Avanço ou atraso? Especialistas opinam sobre a liberação das chaves de perna e calcanhar; veja

Publicado em 21/10/2020 por: Yago Redua
Avanço ou atraso? Especialistas opinam sobre a liberação das chaves de perna e calcanhar; veja Chaves de perna e calcanhar foram permitidas pela IBJJF a partir de 2021 (Foto TATAME)

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A IBJJF, principal entidade do Jiu-Jitsu internacional, anunciou que a partir de 2021 vai permitir o uso das chaves de perna e de calcanhar nas faixas-marrom e preta adulto, somente nas competições No-Gi (sem quimono). A decisão gerou um embate nas redes sociais sobre pessoas favoráveis e contra a novidade. A TATAME, então, resolveu conversar com especialistas, e claro, ouvir seus seguidores através do Instagram.

Nome respeitado no meio da comunidade do Jiu-Jitsu, Ítallo Vilardo, preparador físico e faixa-preta, acredita que a decisão tenha partido dos eventos de lutas casadas e GPs – que ganham cada vez mais espaço -, afirmando que não é uma decisão que tem relação com a evolução da arte suave como um todo.

“As regras do Jiu-Jitsu sempre evoluíram, de acordo com a evolução do esporte. Por exemplo, a adaptação que fizeram para o berimbolo. Adaptaram conforme o esporte pedia. Neste quesito da chave de pé, eu vi como um pedido que veio de fora e não entendi o posicionamento da IBJJF. Ela sempre determinou como o esporte iria funcionar, independente de como os outros faziam. Sempre foi: ‘quem quiser, que siga o nosso padrão’. Dessa vez, ela recuou. Ela (IBJJF) aceitou o pedido externo, de eventos particulares. Eu não concordei. Primeiro lugar, acho que tem que preservar o atleta. Daqui a pouco ela vai colocar cervical, bate-estaca?”, opinou o preparador físico, que seguiu sua análise sobre as chaves de perna e calcanhar:

“É uma chave perigosa. Para você implementar alguma mudança, principalmente técnica, ideal é que venha nos níveis inferiores, para quando chegar lá frente (faixa-preta), o atleta saber trabalhar aquilo. É a progressão pedagógica. Agora, se colocou no último nível nas faixas-marrom e preta profissional, como será essa adaptação na academia? Pessoas que nunca viram isso vão passar a fazer? Cabe uma boa orientação dos professores didáticos para conseguir implantar isso junto aos alunos. É perigoso e arriscado sim, mas espero que dê certo. Que seja algo só nos torneios sem quimono e não passe para as competições com quimono. Para o quimono seria bem diferente a adaptação. Meu medo é que migrando para o quimono, crie uma lapidação técnica. Para não correr o risco, os lutadores vão deixar de fazer tais posições”, explicou.

Referência dentro das competições sem pano, Marco Aurellio, líder da Pirâmide Grappling Association, tem uma opinião oposta sobre o assunto. O professor acredita que essa decisão da IBJJF é um “avanço”.

“Vejo de forma positiva. No meu ponto de vista é um grande avanço para o esporte, dado que nos eventos profissionais essas finalizações já são permitidas. Ressaltando que foi liberado apenas para as categorias no adulto faixas-marrom e preta, pelo fato de serem categorias consideradas mais avançadas”, destacou.

Já sobre o questionamento de alguns atletas da possibilidade de aumentar o número de lesões sérias, Marco opinou e acredita que tudo é uma questão de treinamento: “Se pararmos para refletir sobre chaves de calcanhar, veremos que são finalizações como qualquer outra. Nós temos um especialista na equipe, Renzo Gutyers, que na minha opinião, é um dos melhores do mundo nessa área de chave de calcanhar. Os que são contra afirmam que é uma finalização mais lesiva que as demais, porém isso se deve ao fato de não dominarmos a defesa no mesmo nível que sabemos defender uma chave braço, por exemplo”, concluiu.

Através de uma publicação no Instagram, a TATAME também abriu espaço para os seguidores opinarem sobre o assunto e colocaram os seus pontos de vista. Confira abaixo algumas opiniões dos seguidores: 

“Início de uma nova era das lesões não só em eventos, mas nos treinos também. Essa chave foi retirada por conta dos riscos e agora voltam com ela, não concordo, minha opinião”, @leosousabjj.

“Eu não concordo! Boa parte da galera que participa de campeonato não vive da luta. Tem que acordar segunda-feira e ir encarar o mercado de trabalho. Uma cirurgia de joelho é 12 mil reais. A galera que luta evento que faça sua preparação no particular”, @cidrobjj.

“Só não gostou quem não treina heel hook (chave de calcanhar). É uma técnica como qualquer outra, pode machucar se for na brutalidade, do mesmo jeito que um armlock. Só treinar as defesas e não ficar na zona de conforto achando ruim. Lutador se adapta à luta e adversidade… Não é a luta que tem que se adaptar. Muita gente não querendo sair da zona de conforto, se lascaram”, @ph.s.soares.

“Os eventos de grappling com essas regras estavam crescendo a ponto de fazer a maior instituição rever seu pensamento. Agora vai trazer muitos competidores de No-Gi para as competições IBJJF”, @filipegermano.

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