Gurgel escreve artigo sobre a importância da Defesa Pessoal no Jiu-Jitsu e diz: ‘Não se trata de uma rixa old school x new school’

Publicado em 20/07/2020 por: Yago Redua
Gurgel escreve artigo sobre a importância da Defesa Pessoal no Jiu-Jitsu e diz: ‘Não se trata de uma rixa old school x new school’ Fábio Gurgel comentou sobre a importância da Defesa Pessoal no Jiu-Jitsu (Foto reprodução/ Instagram)

publicidade

Fábio Gurgel, nome respeitado dentro do Jiu-Jitsu, escreveu em seu site sobre a importância da Defesa Pessoal na arte suave. O “General” da Alliance citou os pontos importantes para este debate e afirmou que, na sua opinião, não é uma situação de “old school x new school”.

O faixa-preta também pontuou que a expansão do Jiu-Jitsu competitivo não pode diminuir o valor da Defesa Pessoal para a modalidade: “Com a expansão do Jiu Jitsu como esporte e o grande enfoque dado ao cenário competitivo, o desenvolvimento e aprimoramento técnico seguem em ritmo acelerado e o esporte cresce exponencialmente. Porém, nota-se que cada vez mais faixas-preta são formados e atuam nos níveis de elite do esporte, sem terem em seu currículo a formação de Defesa Pessoal, que é a base de toda a construção do que praticamos, inclusive nas competições disputas hoje em dia”, escreveu Gurgel.

Confira abaixo o texto na íntegra:

O surgimento das técnicas que acabaram por formar o que praticamos e estudamos nos tatames, se deu na Índia e foi realizado por monges budistas. Preocupados com a autodefesa e por não poderem utilizar armas pelos princípios de sua religião, os monges desenvolveram um sistema de técnicas baseado no equilíbrio, nas articulações do corpo e em alavancas, evitando o uso de força.

Com a expansão do budismo, o Jiu-Jitsu percorreu o sudeste asiático, a China e então chegou ao Japão, onde foi aperfeiçoado e popularizado. A partir do século XIX, alguns mestres migraram para outros continentes com o objetivo de ensinar sua arte e desafiar praticantes de outras artes marciais.

Esai Maeda Koma (também conhecido por Conde Koma), um célebre instrutor japonês, chegou ao Brasil em 1915 e fixou-se em Belém. Foi então que conheceu Gastão Gracie, que se tornou um entusiasta do Jiu Jitsu e levou seu filho mais velho, Carlos, para aprender as técnicas do professor japonês. Em 1925, Carlos fundaria a primeira academia Gracie, onde seguiria aperfeiçoando a arte e transmitindo seu conhecimento a seus irmãos.

As inovações técnicas e extrema eficiência no uso de alavancas para vencer oponentes em sua grande maioria mais fortes e pesados, trouxeram notoriedade para a família, que seguiria em sua jornada de aprimoramento e disseminação do Jiu-Jitsu e produziria gerações de grandes lutadores. O Jiu-Jitsu se espalhou pelo mundo, atingindo proporções antes não imaginadas, sendo lapidado e explorado por milhares de praticantes.

VOLTANDO AO BÁSICO

O motivo pelo qual eu trouxe de forma breve a história da nossa arte à tona, é levantar um tema que acredito ser de extrema relevância para nosso esporte no momento: a importância da defesa pessoal para o Jiu-Jitsu. A arte suave é, por definição, uma arte marcial. Ou seja, tem como principal objetivo, possibilitar a defesa pessoal em uma situação de risco, sem regras. O termo hoje contempla várias vertentes, e as artes marciais são utilizadas em diversos âmbitos, notoriamente o esportivo, visando aprimoramento físico e mental. No entanto, é importante estarmos conectados com nossas raízes para que o crescimento seja sustentável.

Com a expansão do Jiu Jitsu como esporte e o grande enfoque dado ao cenário competitivo, o desenvolvimento e aprimoramento técnico seguem em ritmo acelerado e o esporte cresce exponencialmente. Porém, nota-se que cada vez mais faixas-pretas são formados e atuam nos níveis de elite do esporte, sem terem em seu currículo a formação de defesa pessoal que é a base de toda a construção do que praticamos, inclusive nas competições.

“O Jiu-Jitsu que criei foi para dar chance aos mais fracos enfrentarem os mais pesados e fortes. E fez tanto sucesso, que resolveram fazer um Jiu-Jitsu de competição”, HÉLIO GRACIE.

NÃO É PAPO DE “OLD SCHOOL”

Quando essa discussão é levantada, é muito comum que devido à variedade de técnicas avançadas que são desenvolvidas e aprimoradas a cada dia, a necessidade de se ensinar o sistema de defesa pessoal seja questionada. Mas é importante ressaltar, que não se trata de uma rixa old school x new school. A importância da defesa pessoal para o Jiu-Jitsu vai muito além de uma questão técnica.

Obviamente, um atleta de alto rendimento e com uma boa proficiência técnica, será capaz de se defender em uma situação de agressão. Porém, nosso olhar sob essa questão precisa ser mais amplo. Quando pensamos na trajetória de um aluno desde o início, a metodologia de defesa pessoal é de extrema importância para que esse praticante possa ser introduzido à complexidade do Jiu-Jitsu de uma forma estruturada e clara.

Transmitir para um iniciante como ele pode se defender de uma agressão óbvia e simples como um tapa, é muito mais simples e esclarecedor do que tentar fazê-lo executar uma raspagem, por exemplo. Dessa forma, começamos a tirar o aluno do processo instintivo e trazê-lo para o processo técnico e racional. A partir do ensinamento dos conceitos básicos de defesa pessoal de forma estruturada, a imersão do aluno em todo o universo que engloba o Jiu-Jitsu acontecerá de forma mais orgânica, segura e eficiente.

O Jiu-Jitsu se torna então, mais inclusivo. Aquele praticante que não está em sua plena forma física ou ainda se sente inseguro em relação a praticar uma arte marcial, poderá ser introduzido através de um processo que será de fácil compreensão e execução.

EQUILÍBRIO É A CHAVE

Como é de conhecimento de todos, sou um dos principais adeptos à evolução e crescimento do Jiu-Jitsu. E, sem dúvida, a competição é a grande vitrine para que isso seja possível. A diversidade de competições, nível técnico e preparo físico impressionantes dos atletas desde as faixas de base, vem impulsionando o esporte em proporções astronômicas. Mas é essencial compreender que há uma imensidão além dessa vitrine.

Mais que uma tradição, os conceitos que permitiram o desenvolvimento do Jiu-Jitsu como arte marcial e o foco em eficiência técnica, são os elementos que o tornam único e possível de ser aprendido, praticado e desfrutado por qualquer um.

JIU JITSU PARA TODOS

Mais que uma declaração sobre a importância da defesa pessoal para o Jiu Jitsu, esse texto vem como uma reflexão. De que devemos seguir em frente, mas valorizando nossa história. Dessa forma, conseguiremos seguir no caminho de construção e ampliação de um Jiu-Jitsu que seja uma ferramenta de aprimoramento, auto conhecimento

Veja também

publicidade

Mais lidas

publicidade

Newsletter

Assine nossa Newsletter e receba notícias e novidades em primeira mão

publicidade