Arte suave para mulheres: quantas professoras de Jiu-Jitsu você conhece? Uma reflexão no ‘Dia dos Professores’

Publicado em 15/10/2020 por: Tatame Tatame
Arte suave para mulheres: quantas professoras de Jiu-Jitsu você conhece? Uma reflexão no ‘Dia dos Professores’ Faixa-preta multicampeã, Julia Boscher é professora de Jiu-Jitsu (Foto reprodução Instagram @juliaboscher)

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* Nesta quinta-feira, 15 de outubro, é celebrado o “Dia dos Professores”. Deixo aqui minha homenagem e agradecimento a todos os professores e mestres do Jiu-Jitsu por todo ensinamento que passam para a gente. Aproveito para deixar também uma pergunta: com quantas professoras de Jiu-Jitsu você já teve aula?

Já tive aula com algumas mulheres, mas no meu dia a dia não tenho uma professora. Eu já tinha percebido o quanto é importante ter a presença de uma mulher mais graduada ajudando as mais novas. E depois de ter passado um mês fazendo um camp em Abu Dhabi, tendo aula só com mulheres, minha vontade de ser professora só aumentou.

Julia Boscher, faixa preta, campeã e professora de Jiu-Jitsu, também passou por isso. Em um camp em Abu Dhabi quando ainda estava na faixa roxa, teve a primeira experiência com uma professora e quem dava as aulas era Luanna Alzuguir. “Foi um dos meus melhores camps, era um sonho sendo realizado. Gostaria muito que essa fosse a nossa realidade hoje, de conseguir fazer treinos duros assim para competição, só com mulheres. Mas a gente está caminhando e batalhando para isso”, contou Julia.

Ter mulheres dando aula em academias de Jiu-Jitsu é importante por dois fatores (dentre muitos): representatividade para outras mulheres e exemplo também para os homens. Muitas mulheres ainda se sentem um pouco inseguras para entrar em academias que só tem homens, infelizmente.

Mas quando encontram outra mulher, principalmente na condição de faixa preta, se sentem mais à vontade naquele ambiente. Ou seja, acaba chamando mais mulheres pra treinar. Veja o exemplo da Nika Schwinden, que tem um time grande de mulheres treinando com ela. Muitas, inclusive, que mudaram de academia junto com ela quando foi para a Gracie Barra. Além disso, a representatividade de ter uma mulher dando aula mostra para essas meninas que elas também podem chegar lá, se tornarem professoras, ter uma academia. Mas não é só para outras mulheres, o exemplo é importante para todas as pessoas. Estamos acostumados a ver homens nas principais posições de destaque. E acabamos naturalizando isso e, mesmo que inconscientemente, afastando as mulheres dessas posições.

Julia contou que algumas vezes, dando aula, quando os praticantes de outra modalidade chegavam no tatame para pegar o material de treino, nunca se dirigiam a ela para pedir licença, procuravam um homem. “Às vezes, eu mostrando posição, não via a situação e meus alunos direcionavam a mim, falando que eu era a professora, e aí sim, eles pediam licença pra mim. Mas nunca era eu. É bizarro isso”.

Várias mulheres falam comigo no “Bjj Girls Mag” sobre academias e professores com atitudes machistas, que desrespeitam ou não incentivam as mulheres no treino, que priorizam os atletas homens. Com uma mulher na posição de professora, esse tipo de ambiente ou de comportamento não é incentivado. E não é só uma mulher que deve incentivar suas alunas e não reproduzir o machismo, os homens também. Por isso que os menos graduados também aprendem muito com professoras mulheres, como ressaltou Julia.

“Eu dou aula, meus alunos me respeitam, tem homens faixas-preta mais graduados que pedem para treinar comigo. Para entrar, eles têm que pedir licença a mim. Eles entendem meu lugar e que eu estou ali porque eu conquistei aquele lugar, e por direito é meu. É totalmente contrário da sociedade que a gente vive, então é muito necessário os homens verem uma mulher nesses cargos de destaque, seja qual for a área”.

Neste texto no “Bjj Girls Mag”, falei mais sobre isso, com o depoimento de mais duas professoras, a Bruna Ribeiro e a Tatiana Peixe. Que nesse “Dia dos Professores”, todas as praticantes de Jiu-Jitsu saibam que também podem chegar lá. Muitas mulheres lutaram e continuam lutando por esse espaço, que também é nosso. Vamos continuar fazendo a diferença juntas!

* Por Carolina Lopes

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