Coluna da Arte Suave: o processo de ajuda e precaução aos parceiros de treino que estão voltando de lesão; confira

Publicado em 21/09/2020 por: Mateus Machado
Coluna da Arte Suave: o processo de ajuda e precaução aos parceiros de treino que estão voltando de lesão; confira Em seu novo artigo, o professor Luiz Dias fala sobre o retorno aos treinos após longo tempo inativo (Foto: Ilan Pellenberg)

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* Uma situação recorrente em todas as academias, eu creio, é ter um parceiro de treino com uma lesão ou voltando de um período parado por conta de uma lesão. Essa volta não é fácil. Você sabe como treinava e sabe como os outros estão treinando, se preparando para campeonatos ou simplesmente lutando pelo prazer de estar nos tatames. Mas todos com um ritmo que você, que por conta da sua lesão e/ou parada, não está. 

Acredito que aqui temos os dois lados da situação. No primeiro, você está voltando a treinar, muito bom, mas seu condicionamento físico não está no ritmo normal, a pegada ainda não está como antes, o aeróbico também não. E talvez um fator que preocupe mais, e a lesão? Então, tenha a perfeita noção do seu estado, recomece seus treinos com um ritmo mais lento, treine devagar. Sinta seu corpo, sua respiração, respeite os limites nessa volta para não ganhar outro tempo de fora dos tatames por conta de uma outra lesão. 

Respeite os prazos dos médicos e ortopedistas. Eles estudaram para isso. Às vezes, o que você acha que já está completamente curado, pode não ser a realidade do momento do seu corpo. Fortaleça sua musculatura antes de treinar como você sabe que pode e quer. Treine para pegar ritmo de novo, o mais importante já é estar treinando de novo. Ganhar ritmo e força é só com o passar dos treinos. Fica complicado, depois de uns meses parados ou até por mais tempo, logo no primeiro dia de volta aos treinos, querer impor um ritmo que você tinha. 

Planeje, mesmo que mentalmente, sua evolução, mas escutando seu corpo. Crie seus parâmetros e metas. Respeite os intervalos para descanso, o descanso faz parte da vida do lutador também. Treinando, a sua volta e o seu rendimento acontecerão naturalmente. Por outro lado, imagine agora você treinando direto, malhando, disputando campeonatos, treinando até nos sábados, enfim, é um lutador sempre presente no dojo. Então, reaparece aquele seu amigo que está parado há um tempão, então é hora de ser parceiro mesmo. Treine mais devagar, poupe, se der, a perna ou braço lesionado do seu amigo. 

O foco nesse momento, eu vejo, não em finalizar o seu parceiro, nem mesmo treinar na força de um treino normal. Mas proporcionar um treino que seu amigo possa ir ganhando confiança e até mesmo perceber se sua lesão está curada ou não. Qual o mérito de finalizar esse seu amigo parado, voltando de uma lesão e passar o carro? O mérito, na minha visão, é passar o carro, finalizar aquele seu parceiro de treino quando você sabe que ele está no auge de sua capacidade física e aeróbica. Pegar o seu parceiro de treino voltando depois de um longo período parado e dar um treino duro, não encaro como uma atitude esportiva. Prefiro treinar na velocidade que ele pode levar, esperar ele voltar a forma e, aí sim, treino duro! 

Já aconteceu comigo. Tenho um amigo, um excelente faixa preta que, por motivo de lesão, ficou parado bastante tempo. Quando ele voltou, fizemos o primeiro treino e ele me disse quando acabou o tempo do treino: “por que você treinou mais devagar?”. Treinei mais leve pelo fato de estar, naquele momento, ajudando um amigo a voltar à sua forma. Não vi nenhum mérito em treinar duro com um amigo vindo de uma lesão. Eu quero finalizar ele, sim, mas sabendo que ele está em seu ritmo normal de treino, e não vindo de um período inativo, fora de ritmo.

A conduta dentro do dojô tem que passar por esses aspectos também, ajudar seus parceiros de treinos. Hoje, quem está retornando aos treinos é o seu amigo, amanhã pode ser você, o que é diferente de uma luta de campeonato. Se você está lesionado e vai competir, seu oponente está ali para buscar a finalização e continuar no campeonato como você. Mas em treinos internos, acho que o companheirismo deve falar mais alto e os treinos mais duros podem esperar um pouco, até os dois estarem em suas plenas condições físicas. Bons treinos! 

Para mais informações, veja https://www.instagram.com/luizdiasbjj/ ou entre em contato pelo e-mail geracao.artesuave@yahoo.com.br. Também conheça o http://www.geracaoartesuave.com.br/. Oss!

* Por Luiz Dias

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