Com intuito de ‘resgatar essência’ do Jiu-Jitsu, faixa-vermelha Wilson Mattos dá detalhes sobre a Associação dos Mestres

Publicado em 19/09/2020 por: Mateus Machado
Com intuito de ‘resgatar essência’ do Jiu-Jitsu, faixa-vermelha Wilson Mattos dá detalhes sobre a Associação dos Mestres Associação dos Mestres tem como principal dever resgatar a essência do Jiu-Jitsu (Foto: Divulgação)

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* Atualmente com 69 anos e praticantes de Jiu-Jitsu desde 1956, Wilson Pereira Mattos deu seu pontapé inicial na modalidade com apenas 5 anos de idade e hoje é faixa-vermelha nono grau, o nível mais elevado que se pode atingir na arte suave. Com uma vasta experiência no esporte, Wilson teve como seu professor e principal incentivador o lendário Grande Mestre Oswaldo Fadda, e diante de tudo que vivenciou e aprendeu ao longo dos anos de prática do esporte, o carioca resolveu idealizar, junto com o também Grão Mestre Luiz Carlos Guedes, a Associação Brasileira e Internacional dos Mestres de Jiu-Jitsu (ABIMJJ).

Em tempos onde as competições de Jiu-Jitsu eram mais escassas, a maioria das academias da arte suave promoviam seus alunos de acordo com o desempenho deles em lutas a portas fechadas dentro da academia. Na academia Fadda, não foi diferente, e para receber a faixa-preta, Wilson Mattos precisou derrotar 10 faixas-marrom da equipe. A “prova de fogo” ocorreu em 1970, e com apenas 18 anos à época, Wilson recebeu a faixa preta do Grande Mestre Oswaldo Fadda. É o espírito de outros tempos do esporte que o carioca quer trazer para a nova geração de atletas, o que motivou a criação da ABIMJJ.

“Estávamos eu, mestre Guedes e mestre Santana, mas nós já tínhamos um grupo que marcava presença em eventos, daí pensamos: por que não montar uma associação? E o intuito maior da criação dessa associação é rever casos de faixas-preta que já poderiam ser mestres e nós, através dessa associação, podermos graduá-los, elevando eles à faixa que eles têm direito. Foi algo criado sem pretensão de se tornar federação ou confederação, o intuito foi apenas esse, e ela foi tomando um volume que, hoje, nós podemos considerar que faz parte também de uma das instituições de Jiu-Jitsu que tem um certo prestígio. Esperamos dar uma contribuição aos praticantes de tudo o que aprendemos no Jiu-Jitsu. A finalidade da associação é essa, passar para a nova geração toda a experiência da arte marcial que adquirimos aprendizado. Assim, não vai para o túmulo com a gente tudo o que aprendemos ao longo de tantos anos. Estamos dispostos a passar tudo o que for possível para a nova geração de atletas”.

O Jiu-Jitsu cresceu de forma impressionante nos últimos anos e foi levado para diversas partes do mundo através de professores brasileiros. Apesar disso, a questão relacionada à essência do esporte é sempre levantada pelas gerações anteriores. A intenção de Wilson Mattos com a criação da Associação Brasileira e Internacional dos Mestres de Jiu-Jitsu é justamente essa, com o intuito de deixar um legado para a atual e para as próximas gerações de atletas que pretendem viver da modalidade.

“O objetivo principal que idealizamos foi, simplesmente, reconhecer aqueles que realmente tinham direito a ser reconhecidos. Nós pretendemos chegar com um método de Jiu-Jitsu do qual aprendemos. Queremos que amanhã ou depois, que possamos olhar para atrás e deixarmos como legado, tanto nosso quanto da associação, um plantel muito grande de pessoas que, realmente, possam dizer: nós aprendemos e sabemos de Jiu-Jitsu. Queremos deixar de legado e ensinamento os métodos e práticas que nos dias de hoje são pouco implementados e passados para os atletas da nova geração”, disse Wilson, que por fim, fez uma avaliação do que vê do Jiu-Jitsu nos dias atuais.

“A minha visão atual do Jiu-Jitsu é uma visão mínima da grande dimensão que é o Jiu-Jitsu. Hoje só se pensa em estar na mídia. Acho que é bom estar na mídia, sim, afinal, o lutador não vive só de medalhas, ele tem que procurar uma forma de viver, um sustento. Muitos hoje não concluíram a essência do Jiu-Jitsu, aprender de fato o que é o Jiu-Jitsu, que é a parte de projeção, a parte de chão, a defesa pessoal, entre muitas outras áreas que muitos novatos não dominam. Não é uma crítica que eu faço, é um anseio de querer deixar para a nova geração aquilo que nós sabemos. Se nós conseguirmos concluir o nosso projeto, que é melhorar e enriquecer o conhecimento dos mais novos, nosso objetivo está alcançado, porque vamos saber que deixamos seguidores do Jiu-Jitsu verdadeiro”, encerrou.

* Por Mateus Machado

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