A faixa-preta está ‘banalizada’ no sistema de graduação? Alexandre Baraúna e seguidores da TATAME opinam sobre

Publicado em 25/08/2020 por: Mateus Machado
A faixa-preta está ‘banalizada’ no sistema de graduação? Alexandre Baraúna e seguidores da TATAME opinam sobre Alexandre Baraúna (à dir) é professor da GFTeam e compete no master (Foto reprodução Instagram @baraunajj)

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* Ao longo dos anos, alguns assuntos passaram a ganhar destaque no universo do Jiu-Jitsu e um deles, sem dúvida, gira em torno da seguinte pergunta: a faixa-preta está banalizada ou não dentro do processo de graduação da arte suave? Sempre que o tema é colocado em pauta, diversos atletas e professores se posicionam, emitindo opiniões onde afirmam que a banalização está presente nos dias atuais, enquanto outros alegam que, apesar do esporte estar cada vez mais global, o processo de graduação ainda é respeitado em grande parte das academias.

Para trazer o debate à tona mais uma vez, a TATAME, através de suas redes sociais, lançou uma publicação para saber a opinião dos seguidores a respeito do assunto. Além disso, nossa reportagem pediu o depoimento do faixa-preta  Alexandre Baraúna, um dos principais professores da renomada equipe GFTeam – tendo sua própria academia, o Centro de Treinamento Vista Alegre – GFTeam, no Rio de Janeiro.

“Acredito que não existe uma banalização no processo de graduação à faixa-preta. É sabido por todos nós que hoje, em virtude das redes sociais, a gente acompanha alguns processos que não achamos certo, mas eu acho que esse percentual é insignificante para afirmarmos que o processo está sendo banalizado. Eu tenho uma máxima comigo: existe o mau policial, como existe o bom policial, e na nossa profissão, a de professor de artes marciais, não poderia ser diferente. Também vai existir esse cara que toma algumas atitudes que não condizem com aquilo que a gente acha certo e profissional, mas eu não vou ser extremista em falar que está sendo banalizado, porque conheço muita gente boa, que trabalha de forma séria”, disse.

Na opinião de Baraúna, para evitar que tais questionamentos surjam, tornando o tema ainda mais polêmico, os professores precisam criar um processo de “padronização” em suas respectivas equipes, como explicou:

“Em consequência dessa globalização do Jiu-Jitsu, hoje nós temos turmas heterogêneas, com pessoas de perfis e objetivos distintos, muitas vezes numa mesma turma. Na prática do Jiu-Jitsu, em uma mesma turma, você tem um menino que sonha em ser campeão mundial de Jiu-Jitsu, e um executivo, que faz o esporte por hobby, qualidade de vida, e você precisa ter estratégia para conduzir aquele grupo e, ao mesmo tempo, você faz um processo de avaliação, um plano de carreira. Tem outras máximas que não se pode abandonar: o tempo de prática de Jiu-Jitsu, a frequência nas aulas e o conhecimento técnico. É inadmissível você passar alguém de uma faixa para outra somente pelo tempo. Eu nunca dei faixa para ninguém, não dou faixa nem para a minha filha. Hoje, com o advento da tecnologia, algumas ferramentas se apresentam e isso facilita o seu modelo e protocolo de graduação. Na GFTeam, nós temos um curso de capacitação, onde a gente sugere aos profissionais que fazem parte do nosso grupo uma metodologia, para que todos sigam um padrão, para que a coisa não fique tão solta. Com isso, a gente está notando que os processos de graduação e avaliação estão ficando mais ‘uniformes’, tornando os nossos alunos mais capacitados e prontos”, concluiu.

Confira algumas opiniões dos seguidores da TATAME:

“Critérios de graduação são exclusivos de cada professor, e absolutamente ninguém tem o direito de julgar. Cada escola usa uma metodologia, e cada um cuida do que realmente é importante para seu time. Um faixa-preta é graduado por outro faixa-preta, e quem tem que se meter nisso?”. (Márcio de Deus, líder da TMD)

“Sou competidor e almejo chegar na faixa preta em nível competitivo, então não posso querer e devo entender que o meu parâmetro de graduação não será o mesmo usado para graduar outros praticantes que usam o Jiu-Jitsu como um esporte que vai proporcionar melhora da qualidade de vida ou quem pratica com outra finalidade. Todos devem ser respeitados como faixas-preta legítimos. Alguns almejam ser tornar atletas renomados e reconhecidos, enquanto outros querem ser professores ou praticantes”. (Davi Cabral)

“A faixa preta de Jiu-Jitsu nunca será banalizada. Agora, quem está preocupado com isso? Faixa só se usa no tatame, não se usa para sair na rua e tirar onda. Se eu ouvir essa frase, minha primeira pergunta vai ser: ‘Por que isso te incomoda?’ Um ponto que precisa ser entendido é que, se existem muitos faixas-preta hoje, é pelo fato de que muitos praticantes estão chegando lá, não estão desistindo na faixa azul. Se você sabe o faixa-preta que é, isso nunca vai te incomodar”. (Viktor Doria)

“Sinceramente, com a expansão do Jiu-Jitsu e a visão comercial das grandes equipes, a faixa preta está MUITO mais acessível, sim! Hoje a visão é muito comercial, e isso não para de crescer, hoje existe o cumprir currículo, está tudo muito automático. Consequentemente, quem quer qualidade e conhecimento, tem que correr atrás para fazer a diferença. Quando eu peguei a faixa azul, em 1997, era mais valioso do que pegar a preta hoje em dia. Era uma conquista que requeria bastante mérito”. (Alessandro Tavares)

* Por Mateus Machado

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