Alexandre Baraúna não vê o Brasileiro de Jiu-Jitsu sendo realizado em 2020 e projeta: ‘Vai acarretar diversos problemas’

Publicado em 27/04/2020 por: Mateus Machado
Alexandre Baraúna não vê o Brasileiro de Jiu-Jitsu sendo realizado em 2020 e projeta: ‘Vai acarretar diversos problemas’ Alexandre Baraúna (à dir) falou sobre o impacto da não realização do Brasileiro de Jiu-Jitsu (Foto reprodução)

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* Por conta da pandemia novo coronavírus (Covid-19), as competições de Jiu-Jitsu que seriam realizadas no primeiro semestre de 2020 foram canceladas mundo afora, causando um grande impacto no calendário esportivo da arte suave. Torneios como o Pan-Americano e o Mundial – organizados pela IBJJF -, além do Abu Dhabi World Pro, da UAEJJF, foram cancelados e, até o momento, ainda não há uma definição se essas e outras competições poderão acontecer ainda este ano.

Realizado anualmente em Barueri, São Paulo, o Campeonato Brasileiro de Jiu-Jitsu reúne atletas de todo o país e, em 2020, aconteceria entre os dias 25 de abril e 3 de maio, com a expectativa de que aproximadamente 8 mil competidores passassem pelos tatames da CBJJ. Tendo em vista que a competição é tratada por muitos lutadores do país como a principal no calendário anual, já que muitos deles não possuem condições de lutar fora do país, a não realização do Brasileiro causa uma série de incertezas e impactos no dia a dia de atletas, professores, árbitros, empresários e outros setores envolvidos.

Para falar sobre o atual momento de crise no esporte e o cancelamento do Brasileiro da CBJJ, a TATAME conversou com Alexandre Baraúna, um dos principais professores da renomada equipe GFTeam – tendo sua própria academia, o Centro de Treinamento Vista Alegre – GFTeam. Em entrevista, o casca-grossa comentou inicialmente o que a não realização da competição acarreta para o cenário nacional da arte suave.

“A não realização do Brasileiro certamente vai acarretar uma série de problemas para os atletas, aqueles que realmente treinam em busca de resultados e buscam uma ascensão dentro do Jiu-Jitsu. O Brasileiro acabou se tornando um campeonato de grande importância no cenário nacional depois que o Mundial foi para os Estados Unidos, onde as barreiras administrativas impedem, muitas vezes, que aquele cara que tem condições de lutar o Mundial, não lute por não conseguir tirar o visto. Resta para ele lutar o Europeu, o Brasileiro ou o campeonato de outras organizações, como os eventos que acontecem em Abu Dhabi. Esses eventos dão uma certa visibilidade, mas o Brasileiro, ao meu ver, é um dos campeonatos mais difíceis para os atletas das faixas coloridas, se bobear mais difícil que o Mundial, isso nas faixas coloridas. Quando você ganha um Brasileiro, é algo que te dá muito ‘status’. Aquele cara que ganha o Brasileiro, certamente, ele já vem se preparando desde o ano anterior. Quando você quebra todo um planejamento desse, é muito ruim. Muitas vezes, o cara já investiu em nutricionista, fisioterapeuta, psicólogo, e ver toda aquela programação indo por água abaixo, é complicado. Na minha visão, o Brasileiro não vai mais acontecer este ano”, opinou.

Uma das questões levantadas é a realização do Campeonato Brasileiro de Jiu-Jitsu em 2020 sem a presença dos torcedores, contando apenas com atletas, professores, árbitros e staff. Ao ser perguntado sobre essa possibilidade, Baraúna foi taxativo em afirmar que não há condições de o torneio acontecer dessa forma.

“Esse campeonato, sem torcida, tendo em vista que no ano passado já bateu mais de 7 mil atletas inscritos, acho que só o efetivo de lutadores já se caracteriza uma aglomeração. O problema maior dessa pandemia é o contagio, aglomeração de pessoas, então eu acho impraticável e insustentável a gente querer fazer o campeonato, porque é um torneio muito ‘populoso’. Se não tiver um controle total dessa pandemia, eu não vejo qualquer possibilidade do Brasileiro de Jiu-Jitsu acontecer em 2020, infelizmente”.

O período de quarentena tem feito diversos atletas treinarem em casa, e apesar do espaço e o método não serem ideais, a intenção é que os lutadores mantenham a forma. Para Alexandre Baraúna, a missão é justamente acompanhar esse novo movimento de aulas online para os seus alunos, e assim como tem sido para inúmeras pessoas, se reinventar e adaptar aos novos meios de comunicação e trabalho.

“O que eu tenho procurado fazer é me reinventar. Eu nunca me vi dando aula online, mas para isso eu tive que me reinventar no sentido de aprender a mexer na plataforma ‘Zoom’, um fato novo pra mim, voltei a montar aulas em Power Point para que houvesse uma aula em alto padrão. Estou procurando estudar a parte de gestão, porque tenho um centro de lutas, tenho em média 200 alunos, então a minha parte gerencial é algo que preciso melhorar, por isso entrei em um curso de monitoria de gestão de academias. Na questão física, estou tentando fazer algumas coisas, tenho umas placas de tatame em casa, mas nada substitui o treino, o calor da academia. Tenho tentado manter o condicionamento físico, mas estou longe da minha melhor forma. É uma fase difícil, mas é uma briga constante, onde temos que tentar melhorar. Por isso estou procurando ser mais rígido nessa questão do conhecimento, de ampliar minha capacidade intelectual. Eu acho que na parte intelectual até estou me portando bem, mas na parte física, o ideal é que você procure se manter pelo menos ativo”, disse Baraúna, que por fim, deixou uma dica para os atletas.

“A dica que posso dar é que nós não podemos esquecer que somos praticantes de artes marciais, então dentro das características e dos valores que as artes marciais nos passam, nós temos que ter resiliência. Nós nunca podemos perder a fé, temos que acreditar. Não há nada tão ruim que não possa piorar, mas não há nada que não passe, e essa fase vai passar e estaremos mais fortes do que antes. Vamos aproveitar esse momento para refletir, melhorar no que podemos. Uma frase que sempre falo para os meus alunos: ‘se você tem um limão, não tente mastigá-lo com tudo, comer ele na brabeza. Pega ele, descasca, e faz uma limonada que fica ótimo’. Temos que respirar fundo, não perder a fé e ter certeza que tudo vai passar”.

* Por Mateus Machado 

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