Ariane Lipski celebra boa fase no UFC, explica ‘ligação’ com a Polônia e pede mais reconhecimento dos fãs brasileiros

Publicado em 03/08/2020 por: Mateus Machado
Ariane Lipski celebra boa fase no UFC, explica ‘ligação’ com a Polônia e pede mais reconhecimento dos fãs brasileiros Ariane Lipski vem embalada por duas vitórias consecutivas no UFC (Foto reprodução Instagram @arianelipski)

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* Com apenas 26 anos, Ariane Lipski já tem experiência de sobra no MMA. Aos 21, ela chegou no renomado evento polonês KSW e, aos 23, se tornou campeã da companhia. Com o sucesso na Polônia, não demorou para que a brasileira atraísse os olhares do UFC, e sua ida para a maior organização de MMA do mundo ocorreu em 2019. O início no Ultimate, entretanto, não foi fácil, com duas derrotas seguidas, para Joanne Calderwood e Molly McCann. A recuperação veio ainda no ano passado, mais precisamente em novembro, quando Lipski derrotou a compatriota Isabela de Pádua por decisão unânime no UFC São Paulo.

Já no último dia 18 de julho, com uma atuação de gala na “ilha da luta”, em Abu Dhabi, a “Rainha da Violência” reviveu suas vitórias emblemáticas do período de KSW e, em pouco mais de um minuto, finalizou Luana Dread com uma rara chave de joelho reta, emplacando sua segunda vitória consecutiva no UFC. Animada com o bom momento vivido em sua carreira, a curitibana quer mais. Ex-campeã do KSW, Ariane sonha também com o cinturão peso-mosca do Ultimate para se estabelecer de vez no MMA feminino.

“Nosso objetivo maior é o cinturão, é buscar a melhor posição possível. O meu treinador (Renato Silva) traçou uma meta de carreira pra mim e tudo tem acontecido do jeito que ele falou e planejou. Me vejo como campeã do UFC daqui a alguns anos, defendendo meu título, fazendo história e quebrando recordes. Tenho 26 anos e quero lutar por muitos anos ainda. O céu é o limite, quero evoluir muito e alcançar as melhores posições dentro do UFC”, projetou a lutadora em entrevista exclusiva à TATAME.

Com um cartel de 13 triunfos e cinco derrotas no MMA profissional, Lipski também falou sobre sua evolução no MMA, planos para a sequência da carreira, sua passagem vitoriosa pelo evento KSW, a ligação com a Polônia e os fãs poloneses, além da busca por um maior reconhecimento entre os torcedores brasileiros.

Confira a entrevista com Ariane Lipski na íntegra: 

– Vitória rápida contra Luana Dread

Graças a Deus, deu tudo certo nessa luta, foi bem como a gente tinha planejado. Eu ia entrar para acabar com a luta no primeiro round, o mais rápido que eu conseguisse. Eu estava esperando o nocaute, mas como aconteceu de a luta ir para o chão, eu também imaginei que poderia finalizar, então foi tudo como planejamos. Se fosse até o final (dos três rounds), eu também estaria bem preparada, mas a gente estava tão confiante no nosso treinamento, que acreditei desde o início que poderia vencer no primeiro round.

– Evolução constante nas últimas lutas 

Eu estou sempre procurando evoluir, ser uma atleta mais completa, mas isso exige tempo, não é de uma hora para outra. Eu precisava treinar mais, fazer muitas repetições para o corpo ficar automático em relação aos movimentos. Estou em uma fase muito boa, treinando bastante Jiu-Jitsu na minha equipe, Rasthai, e na Ckeckmat de Curitiba, porque desde que entrei no UFC, não parei de treinar e isso está fazendo com que eu evolua constantemente. Sou striker, oriunda da trocação e é isso que sempre vou procurar na luta, mas quero mostrar que sou uma atleta que pode vencer tanto em pé, quanto no chão, porque eu sei que a maioria das minhas adversárias tentarão colocar a luta pra baixo. E eu estarei preparada para isso.

– Planos para a sequência de 2020

Eu gosto muito de lutar. O ano passado foi muito bom por isso, porque eu consegui fazer três lutas, mesmo com o resultado negativo nas duas primeiras. Eu cresci muito, porque a gente evolui muito nos treinos e, principalmente, nas lutas. Eu queria fazer mais duas lutas esse ano, mas infelizmente, por conta da pandemia, eu só devo conseguir fazer mais uma. No ano que vem, eu já quero lutar o quanto antes.

– Foco no Top 15 do ranking peso-mosca 

Estamos de olho no ranking também, é o nosso foco. Espero fazer minha próxima luta já contra uma atleta Top 10/Top 15. Já temos alguns nomes, o UFC ofereceu algumas atletas, e em breve teremos novidades. O pensamento é luta por luta. Não quero também pegar uma atleta que está lá em cima para chegar o quanto antes (ao cinturão). O que a gente quer é chegar aos objetivos no momento certo, passo a passo, tudo no tempo adequado. O foco é entrar no Top 15, evoluir e continuar dando show para a galera.

– Passagem vitoriosa pelo evento KSW

O KSW foi muito importante pra mim. Com 21 anos, eu iniciei minha trajetória por lá, aos 23, me tornei campeã. Foi tudo muito cedo, mas eu comecei a lutar muito cedo, então foi consequência e estava pronta para todos os desafios. Foi depois dessas lutas no KSW que eu entrei no cenário mundial, e depois da luta contra a Sheila Gaff, eu tive um reconhecimento ainda maior. Na minha primeira luta pela organização, eu enfrentei uma polonesa, venci, e eles gostaram muito de mim. Quando eles viram meu sobrenome (Lipski) e falei que tenho origem polonesa por parte da família do meu pai, eles me adotaram como uma representante polonesa. Para eles, eu represento a Polônia, e isso foi muito bom e importante, com certeza pesou para a minha contratação por parte do UFC, pois tenho muitos seguidores na Europa.

 

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– Redes sociais com muitos fãs poloneses

No meu Instagram, eu tinha antes mais seguidores na Europa, nos EUA e no Brasil. Agora, que estou no UFC, tenho mais seguidores nos EUA, na Europa e depois no Brasil. Tem alguma coisa aqui no Brasil, porque não tenho tanto reconhecimento aqui (risos). Estou procurando isso cada vez mais, que me reconheçam e reconheçam meu trabalho. Eu não sei se é pelo fato de eu ser do Sul… Eu percebo que os atletas do Sul do Brasil não têm tanta mídia como os atletas de São Paulo ou do Rio de Janeiro. Mas, o que eu sei é que estou lutando por esse reconhecimento. Levo a bandeira do Brasil no mundo todo, com muito orgulho, mas eu devo muito também ao povo polonês, porque eles me adotaram, por serem fãs fiéis, mesmo depois de eu ter saído do KSW. Sou uma representante polonesa para eles e eu sinto isso também, tenho sangue polonês, então carrego a bandeira deles com muito orgulho, assim como a bandeira do Brasil.

– Falta de reconhecimento dos brasileiros

A principal diferença entre os fãs brasileiros e os fãs poloneses é eles gostarem tanto de luta, são verdadeiros apaixonados, que não ligam para o resultado. Não importa se você perde ou ganha, eles estão com você, te apoiando. Acho que falta isso para o brasileiro… Não estou generalizando, mas falo do típico fã brasileiro, que procura sempre um ídolo. A gente vê o caso do Anderson Silva, que é uma lenda, quebrou todos os recordes, mas quando perdeu, para muitos fãs brasileiros, ele já deveria se aposentar. E não, ele não perde o reconhecimento das coisas que fez apenas por uma derrota. Acho que é esse o diferencial. Não falo de todos os brasileiros, mas falta um pouco do apoio desses fãs que citei. É isso que precisa mudar. Não é fácil ser atleta aqui no Brasil. Na Polônia, o atleta tem muito apoio, patrocínios de todas as partes, aqui a gente não tem esse apoio e existem muito mais atletas. Nossa vida não está relacionada apenas aos resultados, tem muita coisa por trás disso, muito sacrifício. Quero muito mudar a visão dos fãs sobre isso.

* Por Mateus Machado

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