Cara de Sapato tira lições de derrotas, fala sobre lesões e projeta retorno contra Brad Tavares: ‘Seria uma excelente luta’

Publicado em 27/06/2020 por: Mateus Machado
Cara de Sapato tira lições de derrotas, fala sobre lesões e projeta retorno contra Brad Tavares: ‘Seria uma excelente luta’ Recuperando-se de lesão, Cara de Sapato projeta retorno ainda em 2020 (Foto: Reprodução/Instagram/@caradesapatojr)

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* Atualmente em 15º no ranking peso-médio do UFC, Antônio Cara de Sapato chegou a emplacar cinco vitórias consecutivas na organização, mas viu sua situação mudar em 2018, após sofrer uma ruptura no músculo do peitoral, onde acabou ficando mais de um ano sem lutar. Seu retorno ocorreu em maio de 2019 e, visivelmente fora de ritmo, o brasileiro acabou sendo derrotado por Ian Heinisch na decisão unânime. Em setembro do mesmo ano, o faixa-preta de Jiu-Jitsu teve pela frente Uriah Hall, e em mais um combate que foi para o julgamento dos árbitros, foi derrotado em decisão dividida, em resultado que foi bem contestado por sua parte.

Além dos dois reveses sofridos, Cara de Sapato amargou uma nova lesão este ano, dessa vez no ligamento cruzado anterior do joelho. Sem lutar desde setembro do ano passado, o lutador agora passa por um novo período de recuperação e espera voltar ao cage do Ultimate no fim de 2020. Apesar do momento difícil em sua carreira, o atleta, de 30 anos, ainda procura tirar lições positivas das adversidades. Em entrevista à TATAME, Antônio afirmou que as situações vividas nos últimos anos serviram para “amadurecer”, reconhecendo que sua luta contra Heinisch, em 2018, ocorreu antes do tempo considerado ideal para ter um bom desempenho.

“Me precipitei um pouco para a luta contra o Ian Heinisch, voltei antes do tempo. Como eu estava vindo de uma sequência muito boa de vitórias, estava muito confiante e com muita vontade de lutar, mas eu estava passando por alguns problemas pessoais e também teve a lesão no peitoral, eu não estava 100% ainda. Eu fui muito bem no primeiro round, mas fui caindo nos outros, daí acabei perdendo na decisão. Foi precipitado da minha parte voltar e espero não repetir esse erro quando voltar dessa lesão no joelho”, contou o casca-grossa.

Confira a entrevista completa com Antônio Cara de Sapato: 

– Período de lesões e processo de recuperação

Desde 2018, eu venho passando por algumas lesões. Primeiro foi no peitoral, onde rompi a musculatura, e agora o ligamento cruzado anterior do joelho. Foram tempos bem difíceis, não só pelas lesões, mas também por algumas questões pessoais, que acho que até influenciaram nessas lesões. Mas, graças a Deus, tenho me sentido bem melhor, estou voltando aos poucos dessa lesão no joelho. O processo total são de 6 a 8 meses para estar 100% apto a iniciar um camp de treinamento. Eu pretendo voltar o quanto antes, meu processo está bem acelerado, meu fisioterapeuta está bem animado com minha recuperação e evolução. Queria muito fazer uma luta esse ano, para não passar 2020 em branco, então acredito que final do ano seria uma boa estimativa para voltar.

– Planos para voltar a lutar e retorno aos treinos 

Pretendo lutar no final do ano, mas tudo vai depender da lesão e da minha evolução nos treinamentos. Dessa vez, eu não penso em acelerar, assim como fiz na minha luta contra o Ian Heinisch, onde quis acelerar o processo e paguei por isso. Quero voltar tranquilo, treinar bem e poder lutar, e não chegar no cage ‘mais ou menos’ e ter outro resultado negativo. Já estou conseguindo fazer algumas atividades, mas não estou conseguindo fazer tudo. A parte de grappling ainda é muito difícil para mim, porque envolve muita movimentação na região do joelho, e ainda estou muito limitado nisso. Não estou podendo fazer porque tem um protocolo de recuperação que preciso seguir. Mas já estou treinando Boxe, comecei a dar uns chutes mais leves. Vamos aproveitar e focar nessa parte, mas estou feliz de já estar praticando a parte do striking e também da preparação física e fortalecimento de perna. Como aqui nos EUA a vida já está um pouco mais normal, eu já estou treinando na American Top Team, já que a academia foi liberada para os atletas profissionais.

– Pandemia e abertura de academia na Flórida (EUA)

Para mim, na realidade, (a pandemia do coronavírus) não atrasou muita coisa, porque eu já teria que estar parado por conta da cirurgia no joelho. Eu já não poderia estar treinando, de qualquer forma. Estou tocando alguns projetos pessoais durante esse período, estou abrindo uma academia na Flórida. Aproveitei para resolver toda essa questão e acredito que, em agosto, vai ter a abertura oficial da academia e estou muito feliz com isso, era um grande sonho que eu tinha.

– Lições tiradas com as derrotas para Ian Heinisch e Uriah Hall

Me precipitei um pouco para a luta contra o Ian Heinisch, voltei antes do tempo. Como eu estava vindo de uma sequência muito boa de vitórias, estava muito confiante e com muita vontade de lutar, mas eu estava passando por alguns problemas pessoais e também teve a lesão no peitoral, eu não estava 100% ainda. Eu fui muito bem no primeiro round, mas fui caindo nos outros, daí acabei perdendo na decisão. Foi precipitado da minha parte voltar e espero não repetir esse erro quando voltar dessa lesão no joelho.

Sobre a luta contra o Uriah Hall, eu ainda acho que venci o combate, várias pessoas também acharam isso, o próprio Hall ficou surpreso quando deram a vitória para ele. Infelizmente, não temos como recorrer, não tem o que fazer. Essas duas lutas me ensinaram muito, questão de maturidade mesmo, acho que dei mole de ter voltado antes do tempo e paguei por isso (contra o Heinisch), e contra o Hall, foi uma luta muito dura. Acho que nunca tinha feito uma luta tão dura, saí até com o nariz quebrado. Me fez amadurecer bastante e mostrou o quanto tenho capacidade de passar por momentos difíceis na luta e voltar.

– Como você analisa sua situação na categoria peso-médio?

Não sei como vai ficar. Eu tinha luta marcada contra o Brad Tavares e ele, assim como eu, ainda é Top 15 da categoria. Coincidentemente, ele também passou por cirurgia e também vem de duas derrotas, então acho que seria uma luta interessante a ser feita, assim que retornarmos. Estou em 14º no ranking, mas acredito que os adversários serão os mesmos de antes, já estou analisando alguns deles e sei que assim que voltar, com resultados positivos, a gente vai chegar na cabeça da categoria.

– Eventos do UFC na ‘ilha da luta’ e pedido de luta contra Brad Tavares

Quando eu voltar, eu não sei se ainda estarão fazendo os eventos nessa ilha da luta. Eu, na realidade, prefiro lutar um pouco mais perto de casa. Eu lembro que já lutei na Austrália e é bem desgastante para a gente, principalmente para quem perde muito peso, como eu. Não sei o que vai acontecer, acho que só luto no final do ano. Espero que, até lá, as coisas voltem ao normal sobre essa questão da Covid-19 e que eu lute já com torcida no ginásio. Eu luto onde for preciso, mas espero que as coisas voltem ao normal, e como falei antes, eu quero muito lutar contra o Brad Tavares, que é um cara que está numa condição bem parecida com a minha, é um cara duro também. Seria uma excelente luta. Admiro bastante o trabalho dele e seria um duelo de estilos.

* Por Mateus Machado 

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