Líder da CM System, Cristiano Marcello fala sobre impacto do coronavírus no MMA e faz apelo: ‘Não abandonem seus professores’

Publicado em 10/04/2020 por: Mateus Machado
Líder da CM System, Cristiano Marcello fala sobre impacto do coronavírus no MMA e faz apelo: ‘Não abandonem seus professores’ Líder da CM System, Cristiano Marcello (à direita) falou sobre o impacto do coronavírus na equipe e no MMA (Foto reprodução)

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* O atual momento de pandemia por conta do novo coronavírus (Covid-19) causa preocupação e incerteza em relação ao futuro do planeta. A recomendação das autoridades e da OMS (Organização Mundial de Saúde) é de que a população fique em casa, em quarentena, e saia apenas em casos de extrema necessidade para, assim, evitar a disseminação e o contágio do vírus.

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Desta forma, o impacto causado pelo coronavírus foi imediato na economia e na sociedade, em diversos setores. No mundo da luta, eventos foram cancelados e academias precisaram ser fechadas, causando prejuízo a atletas, professores, empresários e outros membros do esporte. Para entender melhor o panorama atual, a TATAME conversou com Cristiano Marcello, líder da CM System – uma das equipes mais renomadas do Brasil na atualidade -, que falou sobre o que tem feito para enfrentar esse cenário de crise.

“A gente tem hoje, ainda bem, a tecnologia à nosso favor. Eu conversei com todos os atletas por grupo, falei que não tem o que fazer, dentro do possível, todo mundo vai se ajudar se for necessário, porque a realidade te dá um parâmetro de ajuda. Como eu sempre falo, a academia é uma família, é união em todos os momentos, na alegria e na tristeza. É que realmente ninguém nunca tinha passado por uma situação como essa (de pandemia causada pelo coronavírus), é uma novidade para todos. Mas dentro dessa novidade, no que acontecer, vamos tentar amparar um ao outro da melhor maneira possível. São nesses momentos que é preciso mostrar o espírito de equipe e a união de todos”, ressaltou o casca-grossa.

Líder e professor da CM System, Cristiano sabe das dificuldades de gerenciar uma equipe e mantê-la em pleno funcionamento em um esporte que demanda grande investimento para ser praticado em alto nível como é o MMA. Diante disso, ele não escondeu sua preocupação com os professores e donos de academias filiadas, aconselhando os alunos que possuem uma melhor condição financeira a não deixarem de pagar a mensalidade da academia, mesmo que o espaço esteja fechado por enquanto.

“O conselho que eu dou é de não abandonar seu professor, não abandonar sua academia. Eu acho que esse é o momento de dar força, mostrar que é fiel, que valoriza o mestre, a academia e os amigos, para quando passar isso tudo, a academia estar em condições de abrir. Se não houver essa conscientização, com certeza, muitas academias vão acabar fechando. Fazendo isso que eu falei, muitos professores vão conseguir passar por essa turbulência de uma maneira melhor e vão ver que os alunos estão ali ao seu lado”.

Responsável por comandar atletas como Elizeu Capoeira – destaque do UFC -, Luan “Miau” Santiago, Daniel Gaúcho, Jack Godzilla, Edilceu Para Raio, entre outros destaques, Cristiano Marcello comentou também sobre a recomendação que deu aos seus atletas no sentido de se manterem ativos durante a quarentena.

“É esperar o retorno, não deixar o psicológico ser afetado e treinar da melhor maneira, para quando tudo voltar, treinar ainda mais forte e ir para a guerra. Está todo mundo no mesmo barco. É importante manter a dieta para não subir muito de peso, porque já não se está treinando da melhor maneira, não pode sair de casa, então se comer muito, vai ganhar muito peso, e depois para recuperar, vai ser muito pior. E manter a mente ocupada… Ler, estudar, se manter ativo e lutando mentalmente, assistir lutas na internet, é isso que tem que fazer. Se conseguir treinar, o mínimo que seja, já está de ótimo tamanho”, concluiu o líder.

Confira outros trechos da entrevista com Cristiano Marcello: 

– Como a paralisação afetou as atividades da equipe?

Com certeza, afetou. Não só a CM System, como todo o MMA, todos os esportes. No geral, afetou tudo, né? Não tem muito a ser feito, a não ser esperar a volta. É para isso que estamos torcendo todos os dias.

– Como vê o impacto da pandemia nos atletas e eventos de MMA?

Muitos atletas aqui no Brasil, acho que 90% deles, não vivem só da luta. Trabalham como segurança, dando aulas ou com outro tipo de trabalho. Pelo menos é o que acontece na CM System… Então, esses realmente estão sentindo diretamente, como todo o povo. Mas o impacto, em si, quando acabar a pandemia, quem estiver mais preparado dentro do possível fisicamente, vai ter muito trabalho, porque os eventos em si já estão com as verbas para os cards acontecerem, pelo menos os maiores, como são UFC, Bellator, BRAVE CF, Future MMA, entre outros. Quem estiver preparado, vai lutar, e acredito que muitos deles farão mais de uma edição por mês, para tirar o atraso. Acredito que os eventos menores também voltarão, porque acho que o MMA, em si, não vai ser tão afetado pós-pandemia. Acho que o problema maior está sendo para quem não está trabalhando no momento, porque não vai ter uma forma de sustento. Mas em relação ao esporte, acredito que vai retomar com uma certa normalidade, a preocupação maior agora é com os atletas.

– Qual foi a sua orientação para os atletas manterem a forma?

Fica difícil você dar um plano de treinamento dentro de uma situação dessa. É fazer, dentro do possível, uma atividade física. Se você consegue sair num parque, onde não tem aglomeração, sair correndo num local sem aglomeração, andar de bicicleta sem ter contato físico, que seja… Correr, fazer atividade física em locais sem aglomeração, é possível. O problema é ter muitas pessoas juntas. Agora, se você mora em um prédio, tem terreno na sua casa, ou num bairro onde tem aonde ficar isolado, é possível manter a forma.

– Quais as dicas para se manter financeiramente nesse momento?

O que eu posso falar é o seguinte: não gastar com coisas fúteis, gastar apenas com o essencial. Alimentação em primeiro lugar, higiene e outras coisas de maior importância. É apertar o cinto, segurar na cadeira e esperar essa turbulência passar. Em breve toda essa questão vai ser solucionada e voltaremos à normalidade. Pelo menos é o que eu espero.  Na verdade, dificilmente, entre o povo brasileiro, alguém tem dinheiro guardado. São poucos os que conseguem fazer isso, porque está muito longe da realidade do brasileiro guardar dinheiro para se manter e passar por uma situação dessa. O conselho que eu dou é não gastar com coisas fúteis e gastar só com o essencial. É a realidade que todos vão ter que passar.

– Como a CM System se posicionou em relação ao seus atletas?

Antes mesmo de mandarem fechar as academias, eu já tomei essa decisão, porque eu tinha dois alunos que enfrentaram o coronavírus na China e me passaram a gravidade da situação. Escutando os rumores de que aconteceria a paralisação, eu me antecipei e cancelei as aulas de alunos pagantes e mantive ainda a dos atletas profissionais. Eu também já tinha visto como havia sido no UFC Brasília, sem a presença do público, então estava vendo a gravidade da situação se formando, já enxergando essa possibilidade. Além de fechar os treinos, alguns alunos moram nos alojamentos da academia, então eles conseguem treinar. Os outros eu falei para se manterem ativos dentro do possível, fisicamente e mentalmente. Estudar os atletas das lutas que foram canceladas, até porque devem ser os mesmos adversários quando tudo voltar. Quanto aos atletas de eventos maiores, analisar e estudar os atletas que lá estão em suas categorias, possíveis oponentes, e por aí vai. Se manter ativo dentro do possível, manter o peso, foi basicamente isso que passei.

– Como a CM System vem se mantendo nesse momento de crise?

Eu não tenho muitos alunos pagantes na academia. A matriz da CM System é formada, basicamente, por atletas profissionais, algo em torno de 90%. Mas os 10% restantes são planos anuais, semestrais, e ninguém pediu restituição, todos têm a visão de que há a necessidade desse custo para que a academia continue aberta. Nesse ponto, o povo brasileiro tem esse pensamento de ajudar, tirando alguns oportunistas que ganham com a desgraça dos outros, como os produtos de álcool em gel, por exemplo, que subiram absurdamente de preço. Mas a maioria, um ajuda o outro, o brasileiro tem isso como característica.

– Por fim, como você projeta o futuro da CM System como equipe?

A matriz (da CM System) possui prédio próprio. A gente não vive da necessidade dos alunos pagantes. A preocupação da matriz é com os meus atletas, porque vivem de aulas, de outros trabalhos, dos eventos. A minha preocupação é com eles e com as filiais que têm os seus donos, dos professores que lá estão. São eles que vivem dos alunos. Mas a galera está ciente que é preciso ajudar, estamos sempre em contato e conscientizando um ao outro. Claro que nem todos vão conseguir ajudar, mas quem pode, é importante.

* Por Diogo Santarém

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