Artigo: como professores devem lidar com crianças tímidas ou depressivas no tatame? Leia e saiba mais

Publicado em 08/06/2020 por: Mateus Machado
Artigo: como professores devem lidar com crianças tímidas ou depressivas no tatame? Leia e saiba mais

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* Vamos aproveitar esse período de quarentena e buscar conhecimentos do qual irão nos ajudar em alguns momentos em nossas vidas. A criança não tem como verbalizar seus conflitos internos, por esse motivo, o professor experiente tem o dever e a responsabilidade de observar o seu aluno para uma possível comparação saudável e tentar entender o comportamento do seu aluno e ajudá-lo, pois sabemos que cada criança tem suas singularidades, neste caso, as comparações serão usadas no intuito de ajudar e não expor as crianças, pois trabalhar com crianças não é tão simples, existe uma complexidade que precisa ser estudada e respeitada.

Ao chegar à academia de artes marciais, muitas crianças apresentam timidez, comportamento esse mais que natural, pois precisamos nos adaptar ao novo ambiente. Quanto tempo leva para essas crianças se adaptarem? E qual é a diferença entre ser tímido e depressivo, e como as artes marciais podem ajudar as crianças nesse período de conflitos emocionais?

Quando a criança, em poucos dias, consegue se adaptar no meio ambiente em menos de duas semanas, sendo gentil com o professor de artes marciais e com seus amiguinhos, não precisamos nos preocupar, está tudo perfeito no desenvolvimento dessa criança. Mas e quando esta criança não consegue avançar na socialização e nos treinos? 

Vamos entender o que significa “Depressão”. Um estudo da Organização Mundial de Saúde (OMS) aponta que 20% das crianças e adolescentes apresentam os sintomas da depressão, como irritabilidade ou apatia e desânimo. 

Um indivíduo deprimido tem gestos e manifestações de melancolia e, ao menor estímulo, pode cair em prantos ou sentir uma tristeza profunda. Há uma sensação de cansaço que pode manifestar como uma passividade e/ou apatia, e isso costuma ser mais evidente nas primeiras horas do dia. Em casos mais graves, pode surgir tendência ao suicídio. (Gasparini, 2000).  

Porém, devemos observar se os sintomas são frequentes. Às vezes é só um mal estar. Cass (1999) cita os seguintes sintomas: tristezas persistentes; ansiedade; ou humor “vazio”; pessimismo ou sentimentos de desesperanças; perda do interesse ou do prazer nas atividades habituais; inclusive sexo (adultos); insônia; acordar de madrugada; ou sono excessivo; agitação; diminuição da energia; cansaço; ou sensação de “lerdeza”; baixa da autoestima; sentimentos de inutilidade, ou de culpa excessiva ou inapropriada; dificuldade em se concentrar, em lembrar-se de algo, ou em tomar decisões; pensamentos de morte ou de suicídio recorrentes, tentativas de suicídio, ou um plano suicida. 

Já no caso da Timidez, existe uma série de consequências negativas associadas. As crianças tímidas têm, geralmente, mais dificuldade em fazer e em manter amizades, porque carecem de habilidades sociais, o que contribui para se tornarem mais solitárias e muitas vezes são interpretadas pelas outras crianças e até mesmo pelos professores despreparados, como sinal de indiferença e desinteresse, o que contribui para que estas crianças sejam ignoradas ou excluídas.

Como entender essas crianças?  Umas das dicas mais importantes para lidar com essas crianças ao chegar às academias de artes marciais são:

Depressão infantil: Apoio dos pais e professores é fundamental para ajudar a criança a sair da depressão, na maioria dos casos, necessita das avaliações psicológicas e uso de antidepressivos, onde o acompanhamento psiquiátrico (psiquiatra infantil) é de suma importância. 

Respeitar os sentimentos da criança, ter paciência, incentivar a criança a desenvolver atividades que gosta, sem causar pressão, elogios em minha opinião é o melhor remédio para curar qualquer conflito. Dar atenção, aproveitar o momento que a criança queira conversar, brincadeiras na hora certa e nunca deixar essa criança sozinha no quarto, incentivar a comer de três em três horas para se manter nutrida e favorecer um ambiente limpo, organizado e calmo.

Timidez: Não precisamos potencializar a timidez da criança falando o tempo todo que ela é tímida, já sabemos. Umas das principais dicas são: não force a criança a fazer atividades nas quais ela não se sinta bem, tenha calma, é preciso paciência para que, aos poucos, a criança ganhe segurança em si mesma e permita-se tentar novidades. Incentivar a criança em novas brincadeiras ou participar de exercícios em pequenos grupos pode ajudar.

Uma das piores sensações da vida é ser comparado com outra pessoa. Não são comentários saudáveis e podem aumentar mais a insegurança da criança. Lembrando que ninguém gosta de ser tímido (a). Ao invés de comparar, valorize seus esforços e nunca menospreze seus sentimentos. Caso as dificuldades aumentem, converse com a família para procurar ajuda de um profissional da saúde mental (Psicólogo).

Além das dicas, podemos usar as artes marciais para ajudar essas crianças, pois seus benefícios são inúmeros como, por exemplo: a manter o autocontrole, resistência cardiorrespiratória, coordenação motora, força física, mental e espiritual e socialização como parte fundamental para crianças tímidas.

Não podemos deixar de citar que as artes marciais ajudam a combater a depressão, pois os treinos têm efeitos benéficos na saúde em geral e, ao nível psicológico, podem reduzir a ansiedade, melhorar a autoestima e autoconfiança. Os treinos das artes marciais, seja qual for a modalidade, liberam no cérebro substâncias, as endorfinas, que proporcionam uma sensação de paz e de tranquilidade. São neurotransmissores ligados à gênese do bem-estar e do prazer, por liberar endorfinas. Os treinos quando praticados regularmente são eficazes no combate ao estresse e ansiedade.

Referências 

  • JEFFREY, A.M, Depressão infantil. São Paulo: M. Book do Brasil, 2003.
  • DE OLIVIER, LOU. Distúrbios de aprendizagem e de comportamento. Quinta edição. Rio de Janeiro: WAK Editora, 2010.

Sites recomendáveis 

Quem sou eu? Mônica de Paula Silva, também conhecida como Monica Lambiasi, é graduada em Pedagogia desde 2004. Concursada pela Prefeitura de Embu Guaçu – SP, atua há 13 anos como psicopedagoga clínica, área na qual é pós-graduada desde 2006. Em 2008 concluiu pós-graduação em Didática Superior, e em 2009 concluiu pós-graduação em Educação Especial e Educação Inclusiva. Já em 2017 concluiu pós-graduação em neuropsicopedagoga, e atualmente estuda psicanálise e neurociência. Também é escritora.

Contatos: WhatsApp (11) 99763-1603 / Instagram @lambiazi03

* Por Mônica de Paula Silva

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