Artigo: como identificar e lidar com crianças diagnosticadas com ‘Transtorno Desafiador Opositivo’ no tatame

Publicado em 17/11/2020 por: Mateus Machado
Artigo: como identificar e lidar com crianças diagnosticadas com ‘Transtorno Desafiador Opositivo’ no tatame Mônica de Paula falou sobre o Transtorno Desafiador Opositivo (Foto reprodução Instagram @henriquesaraivajj)

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* Muitos profissionais da saúde e educação, em especial os professores de artes marciais, já devem ter ouvido falar sobre o Transtorno Desafiador Opositivo (TDO), mesmo que superficialmente dito pelos pais, onde, ao chegar à academia para fazer sua inscrição, já relatam o comportamento do filho de forma simples, talvez para não assustar o professor, dizendo ele é um pouquinho irritado, nervoso, tem dificuldades de obedecer a regras, com aquela esperança de que os professores vão fazer milagres,  transformando seus filhos em “anjos”.

Ninguém faz milagres, e também não é justo esperar isso dos professores. Cada um de nós tem a nossa parte de responsabilidade sobre a criança, não queira que o professor(a) faça o papel de pai ou mãe do teu filho, a responsabilidade é da família, não podemos esquecer. Diversos estudos epidemiológicos realizados internacionalmente identificam que cerca de 20% de crianças e adolescentes em idade escolar necessitam de algum auxílio na área da saúde mental, lembrando que essas crianças irão bater em sua academia para praticar artes marciais e você, professor, precisa entender certos comportamentos do novo aluno.

O Transtorno Desafiador Opositivo é definido como um padrão persistente de comportamentos negativistas, hostis, desafiadores e desobedientes. As principais características do TDO são: impaciência, discussões com adultos, recusa a obedecer a solicitações ou regras, indisciplina, perturbação e implicância com pessoas. Geralmente quando são contrariadas apresentam raiva, irritação e ressentimentos.

Nota: O Transtorno Desafiador Opositivo ainda não apresenta sérias violações de normas sociais ou direitos alheios, como ocorre no transtorno de conduta   (tema para próximo artigo).

Alguns especialistas da saúde mental identificam esse diagnóstico em 2% a 16% das crianças em idade escolar, geralmente com início por volta dos 6 anos de idade, tendo mais ocorrências em meninos do que meninas. Uma das características importantes é que, geralmente, essas crianças possuem poucos amigos, pois são rejeitadas, devido a seu comportamento impulsivo.

Causas:

– Origem multifatorial, envolvendo componentes biológicos e ambientais;

– Herança genética, característica herdada pela criança, que podem predispor a essa condição comportamental, como temperamento impulsivo, baixo limiar de frustração e disfunções em neurotransmissores serotoninérgicos, além de dopaminérgicos.

– Métodos de criação parental, comportamento criminoso, alcoolismo e uso de drogas por parte dos pais ou responsáveis, falta de afeto e de suporte emocional à criança;

– Complicações da gravidez e de parto, além de prematuridade, podem participar como fatores.

O que fazer? Conversar com a família, em primeiro lugar, para que seja feito um diagnóstico com especialistas da saúde mental. Infelizmente, alguns casos  necessitam de medicações para diminuir alguns sintomas, como agressividade, impulsividade, ataques de raiva e baixo limiar de frustração. Informo que os medicamentos não são curativos, apenas reduzem sintomas para facilitar o trabalho dos pais e professores.

As artes marciais são um dos recursos para ajudar nossas crianças. Por esse motivo, é essencial que os professores busquem conhecimentos para atendê-las da melhor forma possível em suas academias.

Referências

  • Teixeira, Gustavo – Manual dos transtornos escolares: entendendo os problemas de crianças e adolescentes na escola? Gustavo Teixeira – 2°edição Rio de Janeiro; BestSeller/2013.

Quem sou eu? Mônica de Paula Silva, também conhecida como Monica Lambiasi, é graduada em Pedagogia desde 2004. Concursada pela Prefeitura de Embu Guaçu – SP, atua há 13 anos como psicopedagoga clínica, área na qual é pós-graduada desde 2006. Em 2008 concluiu pós-graduação em Didática Superior, e em 2009 concluiu pós-graduação em Educação Especial e Educação Inclusiva. Já em 2017 concluiu pós-graduação em neuropsicopedagoga, e atualmente estuda psicanálise e neurociência. Também é escritora.

Contatos: WhatsApp (11) 99763-1603 / Instagram: @lambiazi03

* Por Mônica de Paula Silva

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