Ex-alunas da De La Riva acusam equipe de ‘machismo’ após fim das aulas mistas; academia responde com ‘mal-entendido’

Publicado em 30/06/2020 por: Yago Redua
Ex-alunas da De La Riva acusam equipe de ‘machismo’ após fim das aulas mistas; academia responde com ‘mal-entendido’ Equipe liderada pelo Mestre Ricardo De La Riva se vê no meio de polêmica (Foto divulgação)

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* Uma das mais tradicionais escolas de Jiu-Jitsu do Brasil, a De La Riva, que tem sua matriz em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, e é liderada pelo mestre Ricardo De La Riva, se viu diante de uma grande polêmica nos últimos dias. Mulheres que treinavam na academia alegam que foram “expulsas” sem nenhum motivo e informadas apenas de que a não haveria continuidade das aulas mistas (com e sem quimono).

A faixa-azul Magali Ferreira Gomes, então, resolveu usar o Instagram para desabafar, tornando o caso público. Em conversa com a TATAME, a lutadora contou que o comunicado da academia se deu através de uma reunião na plataforma Zoom e, depois, em uma mensagem através do WhatsApp (confira abaixo).

“Nós fomos notificadas por uma reunião no Zoom, mas eu não estava na reunião. Depois, nós fomos notificadas por uma mensagem de texto no WhatsApp. Dessa forma que nós fomos notificadas de que não teriam mais aulas femininas e nem turmas mistas”, disse Magali, que já treinava há um ano e sete meses.

Comunicado sobre a decisão de encerrar as aulas femininas (Foto reprodução)

Já a faixa-preta Sabrina Savi reclamou da falta de esclarecimento por parte da equipe ao informar a decisão do fim das aulas mistas: “Foi uma mensagem por WhatsApp fria, estritamente comercial, sem qualquer justificativa. A mensagem não mencionou que estariam à disposição para maiores esclarecimentos, apenas para que eu buscasse o reembolso do que eu já havia pago por aulas que eu não mais teria à disposição”.

Ao todo, cerca de 15 mulheres faziam parte do quadro de alunos da equipe De La Riva em Copacabana, Rio de Janeiro. As atletas contaram à reportagem que sempre foram tratadas com “respeito” dentro da academia, mas a faixa-azul Magali viu toda a situação atual como um caso de “extremo machismo”.

“Eu nunca sofri machismo na academia, pelo menos não na De La Riva. Eu treinei um tempo na Carlson Gracie e um faixa-roxa tentou me beijar no meio do treino, mas foi resolvido na academia. Mas na De La Riva eu nunca tinha sofrido nenhum tipo de machismo antes desse, né. Porque isso é um extremo machismo que aconteceu com todas nós, é uma demonstração do machismo”, desabafou a atleta.

Praticamente de Jiu-Jitsu desde 2002, Sabrina iniciou sua jornada na De La Riva em setembro em 2019 e disse que estava “satisfeita” com o que vinha evoluindo nos treinos: “Escolhi essa academia quando me mudei para o Rio de Janeiro por causa do excelente nível técnico do professor (Ricardo) De La Riva. E fui super bem recebida por todos, me sentia bem confortável e estava aprendendo muito ali, ou seja, minhas expectativas foram super satisfeitas”, contou Savi sobre sua experiência de quase nove meses na equipe.

As duas atletas disseram que vão prosseguir no Jiu-Jitsu e planejam ir juntas para uma outra equipe.

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NÃO FICAREI CALADA ! Hoje venho aqui com muita tristeza e me sentindo muito desrespeitada como mulher . Nós mulheres lutamos duro par termos um lugar na luta , lutamos muitos para chegarmos ao tatame , para chegarmos em uma competição e sermos respeitadas . Eu luto faz 3 ano e meio , e eu passei por muitas coisas no tatame (obvio que não mais que diversas faixas pretas mas estou falando da minha vivência ) Entrei na Carlson Gracie e lá sempre , sempre fui respeitada , sai de lá e fui treinar com a Michelle na Kimura e lá aprendi muito muito muito com essa MULHER FODA , depois disso não pude treinar com ela por conta de horários e fui para o Delariva , onde peguei minha faixa azul , a qual me esforcei muito muito muito não só nos treinos , mas nas mensalidades , nas inscrições das lutas , para comprar kimonos , pq tudo veio do meu trabalho e etc… Todos os dias treinava de 16:30 até ás 22;00 , treinos e mais treinos , mensalidades caríssimas , kimonos caríssimos , lutas caríssimas e dias de trabalho duro meu , faria tudo de novo e irei fazer se necessário é pelo meu sonho ! Sou um menina , uma mulher que tem o direito de treinar , e ´´Expulsar “ todas as mulheres de uma academia por SEREM MULHERES e sem um mínimo de explicação é uma falta de respeito com a historia de cada uma ali. Nós mulheres lutamos muito para podermos treinar e sermos expulsas de uma academia por sermos mulher é algo de extrema vergonha para essa arte que engloba diversas mulheres pelo mundo ! Onde não me querem e onde não querem minhas companheiras de treino não estou. E isso só mostra o quanto ainda existe o sexismo no jiu-jitsu. Somos mulheres e se vamos á alguma academia para treinarmos a arte é porque amamos e não para ficarmos ´´ nos agarrando “ treinamos e merecemos RESPEITO ! E não tenho problema algum de perder seguidores que apoiam esse tipo de atitude ,espero mesmo que pessoas machistas se retirem , pois MACHISTAS NÃO PASSARÃO! #jiujitsuparamulheres #jiujitsuparatodos

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Academia De La Riva diz que foi ‘mal-entendido’

Para entender os dois lados da história, a TATAME procurou Ana Beatriz Mountary Pimenta, advogada da equipe De La Riva e do Mestre Ricardo. A declaração se deu por meio de uma nota oficial, dizendo que tudo foi um “enorme mal-entendido” e que as declarações das ex-alunas nas redes sociais “não condizem com a verdade”. O texto diz ainda que a escola De La Riva vem sofrendo uma “reestruturação” para melhorar a didática das turmas femininas e que a mensagem enviada através do WhatsApp para as alunas, anunciando o fim das turmas mistas, foi “vazada” por membros administrativos da academia, sem autorização.

“Trata-se de uma mensagem trocada entre duas pessoas da área administrativa da escola, mas que não representa o posicionamento da escola. A mensagem estava em análise pelo corpo técnico e jurídico e foi vazada. É importante que se frise que a mensagem nunca foi aprovada! Inclusive, foi rechaçada de pronto pelo Mestre De La Riva. Reiteramos que as aulas mistas não estão proibidas. E, o que há de novo na formatação da escola e das aulas, é nada além de projetos que visam o aprimoramento de todos os alunos”.

Confira a nota da equipe De La Riva na íntegra:

“Na verdade, isso foi um enorme mal-entendido em que a aluna se precipitou em fazer declarações que não condizem com a verdade. A Escola De La Riva jamais convidaria qualquer um de seus atletas a se retirar da equipe, ressalvadas, claro, justas causas não condizentes com o fair play, boa conduta e outras questões que ferem o esporte como um todo.

De fato, a Escola De La Riva está passando por uma enorme reestruturação, que já vinha em curso antes da pandemia e que teve que ser agilizada pelos novos protocolos de abertura e retomada das atividades. Tal reestruturação visa a modificação de horários, didática e professores para as turmas infantis e femininas. A intenção é aprimorar as aulas que já aconteciam.

A Escola, na verdade, e ao contrário do que se está sendo dito, está criando um espaço acolhedor e focado 100% no empoderamento, protagonismo e valorização da mulher no tatame. E, por conta disso, está buscando as melhores profissionais da área para ministrar aulas de Jiu-Jitsu para turmas femininas, modificando horários para que se tornem mais acessíveis.

O intuito é estimular ainda mais o público feminino a conhecer o esporte e a fazer parte da equipe, agregando conhecimento e experiências, em um ambiente seguro e respeitoso.

A postagem e qualquer menção diferente disso não procedem. São inverdades que vão de encontro a toda união, ética e igualdade que sempre se prezou e praticou nos tatame da De La Riva.

Trata-se de uma mensagem trocada entre duas pessoas da área administrativa da escola, mas que não representa o posicionamento da escola. A mensagem estava em análise pelo corpo técnico e jurídico e foi vazada. É importante que se frise que a mensagem nunca foi aprovada! Inclusive, foi rechaçada de pronto pelo Mestre De La Riva. Reiteramos que as aulas mistas não estão proibidas. E, o que há de novo na formatação da escola e de suas aulas, é nada além de projetos que visam o aprimoramento de todos os alunos”.

* Por Yago Rédua

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