* Com apenas 25 anos e invicto no MMA, com cinco vitórias contabilizadas, Carlos “Tizil” deu o que falar em sua estreia pelo evento LFA, em novembro do ano passado, quando precisou de apenas 36 segundos para nocautear George Martinez na edição 79 da franquia – considerada uma das principais do esporte na atualidade. Com o triunfo, o brasileiro despontou como um dos principais atletas da categoria peso mosca e, em breve, não seria surpresa vê-lo no plantel do UFC.

Enquanto aguarda os próximos passos da sua carreira, Tizil vem aproveitando o período da quarentena causado pelo novo coronavírus para aperfeiçoar ainda mais o seu jogo. Em entrevista à TATAME, o casca-grossa contou que vem mantendo seus treinos em dia, mesmo ainda sem ter luta marcada pelo LFA.

“No início (da quarentena), a gente deu uma segurada para ver como as coisas iam ficar. Mas depois, voltamos aos treinos normalmente. Sinto que estou evoluindo muito nesse período com o trabalho que venho fazendo com meu professor Chicão Bueno. O trabalho que faço com ele, que já ocorre há muito tempo, toda a metodologia que ele emprega, me forjou para poder passar bem por esse momento de pandemia e poder evoluir ainda mais o meu jogo, já que não tenho luta marcada. Estou mais forte do que antes, em todos os sentidos. O Chicão me passa uma confiança muito grande, ele tem uma didática excelente, então isso fez com que eu me tornasse um lutador melhor, mas não vai parar por aí. Ainda tenho muito a aprender e evoluir”, destacou o jovem, que relembrou sua estreia pelo LFA e projetou o futuro.

“A minha estreia no LFA foi muito boa, nocauteei em 36 segundos. A gente tinha treinado bastante o chute, porque sabíamos que o adversário jogava com a guarda alta, e meu treinador me preparou na distância, na base, para poder soltar o golpe sem receber outro de surpresa. No dia da luta, eu falei que o chute iria pegar, e pegou. É difícil ver um peso-mosca nocautear em 36 segundos, e isso foi muito bom pra mim, um belo cartão de visitas. Agora, eles comentaram que eu poderia disputar o cinturão, mas essa pandemia impediu, porque não posso entrar nos EUA estando no Brasil. Terei que esperar um pouco, mas meu pensamento é um só. Fazer meu trabalho e estar preparado para o que vier, sendo uma disputa de título ou não. As pessoas vão conhecer ainda mais o meu trabalho na minha próxima luta e vai ser mais um degrau para chegar ao UFC”, disse, falando também sobre a possibilidade de migrar para o Ultimate.

“Eu e meu treinador pensamos no presente, luta a luta. Meu presente é no LFA, mas estamos prontos para chegar bem ao UFC, se for o momento. Estou muito bem nos treinamentos, fazendo um trabalho excelente com o Chicão Bueno. Na minha próxima luta, muita gente vai ver o quanto evoluí. É questão de tempo, fazer mais uma luta, fazer barulho. Já provei isso na minha estreia, nocauteando em 36 segundos um adversário que estava vindo de uma sequência de vitórias. Meu currículo conta muito, estou invicto e já peguei muita pedreira. Vou fortalecer meu trabalho, sem pressão, para quando for a hora, chegar no UFC com o pé direito. Não vou ser mais um lá. Na humildade, estou me forjando para ser excepcional”.

Ex-lutador e atualmente treinador e grande responsável pela evolução de Carlos Tizil, Chicão Bueno também falou sobre a evolução do seu pupilo durante o período da quarentena, ressaltando que o tempo sem lutas e preparação para duelos foi essencial para trabalhar áreas importantes no jogo do jovem atleta.

“O garoto só evoluiu nessa quarentena. A gente pôde acertar, de forma cirúrgica, alguns pontos que eu estava querendo, e no dia a dia, nessa rotina de camp, preparação para lutas, não tínhamos tempo para isso. O trabalho agora está no dia a dia, no encaixe do Boxe dele, Wrestling e parte de chão. Estamos trabalhando em todos os sentidos, fisicamente, psicologicamente, a respiração, até mesmo uns movimentos de Yoga, ginástica natural. Ele nunca esteve tão bem”, elogiou Chicão, antes de completar:

“Estamos negociando com o LFA. A princípio, ele disputaria o cinturão, mas por conta da pandemia, tem essa proibição da entrada de brasileiros nos EUA. Mas é isso, faz parte, as coisas vão acontecer na hora certa. Ele confia no trabalho, confia nele, então está tranquilo, sem ansiedade. Estamos esperando a fronteira abrir, já marcaram uma disputa de cinturão no peso mosca, conhecemos os dois lutadores que vão disputar o título. A gente espera que a próxima luta dele seja em julho, e aí o passaporte dele vai estar carimbado para o UFC. Também existe uma ‘rivalidade saudável’ dele com o Brandon Rivera, que lutou no mesmo card e inclusive é parceiro de treino do atleta que o Carlos enfrentou. O Rivera foi campeão do LFA e já está no UFC, ganhou até bônus na estreia. Semanalmente, está rolando uma provocação entre eles nas redes sociais, então isso é legal, porque é saudável. Vamos esperar que o UFC, provavelmente, marque esse duelo”, finalizou.

* Por Mateus Machado