Faixa-marrom da GFTeam, Léo Saci supera câncer e perna amputada para vencer no Parajiu-Jitsu: ‘Quero servir de inspiração’

Publicado em 18/06/2020 por: Diogo Santarém
Faixa-marrom da GFTeam, Léo Saci supera câncer e perna amputada para vencer no Parajiu-Jitsu: ‘Quero servir de inspiração’ Léo Saci quer ser referência no Jiu-Jitsu e servir de inspiração (Foto reprodução Instagram)

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* Hoje aos 21 anos, Leonardo Ruan de Almeida Barboza, o “Léo Saci”, já pode se considerar um vencedor na vida. Porém, se engana quem pensa que o carioca está satisfeito com os objetivos alcançados até agora. Faixa-marrom de Jiu-Jitsu, Leonardo enfrentou sua maior batalha aos 16 anos, quando “finalizou” um câncer ósseo para seguir escrevendo sua história na arte suave.

Em entrevista à TATAME, o paratleta relembrou o momento difícil – que culminou na amputação de uma das suas pernas – e contou como deu a volta por cima até se tornar competidor, além de instrutor na filial da GFTeam no Centro do Rio de Janeiro, liderada pelo professor e faixa-preta Luiz Fernando Batista.

“Quando eu descobri o câncer não foi algo tão difícil, porque eu era muito novo, então via a doença só como algo que fazia cair o cabelo… Como se mostra na televisão. Eu não fazia ideia do quão grave é a doença, mas isso tudo virou um furacão quando eu descobri que teria que amputar uma perna. Ali eu pensei que tudo estaria acabado pra mim, até porque no momento eu planejava migrar para o MMA. Mas apegado à minha fé, não desanimei e persisti”, afirmou Léo Saci, que já praticava Jiu-Jitsu antes da cirurgia e contou com uma ajuda especial de dois soldados da UPP do Caju – através de um projeto social – para retornar aos treinos.

“Voltar foi um dos momentos mais difíceis, mas também um dos melhores da minha vida. Até me readaptar, eu apanhei demais, não conseguia fazer as coisas como antes e pensei em desistir. Felizmente, na época eu tinha dois ótimos professores, os soldados Lander e Amaral, que me motivaram bastante, não me deixaram desistir. Logo depois recebi um convite da GFTeam, onde também recebo todo suporte e motivação”.

O jovem faixa-marrom também destacou outra ajuda fundamental em sua caminhada, a de Pablo Mello, que é Assessor Especial da Prefeitura do Rio de Janeiro, além de sanitarista, obstetra e enfermeiro. “O Pablo foi uma das pessoas que mais ajudou no momento mais difícil da minha vida, fora que me ajuda até hoje, sempre apoiando e olhando pelo bairro onde nasci e cresci. É uma ótima pessoa, de coração enorme”.

Pablo Mello (terceiro de branco em pé, da direita para esquerda) ao lado de Léo (Foto divulgação)

Retorno às competições e maior sonho

Quando voltou a competir, Léo Saci participou de torneios tradicionais de arte suave até descobrir o Parajiu-Jitsu, modalidade voltada para pessoas com deficiência e que ganha cada vez mais adeptos mundo afora, principalmente por conta do grande trabalho que vem sendo realizado pela UAEJJF (atual AJP).

“Eu retornei em torneios convencionais, até que uma pessoa com deficiência me contou do Parajiu-Jitsu, que estava se fortalecendo através da Federação Brasileira de Jiu-Jitsu Paradesportivo (FBJJP) e da UAEJJF. Com o suporte de pessoas da minha academia, conseguir participar da competição seguinte, em Brasília. Lá foi bem difícil, tomei uma surra, mas foi uma experiência ótima (risos). Depois, fui conseguindo lutar com mais frequência e tive uma das melhores surpresas da minha vida quando a FBJJP escolheu oito pessoas para presentear com próteses e cadeiras, e eu fui uma das sorteadas. Ali eu vi que eles trabalham mesmo pela causa, não por motivação ou pena, e sim para dar oportunidade aos paratletas”, disse Leonardo.

O lutador ainda comparou a prática do Jiu-Jitsu tradicional e do Parajiu-Jitsu, citando que a maior diferença, na sua opinião, é a falta de valorização dos paratletas, e falou sobre o seu grande sonho na arte suave.

“Na verdade, é quase tudo igual, menos o valor dos atletas. Nós, paratletas, temos uma dificuldade maior sim, não posso negar isso: são cadeira de rodas, muletas, próteses, tudo isso com malas pesadas. Porém, o nosso valor no esporte não é o mesmo. Mesmo ganhando títulos, não somos reconhecidos como as pessoas que tem um nome consagrado. Não somos tão bem patrocinados, mas fora isso é tudo igual. No tatame, são duas pessoas lutando pelo mesmo objetivo”, opinou Léo, antes de concluir.

“Meu maior sonho é crescer dentro do esporte. Se Deus quiser, conquistar a faixa coral, muitos títulos e alunos. Não costumo colocar metas próximas, porque quando você alcança ela, relaxa. Sei que sirvo de inspiração mesmo sem pedir, e fico muito feliz de poder ajudar alguém que as vezes eu nem conheço”.

* Por Diogo Santarém

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