Professor e pai, Márcio Rodrigues já observa com ‘naturalidade’ troca de equipes e diz a respeito dos filhos: ‘Eu entenderia também’

Publicado em 17/11/2020 por: Diogo Santarém
Professor e pai, Márcio Rodrigues já observa com ‘naturalidade’ troca de equipes e diz a respeito dos filhos: ‘Eu entenderia também’ Márcio Rodrigues ao lado dos filhos, os jovens faixas-preta Yago e Ygor (Foto arquivo pessoal)

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* “Liderança é o processo de conduzir um grupo de pessoas, transformando-o em uma equipe que gera resultados”. A frase no perfil do professor Márcio Rodrigues diz um pouco sobre o trabalho realizado pelo casca-grossa. Com uma vida dedicada à arte suave, Márcio ajudou na formação de diversos atletas que, posteriormente, mudaram de equipe e sagraram-se campeões mundiais pela IBJJF na faixa-preta. Nomes como Tayane Porfírio, Lucas Hulk e Erberth Santos passaram pelas mãos do experiente professor, que acostumado a ver seus alunos alçarem voos maiores, cobra apenas transparência e tenta manter sempre uma boa comunicação.

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“Não é fácil lidar com as mudanças (de equipe), principalmente quando você praticamente faz o atleta/aluno, deposita toda confiança, tempo, dinheiro, etc. Mas eu respeito a decisão deles, acho que o atleta tem que saber o que é melhor pra ele. Tudo é uma questão de conversa e respeito. Todos atletas devem ter a liberdade de conversar sobre isso, só não acho justo eles tomarem uma decisão sem comunicar o professor antes, como já aconteceu comigo. Tive dois alunos que receberam propostas e não pensaram duas vezes, fecharam tudo sem me comunicar e eu, particularmente, só fiquei sabendo quando eles estavam prontos para viajar”, disse Márcio em entrevista à TATAME, contando ainda sua relação com algumas das estrelas.

“Tento sempre manter contato. Com alguns continuo mais próximo, com outros menos. O Lucas Hulk, por exemplo, toda vez que vem ao Rio de Janeiro faz questão de nos visitar. Com a Tayane Porfírio eu já não tenho muito contato, mas nada contra ela, só sucesso, e com o Erberth Santos são fases (risos). Já brigamos algumas vezes, tivemos nossa divergência de opinião, mas hoje estamos bem. Admiro e respeito o trabalho que eles todos estão fazendo: Lucas Hulk, Tayane, Erberth, Ana Rodrigues, Matheus Gabriel, entre outros”.

Contratos no Jiu-Jitsu?

“É uma questão difícil, pois hoje em dia vem acontecendo muito essa troca de equipes. Sinceramente, não sei muito como controlar essa movimentação do mercado, mas acho que o Jiu-Jitsu está se profissionalizando cada vez mais. Com tudo que vem acontecendo no esporte, acho que seria uma ideia interessante de ser estudada (contrato com multa rescisória com os atletas). Ambos iriam ganhar com isso, e o empresário também teria uma certa segurança para investir mais no atleta”.

Fundador da equipe que leva seu nome e encarregado de um projeto social na Zona Oeste do Rio de Janeiro, Márcio Rodrigues vê com naturalidade a busca do atleta de ponta por evolução hoje em dia, o que reflete em melhores oportunidades de treino, financeiras, etc. Na visão do professor, que também é pai de dois faixas-preta competidores, os jovens Yago e Ygor, o mais importante é o lado profissional.

“Na minha opinião, a troca de equipes hoje em dia faz parte da evolução do Jiu-Jitsu. Não faz sentido nenhum o atleta permanecer em uma academia onde não tem mais margem de crescimento por medo de ser ‘creonte’. O atleta também precisa ter direito a sua escolha. Desde que seja algo conversado entre aluno e professor, com respeito, não vejo como creontagem”, disse Márcio, antes de encerrar sobre seus filhos.

“Com certeza eu iria ficar de coração partido por não ter mais eles do meu lado (Yago e Ygor), mas aceitaria e entenderia também. Como já falei algumas vezes, eles precisam ver o lado profissional, o que é o melhor para eles naquele momento, para crescerem. Eu fico muito feliz e realizado de ver todo o sucesso deles”.

* Por Diogo Santarém

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