Professores dos países mais atingidos pela pandemia na Europa narram dificuldade: ‘De 250 alunos para zero em um dia’; confira

Publicado em 26/05/2020 por: Yago Redua
Professores dos países mais atingidos pela pandemia na Europa narram dificuldade: ‘De 250 alunos para zero em um dia’; confira Professor da Gracie Barra em Barcelona contou como foi para manter os alunos (Foto arquivo pessoal)

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* A Europa, um dos continentes mais castigados pelo novo coronavírus (Covid-19), começa lentamente a flexibilizar o isolamento social e ativar diversos setores que ficaram paralisados nos últimos dois meses e meio. Assim como toda área esportiva, o Jiu-Jitsu também foi afetado, com os eventos suspensos e as academias fechadas. A TATAME conversou com professores de alguns dos países mais afetados do continente europeu para entender melhor como foi enfrentar a pandemia e como está sendo este processo de retomada.

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Confira como o vírus impactou no negócio de professores na Itália, Espanha, França e Inglaterra, e como eles fizeram para contornar a crise sanitária que afetou o mundo inteiro e fez mais de 300 mil mortos até agora.

> ITÁLIA

O italiano Roberto Bocchi, faixa-preta da Gracie Barra, lidera uma escola em Torino, que fica ao norte do país. A Itália, logo após a China, foi o segundo epicentro global do novo coronavírus e está em isolamento desde o dia 9 de março. Em conversa a TATAME, o professor falou que sofreu um forte baque financeiro com a paralisação das aulas e não teve nenhum suporte do governo.

“O impacto no meu negócio foi enorme, passamos de 250 (alunos) para 0 em um dia. O governo não fez quase nada para ajudar, em dois meses, eles nos deram 600 euros e não foi para todo mundo, apenas 8% das empresas esportivas receberam essa ajuda antes que o governo ficasse sem dinheiro. Portanto, definitivamente, não teve ajuda”, disse o faixa-preta, que seguiu explicando a dura realidade:

“Na prática, eles (alunos) não estão mais pagando a mensalidade. Em vez disso, temos uma promoção com desconto de 50% do preço normal para os alunos que nos seguem online”, relatou Roberto, que é a favor da reabertura das academias mesmo com restrições. A expectativa é que o governo autorize a partir de junho.

> ESPANHA

Assim como na Itália, a Espanha viveu dias tristes nos últimos dois meses com a pandemia. O país, que entrou em estado de emergência no dia 14 de março, precisou fechar todos os estabelecimentos, com exceção dos serviços essenciais. Leandro Gontijo, que é responsável por duas escolas da Gracie Barra, em Barcelona e Castelldefels, relatou um pouco da difícil situação vivida no país.

“A crise sanitária nos afetou e muitas pessoas ficaram sem trabalho. As academias também sofreram um forte impacto. Estamos todos juntos, lutando com os nossos alunos, para podermos vencer. O governo disponibilizou ajuda para pessoas e as empresas, mas até o momento, essa ajuda não chegou a todos. Eu ainda não recebi. A nossa academia só consegue sobreviver graças aos alunos que seguem pagando as mensalidades com uma cota reduzida de 60%. Alguns alunos seguem até pagando a cota inteira por não terem sido tão afetados, e outros foram muito afetados e não puderam seguir pagando”.

Leandro informou que o governo espanhol definiu o processo para reativação da economia em quatro fases: 0, 1, 2 e 3. A reabertura das academias entra na fase 2 e está prevista para o dia primeiro de junho.

> FRANÇA

A França também passou por situação complicada e a população segue confinada. O francês Mathias Jardim, professor da GFTeam em Paris, explicou que a maioria dos alunos continuam pagando as mensalidades e têm conseguindo se manter financeiramente. Além disso, destacou as aulas online como uma saída e o processo de flexibilização do isolamento. No entanto, destacou que o Jiu-Jitsu deve demorar a retornar.

“Fazemos aulas onlines voltadas mais para a parte física, porque é impossível de fazer Jiu-Jitsu pra quem está sozinho em casa. Também fazemos aulas para quem pode treinar com outra pessoa. Então, estamos fazendo quatro treinos por semana online, são sempre 60 ou 70 pessoas”, disse o professor, que seguiu:

“Aqui já está mais flexível o isolamento, mas com as artes marciais de contato vamos ter que esperar até 2 de junho para mais novidades. Acho que neste dia, a novidade será que vai ter que ficar fechado (risos). Eu não sou a favor que reabram logo, acho que isso é perigoso. Temos que ficar todos com saúde”.

> INGLATERRA

Dez vezes campeão mundial de Jiu-Jitsu e referência no esporte, Roger Gracie comanda, em Londres (ING), sua equipe. O faixa-preta, que chegou a contrair o novo coronavírus e se recuperou (saiba mais), contou como tem feito para lidar em relação aos funcionários e alunos. O ex-atleta disse que precisou cortar alguns salários e logo que academia fechou, iniciou as aulas pela internet.

“Desde que a academia fechou, nós mudamos para uma plataforma online. São aulas para criança, adulto, como fazíamos na academia. Estou tentando ao máximo cuidar dos professores. A minha academia ficou grande, eu tinha 22 pessoas trabalhando pra mim. Assim, tivemos que ter uma redução de salários para alguns. Mas cada caso é um caso. Tem certos professores que precisam do salário, outros não. Porque eles tinham o trabalho deles e também davam aulas aqui na academia. Estou tentando ao máximo ajudar quem tá aqui comigo. É exatamente o que todo mundo tem que fazer. Não só no Jiu-Jitsu, mas qualquer empresa”.

* Por Yago Rédua

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