Arte suave para mulheres: o abuso não mancha o esporte, abusadores sim; leia o artigo e deixe a sua opinião

Publicado em 16/04/2020 por: Mateus Machado
Arte suave para mulheres: o abuso não mancha o esporte, abusadores sim; leia o artigo e deixe a sua opinião

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* Não é a primeira vez que surge no universo do Jiu-Jitsu a pauta sobre assédio e abuso. Em 2019, uma série da Uol chamada Vozes no Tatame mostrou histórias de mulheres que sofreram com a cultura da violência no universo das artes marciais. Falar sobre isso não significa manchar o esporte, afinal, o machismo está em todas as esferas da sociedade e precisamos falar sobre suas consequências.

É complicado ter que ver algumas pessoas falando que isso tudo não existe no Jiu-Jitsu, ou que é “mimimi”, ou ainda que as mulheres querem se promover ou ‘chamar atenção’ falando sobre isso. Outro dia, uma seguidora da minha página falou: “se as mulheres quisessem ganhar dinheiro com isso, todas estariam ricas”. Porque, infelizmente, muitas mulheres já passaram por uma situação de violência, abuso ou assédio. E não é nada fácil ter coragem para expor sua história.

Faço parte de um grupo de WhatsApp com mais de 100 meninas que fazem Jiu-Jitsu e, às vezes, vemos alguns relatos de um ex-namorado abusivo, de um ex-marido que não queria deixar a mulher treinar, de um professor que assediou, por aí vai. Ver todas as mensagens de apoio e força que surgem de outras mulheres do grupo é incrível. Mostrar que estamos juntas é fundamental nesse processo e nos torna cada vez mais fortes.

Sou uma das responsáveis por uma página de Jiu-Jitsu feminino, o BJJ Girls Mag, e quando falamos sobre esse assunto nas nossas redes sociais, sempre surge alguma mulher nos comentários ou no direct falando que passou por isso em um relacionamento ou com algum professor. O fato é: não podemos fechar os olhos e fingir que não existe machismo ou assédio no Jiu-Jitsu.

O Jiu-Jitsu é uma ferramenta de empoderamento para todos, principalmente para as mulheres. A confiança que a arte suave nos proporciona vai além de apenas saber golpes, é uma força interior que descobrimos. Mas isso vem com o tempo, vamos aprendendo conforme vamos treinando e assimilando os valores do Jiu-Jitsu.

Tudo isso vai por água abaixo quando um professor ou um mais graduado se aproveita da sua posição de “poder” para assediar uma aluna. Às vezes vem de forma disfarçada, com algum movimento durante o rola que uma iniciante não vai perceber que é maldade. Outras vezes vem da forma mais cruel e escancarada. Quando isso acontece com mulheres que estão começando a treinar, a chance dela não querer ver o Jiu-Jitsu nunca mais pode ser maior, porque ela não conhece outros lugares, não tem tantas referências.

Se você é faixa branca, a única mulher da academia, não conhece outras meninas que treinam perto de você e é assediada no tatame pelo seu professor, vai contar para quem? Vai denunciar como? É muito difícil. Por isso, todos que estão no universo do Jiu-Jitsu precisam ter responsabilidade e não fechar os olhos para essa situação. Apoiar uma mulher que está começando na sua academia é também fazer com que ela se sinta acolhida e mostrar que ali, naquele ambiente, ela pode se sentir segura.

Alguns links neste texto mostram que o assédio existe, sim, no meio das artes marciais e que muitas vezes a mulher tem medo de denunciar, pois muita gente não vai acreditar na sua história. Não seja conivente, escute o que uma mulher tem a dizer. O abuso não mancha o esporte, abusadores sim!

* Por Carolina Lopes

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