Michael Langhi comenta sobre a não realização do Brasileiro em abril e opina: ‘Difícil que aconteça ainda em 2020’

Publicado em 02/05/2020 por: Yago Redua
Michael Langhi comenta sobre a não realização do Brasileiro em abril e opina: ‘Difícil que aconteça ainda em 2020’ Michael Langhi falou sobre a não realização do Brasileiro de Jiu-Jitsu e a reabertura das academias (Foto reprodução)

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* Se não fosse a pandemia do novo coronavírus (Covid-19), a comunidade do Jiu-Jitsu estaria com os olhos voltados para Barueri (SP) nesta semana. Principal torneio de arte suave do país – e um dos maiores do mundo -, o Campeonato Brasileiro seria realizado entre 25 de abril e 3 de maio, porém, acabou cancelado. Pentacampeão brasileiro, Michael Langhi, que se aposentou como atleta e atualmente é CEO da Alliance SP, conversou com a TATAME sobre esse cancelamento.

A Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu (CBJJ) tomou a decisão inédita no começo da pandemia no Brasil, em março. O órgão ainda não informou uma nova data para a disputa da competição, mas segundo Langhi, a não realização do torneio no mês de abril, o que é uma tradição, já tem um grande impacto para o esporte.

“Com certeza vai ter um impacto a não realização do Brasileiro. É um campeonato já tradicional no calendário da CBJJ, o maior torneio e de mais alto nível que nós temos no país. Muitos atletas o usam como um termômetro de preparação para o Mundial – tendo em vista que é um mês antes. Pessoas que não têm visto para os Estados Unidos, usam o Brasileiro como se fosse um Mundial. Tem um peso muito importante para esses lutadores. Por tudo isso, acho que será um impacto muito grande para a comunidade do Jiu-Jitsu. É a primeira vez que ele não acontece, então, acredito que isso ficará marcado, sim”, opinou.

Existe a expectativa de lutadores e professores que o evento possa acontecer mais para o fim de 2020. Ao ser indagado pela nossa reportagem sobre medidas restritivas no número de atletas ou portões fechados, Langhi acredita que, no atual cenário, é quase inviável a realização da competição ainda neste ano.

“Eu acho muito difícil que a edição de 2020 aconteça. Se for realizado, vão ter que tomar medidas restritivas. Ninguém ainda sabe muito sobre os protocolos de segurança, que estão mudando semanalmente. Estamos vivendo esse mesmo drama com as academias de Jiu-Jitsu. A cada semana, a informação é diferente e isso é muito cíclico. Não temos como prever muito o que vai acontecer”, comentou Langhi, que seguiu:

“Eu não acho que será realizado, porque mesmo que se tome a decisão de fazer com os portões fechados e restrição no número de atletas… O que vai acontecer é o seguinte: o Brasileiro tem 4 ou 5 mil competidores (em 2019 foram 7.500 competidores), então, mesmo com os portões fechados, esse número iria lotar o ginásio. Não seria aprovado pelo Ministério da Saúde. Vamos supor que cortem pela metade, para 2.500 – o que é um alto número ainda. Fica inviável a realização. Se restringir para poucos atletas, não faria sentido para a CBJJ ter o gasto que tem. As inscrições não iriam nem sanar o custo deles para alugar o espaço e tudo o que precisa fazer para que um campeonato desse porte aconteça”, disse o experiente faixa-preta.

Movimento para reabertura das academias

Na última semana, um grupo de lutadores e professores se reuniu na porta da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) para reivindicar a reabertura das academias no estado, que é o epicentro da pandemia no país. Langhi contou que a Alliance vem trabalhando para criar protocolos de segurança sanitária, mas que só vai reabrir a partir do momento em que receber uma autorização das autoridades de saúde.

“O meu posicionamento é sempre seguir as recomendações do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde. Estamos também desenvolvendo, dentro dos parâmetros do Ministério da Saúde, um protocolo de segurança. Esperamos a liberação (para a reabertura), não tem como ir contra um órgão de saúde, mas estamos tentando nos antecipar. Pelo que eu estou sabendo, a academia do (Romero) Jacaré, em Atlanta (EUA), reabre na semana que vem. Acho que será um parâmetro legal para sabermos como vai ser o funcionamento da academia e como os alunos vão responder mediante a esse problema. Como negócio queremos que abra o mais rápido possível, porque é preciso girar um caixa. Como um amante do Jiu-Jitsu e apaixonado pela arte, está fazendo muita falta pra mim. Mas, como um ser humano racional, sabemos que medidas drásticas precisam ser tomadas e estamos cumprindo todas elas”, concluiu.

* Por Yago Rédua

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