Com luta marcada no F2W 142, Gabi Garcia celebra reabertura de sua academia: ‘Pandemia afetou tudo’

Publicado em 30/05/2020 por: Mateus Machado
Com luta marcada no F2W 142, Gabi Garcia celebra reabertura de sua academia: ‘Pandemia afetou tudo’ Gabi Garcia contou detalhes sobre a reabertura de sua academia, a Alliance Eastvale (Foto: Reprodução/Instagram)

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* Grande nome da história do Jiu-Jitsu, Gabi Garcia, em janeiro, inaugurou sua própria academia, uma filial da Alliance localizada em Eastvale, cidade no estado americano da Califórnia, no condado de Riverside. Após cerca de dois meses com o estabelecimento funcionando normalmente, a multicampeã precisou fechar as portas por conta da pandemia global do coronavírus, o que frustrou seus planos iniciais em um dos seus grandes sonhos realizados no esporte.

Após quase 70 dias de quarentena, no entanto, Gabi teve o aval para reabrir sua academia e, há quase três semanas, retomou as atividades com seus alunos respeitando uma série de medidas, que envolvem uma rígida higienização do local e outros detalhes que garantem a segurança dos envolvidos em relação ao vírus. Em entrevista à TATAME, a faixa-preta da Alliance deu detalhes sobre o processo de volta das aulas em sua equipe.

“A gente reabriu seguindo a lei e a primeira semana foi bem difícil. Continuamos tirando a temperatura dos alunos, pedindo testes, temos estações com termômetros e álcool em gel. Colocamos estações novas para os alunos lavarem as mãos, temos tapetes para eles desinfetarem os pés, eles precisam chegar na academia tirando os sapatos na entrada, entre outras coisas. Isso foi difícil para as crianças no início, principalmente na primeira semana, na segunda semana foi um pouco melhor e estamos entrando na terceira semana, onde os alunos já têm seus pares fixos e voltaram a treinar”, contou a gaúcha.

No bate-papo, Gabi Garcia, que contou com diversos detalhes de sua nova academia, falou também sobre o duelo que fará contra Kendall Reusing, no próximo sábado (30), na luta principal do Fight 2 Win 142, que acontecerá em Dallas, nos Estados Unidos, sem presença de público.

Confira a entrevista completa com Gabi Garcia:

– Pandemia do coronavírus poucos meses após o início das atividades na academia

Eu abri a academia em janeiro. Lógico que, como qualquer pessoa que está abrindo um novo negócio, eu tive um pouco de medo, por várias circunstâncias, mas no primeiro mês eu tive um número de inscritos que eu não esperava, assim como no segundo mês, e a academia estava fluindo muito bem até essa pandemia surgir. Eu fiz a academia do jeito que eu sempre sonhei, muito clean, com tatames do jeito que eu sempre quis, com chuveiros e várias outras coisas. A reforma da academia durou oito meses e aí veio tudo isso causado pelo coronavírus. Mas está sendo um desafio muito grande para mim, porque eu dava seminários antes, mas você ensinar todos os dias te renova, e isso está ajudando no meu Jiu-Jitsu, porque estou respirando o esporte por 24h e ganhei uma nova família. Você ver seus alunos evoluindo é muito legal, é uma sensação muito boa, então estou muito feliz.

– Consequências da pandemia e reabertura da academia

Essa pandemia afetou tudo e todos, afetou nosso meio e o mundo todo, economicamente e psicologicamente. Imagina eu abrir uma academia e depois de três meses ter que fechar as portas? Mas eu mantive minha mente positiva. Óbvio que a gente fez um estudo antes de abrir a academia, precisamos ter um plano B, só que eu não pensava que teria que usar esse plano B tão rápido. Eu perdi três alunos nessa pandemia, porque eu mantive as aulas online, fiz desafio com os alunos e mantive sempre um produto para eles, para que estivessem conectados sempre. A gente abriu a academia aos poucos e somente quatro alunos não voltaram ainda.

Ainda não estou recebendo alunos novos, mas já estou com uma fila de 21 pessoas esperando para as aulas introdutórias da Alliance. Acho que muita gente está com medo desse vírus, mas o que eu tento passar para os meus alunos é que a gente não pode viver só com medo. Temos, óbvio, que tomar todas as precauções, mas se a gente viver a vida com medo, nunca vamos fazer nada. Então, acho que meus alunos voltaram a treinar por eu passar essa confiança e por eu manter a academia sempre limpa. A gente limpa os tatames com três produtos diferentes a cada treino, limpamos a academia de duas em duas horas, e isso antes do vírus. Acho que isso deu uma confiança ainda maior aos nossos alunos.

– Como está sendo o retorno das atividades em sua academia?

A gente não voltou de forma rápida. Ficamos quase 70 dias em quarentena e voltamos com cerca de 65 dias. Eu não sei se é bom abrir a academia nessas pandemia, nessas fases que as autoridades implementam ou só abrir depois, porque demanda muito trabalho, é muito dinheiro envolvido, muito tempo e muito estresse. Temos que seguir as leis locais e aqui, onde estamos, os casos já estão bem baixos. Não conheço ninguém que teve o vírus próximo de mim, os hospitais já estão sem casos da Covid-19 e as máscaras já não são mais obrigatórias, mas continuo usando para ir aos lugares em público. A gente reabriu seguindo a lei e a primeira semana foi bem difícil. Continuamos tirando a temperatura dos alunos, pedindo testes, temos estações com termômetros e álcool em gel. Colocamos estações novas para os alunos lavarem as mãos, temos tapetes para eles desinfetarem os pés, eles precisam chegar na academia tirando os sapatos na entrada, entre outras coisas. Isso foi difícil para as crianças no início, principalmente na primeira semana, na segunda semana foi um pouco melhor e estamos entrando na terceira semana, onde os alunos já têm seus pares fixos e voltaram a treinar.

Abrimos com duas aulas no dia em três vezes na semana e é sempre feita uma inspeção na academia, isso demanda um custo muito grande. Os alunos estão muito felizes da gente poder seguir os treinos. Antes mesmo de reabrir, eu já estava pronta para isso. Eu já tinha visto os protocolos de abertura das academias. Acho que passei por essa pandemia com a cabeça forte e os alunos me ajudaram muito. Nada poderia ser pior do que foi a perda do meu irmão antes do ADCC, que foi uma dor enorme. Isso que o Jiu-Jitsu me ensinou, a sempre se superar, e sempre temos uma nova chance de continuar. Passei por essa pandemia muito confiante. Não está perto de terminar, mas estamos tomando todas as medidas possíveis e estou feliz de ver meus alunos treinando.

 

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Deus obrigado por mais um dia!!! 9:30pm Nossa reabertura foi sensacional! Seguimos todos os protocolos e estamos dentro das leis! TODAS nossas aulas lotadas! EU SOU ABENÇOADA! EU AMO MEUS ALUNOS QUE HOJE SÃO MINHA FAMÍLIA! PERDEMOS UM ALUNO. FECHAR AS PORTAS COM APENAS TRÊS MESES ME FEZ FICAR MAIS FORTE QUE NUNCA. MEU PENSAMENTO SEMPRE POSITIVO. ESTOU EXAUSTA! MAS EU ESTOU TÃO ORGULHOSA DA MINHA CARREIRA, DA MINHA ACADEMIA. Me descobri em meio a pandemia uma empresária, professora e nem imagina que eu seria tão positiva. Sem meus alunos isso não aconteceria! FICA AQUI MINHA ETERNA GRATIDÃO! MEU TIME ME DA ORGULHO! Obrigado por entenderem nossa nova e complicada realidade. Eu amo vocês @allianceeastvale . . . . God, thank you for another day!!! Our reopening was sensational! We follow all protocols and laws! ALL of our classes packed! I AM BLESSED! I LOVE MY STUDENTS WHO ARE MY FAMILY TODAY! CLOSED DOORS AFTER 3 MONTHS MAKE ME MORE STRONGER THAN EVER! IF NOT MY STUDENTS THIS NEVER HAPPENS! WE LOST 1 STUDENT! ALL MY STUDENTS BACK TRAINING AND UNDERSTAND OUR NEW REALITY! ❤️❤️ to all my students my eternal gratitude during this pandemic ❤️ 📍3550 E.philadelphia st 📍St 120 📍Ontario #alliancebjj #bjj #jiujitsu #mma #gabigarcia #teamgabigarcia #jiujitsu #cityofeastvale #eastva lecah #cityofnorco #ranchocucamonga #cityofontariocay #cityofchinohills @futurekimonos @fujimatco

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– Duelo marcado contra Kendall Reusing no Fight 2 Win

O Fight 2 Win tinha me pedido para fazer essa luta no dia 23 (de maio) e eu tinha aceitado lutar, só que uma semana antes, a gente estava para abrir a academia e eu tive uma crise de estresse muito grande, eu fui até ao médico. Falei que não poderia lutar, mesmo treinando, porque eu estava me dedicando somente a dar aula e comandar minha academia. Eles continuaram insistindo para eu lutar, pediram muito, e a Kendall escolheu lutar sem quimono. Eu me mantive treinando durante toda a pandemia, não estou no meu melhor shape, mas estou bem treinada, no ritmo. A Talita Treta está me ajudando, tenho alunos que fazem Wrestling, então isso ajuda. Ela é uma menina nova, a academia dela é bem perto da minha. Ela tem um Wrestling muito bom, acho que ela vai querer trocar em pé comigo, mas é só finalização, então vai ser até bom para eu poder soltar um pouco mais o meu jogo. Sem quimono, eu acho difícil me segurar, eu não queria lutar comigo sem quimono (risos). Mantive minha preparação, treinando todos os dias e acho que vai ser uma luta boa, um encontro de gerações. Eu aceitei mais para as nossas vidas voltarem ao normal e para as pessoas terem entretenimento voltado ao Jiu-Jitsu em casa. Estou preparada para lutar e nunca me escondi atrás de título algum. Ela que quis lutar comigo, então vamos lá, antes a mãe dela chorando que a minha (risos).

* Por Mateus Machado

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