado com filhos e serviços.

Sobre os direitos das mulheres, só podemos falar sobre reivindicações a partir do século 18, com o advento do iluminismo e da Revolução Francesa. No século 19, no contexto da Revolução Industrial, o número de mulheres empregadas aumentou significativamente. Foi a partir daí, também, que as ideologias socialistas se consolidaram, de modo que o feminismo se fortificou como aliado do movimento operário. Sendo assim, realizou-se a primeira convenção dos direitos da mulher em Seneca Fall, Nova York (EUA), em 1848.

Escrever sobre os direitos e os avanços das mulheres é essencial. Nunca é demais se lembrar dos sofrimentos e das conquistas, e porque não citar as primeiras mulheres “samurais”. Elas exerceram grande papel no período do Japão feudal e foram decisivas nas batalhas, nomeadas de Onna Bugeishas. Lutavam batalhas defensivas, protegendo castelos e vilas, treinadas profissionalmente por alguma figura patriarca. Elas eram preparadas para proteger a si e a família durante qualquer ataque. As mulheres da China antiga e do Japão tinham razões importantes para aprender as artes marciais, elas tinham que lutar para sobreviver e proteger suas famílias. Resumindo, as mulheres sempre tiveram um papel fundamental  na sociedade.

Retornando, não posso deixar de fora desse artigo um tema tão importante como esse. Infelizmente, estamos regredindo em alguns aspectos, basta ler os jornais ou assistir aos noticiários televisivos para ter a certeza de que nós, mulheres, ainda sofremos muito em relação a vários fatores, como por exemplo, a violência contra mulheres e salários menores em relação aos homens no mercado de trabalho.

Nota: Segundo números levantados pelo G1, o portal de notícias da Globo, em parceria com o Núcleo de Estudos da Violência da USP e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a cada duas horas, uma mulher morre no Brasil vítima de violência. O feminicídio está incluído nessa estatística. Em 2018, os registros de crime de ódio conta o gênero feminino aumentaram 12%.

Além dos preconceitos citados, vamos ao nosso tema principal, lutadoras de MMA, dos quais lutam não somente no octógono, mas a vida toda para chegarem ao reconhecimento, tornando-se verdadeiras deusas do mundo da luta e posso garantir que não foi nada fácil para essas grandes mulheres.

Um dos preconceitos mais citados na história dos eventos de MMA em relação às mulheres, além do sofrimento de cada uma, foi demorarem muitos anos para incluir as deusas guerreiras no octógono, como no caso do primeiro evento de MMA, chamado Smackgirl, no começo dos anos 2000, no Japão. Já nos Estados Unidos, demoraram em aceitar o esporte para mulheres, existiam outros eventos, esse não era interessante investir. Podemos dizer que foi um ato machista? Talvez não, mas podemos dizer que o potencial das mulheres foi  subestimado e ignorado com essa postura da demora em recebê-las.

Depois de vários obstáculos, podemos dizer que cada lutadora sofreu na pele o sangramento individual, algumas rejeitadas pelas famílias, outras ignoradas pelos homens e até mesmo por outras mulheres que, por falta de informação, dizem de forma irresponsável que acham que ser lutadora as deixam menos femininas e com traços masculinos. Lembrando que várias pesquisas científicas resultaram que uma atleta de artes marciais atuante não perde seus atributos de feminilidade e nem a faculdade da procriação.

Para algumas, a superação foi rápida e para outras não. Cada pessoa tem a sua singularidade, suas crises e, principalmente, sua dor. Tenho observado que além de usarem de preconceito com cada uma delas, muitas vezes o tom da fala vem acompanhada de comparações, como exemplo: a lutadora X não faria isso, a lutadora Y é mais preparada emocionalmente do que você. Pior que essas frases sempre vêm de pessoas amigas das quais temos vínculos, mas como somos mulheres, mais uma vez superamos nossas fraquezas, nossas lutas diárias e independentemente de qualquer circunstância, somos guerreiras e vencedoras, seja cuidando da casa, trabalhando fora ou até mesmo sendo estrelas no octógono.

Quem sou eu? Mônica de Paula Silva, também conhecida como Monica Lambiasi, é graduada em Pedagogia desde 2004. Concursada pela Prefeitura de Embu Guaçu – SP, atua há 13 anos como psicopedagoga clínica, área na qual é pós-graduada desde 2006. Em 2008 concluiu pós-graduação em Didática Superior, e em 2009 concluiu pós-graduação em Educação Especial e Educação Inclusiva. Já em 2017 concluiu pós-graduação em neuropsicopedagoga, e atualmente estuda psicanálise e neurociência. Também é escritora.

Contatos: WhatsApp (11) 99763-1603 / Instagram @lambiazi03

* Por Mônica de Paula Silva

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