Especialista usa caso de Tony Ferguson como exemplo e comenta sequelas causadas por traumas na cabeça

Publicado em 14/05/2020 por: Diogo Santarém
Especialista usa caso de Tony Ferguson como exemplo e comenta sequelas causadas por traumas na cabeça Muitas sequelas acontecem em decorrência de repetitivos traumas na cabeça (Foto reprodução)

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Realizado no último sábado (9), em Jacksonville, na Flórida (EUA), o UFC 249 reacendeu um importante debate sobre as sequelas causadas em lutadores como consequência dos golpes na cabeça a longo prazo. Responsável pela luta principal do evento, Tony Ferguson acabou nocauteado de forma brutal por Justin Gaethje no quinto round, e segundo dados coletados durante o combate, Ferguson recebeu 143 golpes significativos, sendo 100 deles na cabeça. O lutador americano, inclusive, teve uma fratura no osso orbital, que fica localizado na região da cavidade ocular.

Para debater o tema, a TATAME entrou em contato com o cirurgião Bruno Chagas, especialista do Centro de Deformidades da Face (CDF) do Rio. Eleito também o melhor profissional na área de cirurgia buco-maxilo-facial pela Câmara Municipal de SP em 2017, Bruno falou dos problemas em virtude dos golpes na cabeça.

Cirurgião Bruno Chagas citou Ferguson como exemplo (Foto reprodução)

“A nível neurológico, é muito ruim (a consequência). A gente tem diversos casos de lutadores famosos, como o Maguila (ex-boxeador brasileiro) e o Muhammad Ali, que evoluíram para Mal de Parkinson ou Alzheimer, por exemplo, entre outros problemas neurológicos que aparecem”, comentou o cirurgião, ressaltando ainda que não existe nenhum tipo de treinamento para “amenizar” as pancadas no local.

Sobre o caso de Ferguson, especificamente, Bruno acredita que o peso-leve poderá voltar após cerca de 45 dias, levando-se em conta que sua recuperação ocorra conforme o esperado: “Cerca de 10 dias após o trauma e a cirurgia (Ferguson foi operado um dia após a fratura), ele já vai estar com o rosto desinchado. Porém, para cicatrizar, o período é em torno de quatro semanas. A sequela mais comum nesse tipo de fratura é a diplopia, que é a visão dupla. Então, se o atleta não for operado de forma rápida e correta, isso pode evoluir. Vale citar que nem todos os casos necessitam de cirurgia, e alguns evoluem para hematomas atrás dos olhos que devem ser drenados até 6h após o trauma, ou a pessoa corre risco de ficar cega”.

O debate acerca dos riscos inerentes aos atletas que praticam esportes de maior contato é abrangente, e além do MMA, inclui lutas como Kickboxing e Boxe, por exemplo, além do Futebol Americano. O esporte, um dos principais nos EUA, inclusive gerou um estudo sobre Encefalopatia Traumática Crônica (ETC) por parte do neuropatologista Bennet Omalu – que na época chegou a ser “perseguido” – no início dos anos 2000. Outro caso é a Hidrocefalia pós-traumática (acúmulo excessivo de líquido, aumentando a pressão no crânio).

A doença, que já foi popularmente chamada de “demência dos pugilistas”, além de demência e perda de memória, pode causar também tremores, dificuldade na fala e na locomoção, agressividade, depressão e outros descontroles emocionais. Por fim, o cirurgião citou as melhores formas de prevenção, destacando que o ideal – apesar de impossível para certos atletas – é evitar traumas repetitivos na região da cabeça.

“Como são atletas de alto rendimento e que tem envolvimento direto com um esporte de impacto, a grande prevenção é buscar ajuda médica assim que sair da luta. No mais, outras formas de se prevenir esse impacto são usando capacete, luvas e protetor bucal durante os treinamentos”, encerrou Bruno Chagas.

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