Artigo: as mulheres que treinam Jiu-Jitsu ainda sofrem discriminação por parte dos homens? Leia e deixe a sua opinião

Publicado em 09/11/2020 por: Mateus Machado
Artigo: as mulheres que treinam Jiu-Jitsu ainda sofrem discriminação por parte dos homens? Leia e deixe a sua opinião Em seu novo artigo, Mônica de Paula fala sobre a discriminação com mulheres no Jiu-Jitsu (Foto reprodução Instagram @luneder)

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* Ao iniciar este artigo, gostaria de pontuar algumas questões, com objetivo de pensarmos juntos o que fazer em relação a algumas frases inadequadas e desrespeitosas referentes às mulheres que praticam a modalidade Jiu-Jitsu. O intuito deste artigo é que possamos parar de achar que é normal ou que foi simplesmente uma brincadeira. Muitas brincadeiras vêm carregadas de ódio, preconceito e discriminação, com um único objetivo: humilhar a mulher sem querer. Neste caso, não existe “sem querer”. Toda fala vem de pensamentos. Pensamos e falamos, sendo assim, nem tudo que for pensado precisa ser falado.

Eu sempre escrevo em meus artigos a respeito da singularidade de cada pessoa. Com isso, devemos pensar que uma simples brincadeira pode causar um trauma e até mesmo uma depressão. Volto a dizer: não são todos os seres humanos resilientes que têm estrutura mental para suportar até mesmo uma brincadeira. 

Vamos relembrar alguns fatos históricos em relação às mulheres. Durante séculos, a imagem da mulher era associada a condições equivalentes à de escravas, numa época em que ser livre significava, basicamente, ser homem, as funções primordiais femininas eram a reprodução, a amamentação e a criação dos filhos. Bastava uma mulher não querer ter filhos para ser discriminada por homens e por mulheres, ou até mesmo vista com algum problema mental. Ninguém é obrigado a dar “a luz”, “a parir” uma criança, e não ser mãe não significa ser “menos mulher”. A sociedade faz uma pressão assombrosa em relação ao comportamento da mulher, desrespeitando suas vontades em todos os âmbitos, controlando suas vidas de maneira cruel, fazendo com que elas se sintam depressivas e cada vez mais com a autoestima baixa, e em alguns casos, buscando o suicídio como último recurso para acabar com o sofrimento. 

Um marco que me chama muita atenção em relação à historia da mulher foi a perseguição mais conhecida “caça às bruxas” (séculos 16 e 17). Estima-se que a inquisição matou até 100 mil pessoas, entre mulheres, homens e crianças. No entanto, as mulheres eram o principal alvo de possíveis adeptos da bruxaria. Foi um genocídio praticado contra o sexo feminino, na Europa e nas Américas, em que muitas mulheres sofreram agressões e até mesmo perderam suas vidas por seres consideradas feiticeiras. Vamos fazer uma análise sobre  agressões físicas e emocionais. Mudou alguma coisa em relação às mulheres no dia de hoje? 

Retomando o nosso tema, vamos iniciar fazendo algumas perguntas para refletirmos o contexto da discriminação que as mulheres sofrem no tatame praticando a modalidade Jiu-Jitsu.

  1. Vocês já presenciaram piadas de duplo sentido, denegrindo a imagem das mulheres em alguma academia?
  2. Já presenciaram mestres (professores) de artes marciais e alunos compartilhando e comentando vídeos ridicularizando as mulheres ou até mesmo fazendo apologia ao estupro? 
  3. Existem campeonatos de Jiu-Jitsu onde os valores dos prêmios são menores para as mulheres? 
  4. Mestres de artes marciais, lutadores de MMA e alunos têm hábito de agredir fisicamente e emocionalmente suas esposas ou mulheres? Tema para o próximo artigo.

Alguém se lembrou de algum caso depois dessas perguntas? Posso ajudar a refrescar a memória? Vou usar algumas frases faladas por homens em academias de artes marciais para as alunas, lembrando que se você achou um absurdo, aprenda a partir desse artigo respeitar suas alunas. Elas não são piores e nem melhores.

  • Para de treinar como mulherzinha.
  • Por que não vai fazer um esporte de menina?
  • Ela é tão bonita, pena que é lésbica.
  • Nossa, sua orelha vai estourar e ninguém vai te querer.
  • Ela está lá por causa de macho.
  • Mas seu namorado deixa?
  • Como você usa saia com esses roxos feios nas pernas?
  • Até ela te finaliza!
  • Você luta como homem!
  • Mulher tem de se dar o respeito e não ficar se esfregando em homens.
  • Cairia de boca na sua guarda.
  • Desse jeito é melhor você só treinar com mulheres.
  • Até que enfim estão colocando mais ‘perereca’ nessa academia.
  • Mulher falando de Jiu-Jitsu?
  • Vai fazer um sanduíche para mim!
  • Vai lavar meu quimono!
  • Seu currículo de competição é excelente, mas só patrocinamos homens.
  • Vocês não têm vivências no Jiu-Jitsu como os homens.
  • Mulher não vende!
  • Homens estão há 100 anos no mercado batalhando por isso!
  • Mulher não tem a mesma qualidade de Jiu-Jitsu que o homem.
  • Não pode mulher às 12h, você é mulher e não pode treinar esse horário.

Fase em destaque > uma lutadora, em um campeonato, estava perdendo e o seu professor gritou para ela: “VIRA DE QUATRO! PARA DAR ESSA BUN** VOCÊ VIRA DE QUATRO!” 

Todas as frases são absurdas, carregadas de preconceito e discriminação, e até mesmo de ódio. Gostaria muito de escrever sobre cada uma, porém, iria dar um livro, mas precisei escolher. As frases que eu deixei em negrito, na minha opinião, são as piores. Caso você queira escrever nos comentários, fique à vontade.

Vou começar dizendo que em qualquer modalidade de esportes, sendo praticada por mulheres e homens, hoje não existem leis que proíbam as mulheres de praticarem o Jiu-Jitsu. Segunda frase, em pleno século 21, eu não preciso pedir ordem para o namorado para fazer artes marciais. Não sou propriedade dele, apenas devo comentar sobre o assunto, caso eu veja necessidade, no que seria uma parceria.

Enquanto lutar como homem, eu acredito que muitas mulheres iniciaram suas carreiras aprendendo com um professor homem, sendo assim, somos inteligentes com facilidade de aprender. Qual o problema aprender a lutar como homem? Quem foi que nos ensinou? Lembrando que, há 20 anos, era raro uma professora comandar uma academia de Jiu-Jitsu, enquanto hoje cresce o número de proprietárias e mestres.

No Jiu-Jitsu se aprende que não se trata de um esporte agressivo, a arte suave é considerada uma modalidade inteligente, baseada em quedas, alavancas e estrangulamentos, e não esfregamentos como dizem. Antes de criticar qualquer comportamento, busque informações. 

 Isonomia

  • Igualdade de todos perante a lei, sem distinção de qualquer natureza;
  • Homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, seja na vida civil, no trabalho, e na família.

Espero ter contribuído para uma reflexão sobre esse assunto importante, e que infelizmente existe no nosso meio. Isso precisa acabar!

Sites Recomendáveis 

  • Denuncie! Comissão de Direitos das Mulheres no Jiu-jítsu, funciona 24 horas da semana por WhatsApp (21) 99283 48 41. Instagram @cdmjiujitsu.
  • Texto: Pra dar C*, você vira de quatro, escrito por Renata Mendonça, 15/08/2019 – site: https//wwwgooglefera.uol.com.br/UOL-amp/2019/08/15/pra-dar-o-c-voce-vira-de-quatro-o-que-lutadoras-ouvem-dos-tecnicos

Quem sou eu? Mônica de Paula Silva, também conhecida como Monica Lambiasi, é graduada em Pedagogia desde 2004. Concursada pela Prefeitura de Embu Guaçu – SP, atua há 13 anos como psicopedagoga clínica, área na qual é pós-graduada desde 2006. Em 2008 concluiu pós-graduação em Didática Superior, e em 2009 concluiu pós-graduação em Educação Especial e Educação Inclusiva. Já em 2017 concluiu pós-graduação em neuropsicopedagoga, e atualmente estuda psicanálise e neurociência. Também é escritora.

Contatos: WhatsApp (11) 99763-1603 / Instagram: @lambiazi03

* Por Mônica de Paula Silva

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