Um dos líderes da Alliance e nome respeitado na história do Jiu-Jitsu, Fábio Gurgel, recentemente graduado faixa-coral, voltou a compartilhar os ensinamentos que adquiriu ao longo de sua trajetória no esporte. Com experiência e uma linguagem didática, o “General” tem contato constante com seus seguidores através das redes sociais, e no último bate-papo, respondeu sobre a possibilidade de se viver exclusivamente da arte suave no Brasil.

“Estou aqui, sou uma prova viva de que é totalmente possível viver exclusivamente de Jiu-Jitsu no Brasil. Claro que quando você tem destaque no esporte, é bom, você pode tirar alguma vantagem, mas não é isso que o seu aluno no final quer saber. Seu aluno quer saber de ser bem tratado e cuidado, porque é no objetivo dele que ele está mais interessado. Quando o aluno entra na sua academia, ele não está preocupado se você é o maior campeão do mundo, está preocupado se você entrega para ele o que ele está indo buscar, que é aprender uma defesa pessoal, ficar melhor fisicamente, sociabilizar com outras pessoas. O ambiente da sua academia e como você gere seu negócio é que vai dizer se você vai viver bem de Jiu-Jitsu ou se você vai apenas sobreviver por uma janela curta de tempo, o que é bem comum também. A maior causa disso é, simplesmente, a falta de conhecimento, é não se dedicar realmente ao aluno. O professor precisa parar de viver na ‘egotrip’ do faixa-preta. Precisa entender que ele é um prestador de serviços. A ‘chavinha’ que você precisa virar de ser um atleta para ser um professor é exatamente essa, deixar de ser egoísta para entregar um bom serviço para quem procura aprender Jiu-Jitsu com você”, aconselhou Gurgel.

Fábio também opinou sobre a qualidade que é “indispensável” para um professor de Jiu-Jitsu, destacando o exercício de fazer a dinâmica da equipe de acordo com o “olhar do aluno” é indispensável no processo.

“Algumas características são muito importantes, mas a principal delas é você se preocupar com o seu aluno, em entregar para ele o que ele precisa. Isso passa por vários aspectos. Quando a gente desenvolveu a metodologia da Alliance, uma das coisas que mais me ajudaram foi justamente fazer o exercício de olhar aquela dinâmica pelo olhar do faixa-branca, do aluno, e não pelo olhar do Fábio, lutador, faixa-preta. Porque nada é problema quando você olha por esse ponto de vista e tudo é problema quando você olha pelo ponto do aluno. O professor precisa ter essa capacidade de se colocar no lugar do aluno e ver por essa ótica como está sendo a dinâmica do ensino. Será que seu aluno está compreendendo o que você está falando? Você tem que ser o melhor exemplo para eles, porque você vai ter influência, eles vão se espelhar”, encerrou.

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