* Um dos grandes nomes do cenário competitivo do Jiu-Jitsu nos Estados Unidos, o brasileiro Gabriel Almeida vem tendo a sorte – e competência – de se manter ativo durante a pandemia do novo coronavírus. Mais recentemente, o faixa-preta disputou o Pan-Americano da IBJJF, conquistando a medalha de bronze na divisão dos meio-pesados. Antes, se destacou em eventos de lutas casadas, como no Fight To Win (F2W), e comemorou as oportunidades em entrevista à TATAME.

“Esses eventos foram importantes na quarentena, pois foram os únicos que estavam rolando e mantiveram muitos de nós (atletas) ativos nesse período difícil. Eu, por exemplo, participei de seis eventos aqui nos Estados Unidos nesse meio tempo. Também foi um momento em que esses eventos cresceram bastante, pois todos os olhos estavam voltados para eles”, disse Gabriel, que prosseguiu sobre o Fight To Win.

“O F2W hoje é o evento mais ativo aqui nos EUA, estão fazendo três cards por mês e foram os primeiros a voltar durante a pandemia. O Seth Daniels (responsável pela organização) é um cara que trabalha muito duro e sabe o que está fazendo. Muitos eventos aparecem e somem com o tempo, mas o F2W já está aí há um bom tempo e continua a crescer. Acho muito importante a existência desse tipo de evento pois traz uma visão mais profissional para o esporte, onde os atletas recebem bolsas para lutar e conseguem realmente fazer dinheiro, ao invés de indiretamente, como normalmente acontece nos torneios”.

Pelo Fight To Win, Gabriel, 28 anos, anotou vitórias importantes sobre Roberto Jimenez, Manuel Ribamar e, por último, Romulo Barral, um dos grandes nomes do Jiu-Jitsu mundial. O triunfo contra Barral veio no F2W 152, através da decisão dos árbitros: “O Romulo é um dos melhores de todos os tempos. É uma vitória para aumentar bastante a confiança em si próprio. Mas independente do adversário, não estou lutando para desafiar ninguém em específico, mas sempre a mim mesmo, cada dia buscando dar um pouco mais do que ontem. O objetivo é a evolução constante, melhorar meu Jiu-Jitsu e minhas performances cada vez mais”, projetou o representante da equipe Checkmat, graduado faixa-preta há dois anos por Leozinho Vieira.

Por fim, o natural de Niterói, no Rio de Janeiro, comemorou a volta dos campeonatos, mesmo sem torcida e com uma série de protocolos de segurança devido à pandemia, mas analisou que, nesse momento, ainda é mais fácil a realização de eventos de lutas casadas, comparando com o Abu Dhabi Grand Slam de Miami.

“Foi bom estar de volta. Todos sentimos falta das competições, os lutadores e fãs. Dentro do tatame, as usuais guerras estão rolando, altas lutas. A diferença está sendo na parte da organização. A capacidade foi reduzida para o público dentro do evento (só coaches e atletas eram permitidos) e muitos cuidados com a higiene, como o uso de máscara, tatames higienizados a todo momento, etc. É mais trabalhoso, mas acredito que seja importante no momento em que estamos passando”, disse Gabriel, antes de encerrar.

“O problema agora é colocar muita gente junto no mesmo lugar. E outra, nas organizações de lutas casadas, é possível testar todos os atletas antes do evento, como o UFC mesmo tem feito recentemente. Mas um evento do tamanho do Panou do Mundial geralmente recebe mais de 2 mil atletas, e um controle desse porte necessita de muita estrutura. A primeira superluta que fiz no F2W o evento rolou só com PPV, zero público. E conforme as coisas foram abrindo, adicionaram público com capacidade reduzida”, finalizou.

* Por Diogo Santarém