Olimpíadas em xeque: COB pede adiamento para 2021, e Comitê Olímpico Internacional estipula prazo pra definição

Publicado em 23/03/2020 por: Diogo Santarém
Olimpíadas em xeque: COB pede adiamento para 2021, e Comitê Olímpico Internacional estipula prazo pra definição Em meio a indefinição por conta do coronavírus, Jogos Olímpicos de Tóquio podem não ocorrer em 2020 (Foto COI)

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Com as paralisações da Liga dos Campeões, Brasileiro de Futebol, NBA, Fórmula 1, entre outros eventos esportivos globais, além do adiamento da Eurocopa e da Copa América para 2021, os Jogos Olímpicos de Tóquio estão em xeque por conta da pandemia do novo coronavírus. Até o momento, o governo japonês e o Comitê Olímpico Internacional (COI) reforçam que as Olimpíadas começarão na data prevista, dia 24 de julho. Mas será que os atletas e o mundo estarão prontos?

Maior evento esportivo do planeta – realizado de 4 em 4 anos -, os Jogos Olímpicos de 2020, em Tóquio, no Japão, estão programados para começar no dia 24 de julho, com duração até 9 de agosto. Entretanto, o mundo vive, de forma assustadora, a pandemia do coronavírus (Covid-19), que teve início na China, em dezembro de 2019, e se alastrou por todos os continentes matando milhares de pessoas. E apesar das principais ligas esportivas terem suspendido ou cancelado seus eventos, o Comitê Olímpico Internacional segue confiante que as Olimpíadas acontecerão na data prevista.

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Thomas Bach, presidente do COI, divulgou um comunicado no último dia 17 de março afirmando que todas as medidas de prevenção estão sendo tomados em conjunto com o governo japonês. Até o fechamento desta matéria, na noite de domingo (22/03), o Japão apresentava 1.055 casos confirmados, 35 mortes e 232 pessoas recuperadas, segundo o mapa interativo CSSE.

“A saúde e o bem-estar de todos os envolvidos nos preparativos para os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 são a nossa principal preocupação. Todas as medidas estão sendo tomadas para salvaguardar a segurança e os interesses dos atletas, treinadores e equipes de apoio. Nós somos uma comunidade olímpica, nos apoiamos nos tempos bons e nos difíceis. Essa solidariedade olímpica nos define como uma comunidade”, disse Bach.

COB emite comunicado

Em meio a indefinição da realização dos Jogos Olímpicos de 2020 em Tóquio, no Japão, por conta do novo coronavírus, o Comitê Olímpico do Brasil (COB) se posicionou no último sábado (21) e, através de uma nota oficial, defendeu o adiamento das Olimpíadas para 2021. O evento aconteceria em um período equivalente ao originalmente marcado, entre o fim de julho e a primeira quinzena de agosto.

“Como judoca e ex-técnico da modalidade, aprendi que o sonho de todo atleta é disputar os Jogos Olímpicos em suas melhores condições. Está claro que, neste momento, manter os Jogos para este ano impedirá que este sonho seja realizado em sua plenitude”, afirmou o presidente do COB, Paulo Wanderley, que completou citando o presidente do Comitê Olímpico Internacional.

“O COI já passou por problemas imensos anteriormente, como nos episódios que culminaram no cancelamento dos Jogos de 1916, 1940 e 1944, por conta das Guerras Mundiais, e nos boicotes de Moscou 1980 e Los Angeles 1984. A entidade soube ultrapassar estes obstáculos, e vemos a Chama Olímpica mais forte do que nunca. Tenho certeza de que o Thomas Bach, atleta medalha de ouro em Montreal 1976, está plenamente preparado para nos liderar neste momento de dificuldade”.

Na contramão do COI, uma pesquisa feita por um jornal japonês revelou que 63% da população acredita que adiar os Jogos Olímpicos seria a melhor opção. Inclusive, um dos dois vice-presidentes do Comitê Olímpico do Japão, Kozo Tashima, confirmou que testou positivo para o Covid-19. O primeiro-ministro Shinzo Abe, por sua vez, reforçou o pronunciamento de que o foco é realizar o evento na data planejada.

“Nós estamos fazendo tudo o que podemos para nos preparar (para as Olimpíadas) e queremos ter um evento completo como prova de que a humanidade pode derrotar o novo coronavírus”, apontou Shinzo.

COI admite adiamento pela primeira vez

Pela primeira vez desde o início da pandemia do novo coronavírus, o Comitê Olímpico Internacional (COI) admitiu a possibilidade de adiar as Olimpíadas – com início previsto para o dia 24 de julho. Através de um comunicado divulgado neste domingo (22), a entidade detalhou seus passos, explicando que nas próximas quatro semanas realizará um planejamento sobre o futuro do evento, mas descartou o cancelamento.

“O Comitê Executivo do COI enfatiza que o cancelamento dos Jogos Olímpicos de Tóquio não resolveria os problemas ou ajudaria ninguém. Desta forma, o cancelamento não está em discussão. Por um lado, há uma significativa evolução (do coronavírus) no Japão. Isso poderia fortalecer a confiança dos japoneses de que o COI, com algumas restrições de segurança, poderia organizar os Jogos. Por outro, há um dramático aumento nos casos de Covid-19 em diferentes países e continentes”, apontou a entidade.

Como ficam os pré-olímpicos?

Até o momento, apenas 57% das vagas para as Olimpíadas de Tóquio foram preenchidas. Como muitos pré-olímpicos estão sendo adiados ou cancelados, pode ser que não tenha tempo hábil para que os torneios classificatórios aconteçam e os atletas somem pontos para os rankings. Também em comunicado, o presidente do COI informou que é preciso que cada federação redefina a distribuição de vagas em um período de pouco mais de 100 dias. Em meio as indefinições, a TATAME preparou um levantamento de como está a situação de todas as artes marciais presentes nos Jogos Olímpicos. Confira abaixo:

Boxe: a modalidade terá 286 atletas nos Jogos. O pré-olímpico das Américas, que seria disputado entre 26 de março e 3 de abril, em Buenos Aires (ARG), foi suspenso. O pré-olímpico mundial, em maio, está sob risco.

Esgrima: com 212 vagas para a competição em Tóquio, a modalidade, que está presente desde a primeira edição da Era Moderna (Atenas-1896), tem o ranking aberto e diversos eventos classificatórios cancelados.

Judô: uma das grandes potências do Brasil em Olimpíadas, a modalidade terá 352 competidores. O ranking mundial segue aberto, mas os eventos classificatórios estão suspensos pela Federação Internacional de Judô (IJF) até o dia 30 de abril. Alguns atletas brasileiros estão com vagas encaminhadas, não há nada oficial.

Caratê: pela primeira vez no programa olímpico, a modalidade será dividida em kumitê (a luta em si) e o kata. As competições válidas pelo ranking qualificatório foram canceladas e o Brasil não tem representantes.

Taekwondo: ao todo serão 128 atletas em Tóquio-2020 e a fase classificatória do ranking mundial chegou ao fim em dezembro passado. O pré-olímpico das Américas aconteceu neste mês de março, com portões fechados por causa do novo coronavírus na Costa Rica. Os brasileiros Edival Marques “Netinho”, Milena Titoneli e Ícaro Miguel estão classificados. Os pré-olímpicos asiático e europeu, em abril, foram adiados.

Wrestling: a modalidade apresenta, tradicionalmente, duas formas nas Olimpíadas: Estilo Livre e Greco-Romana. O Pan-Americano, no Canadá, foi realizado neste mês de março e o Brasil conquistou três vagas com Eduard Sghomonyan, Laís Nunes e Aline Silva. No entanto, os pré-olímpicos europeu, africano, asiático e mais três eventos até maio foram adiados pela United World Wrestling (UWW).

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