* Sabemos que os benefícios do Jiu-Jitsu para saúde física e mental são muitos, mas em especial, vamos falar sobre fibromialgia. O que seria essa doença?

Nota: A fibromialgia é uma síndrome clínica caracterizada por dor e sensibilidade generalizadas, além de uma variedade de sintomas, incluindo fadiga, distúrbios do sono, depressão, ansiedade e disfunção cognitiva. Mais comum entre mulheres, com idade entre 30 a 60 anos. A prevalência estimada entre a população em geral está entre 2% e 8%. No entanto, a fibromialgia pode ocorrer em qualquer idade, inclusive em crianças e adolescentes, afetando a frequência escolar. Em crianças, esse distúrbio é frequentemente chamado de fibromialgia primária juvenil.

Lembrando que a fibromialgia ocorre ao longo da vida, geralmente iniciada na adolescência ou na idade adulta, sem cura conhecida. Acredita-se que a Fibromialgia tenha gatilhos ambientais, psiquiátricos e até virais. Os ambientais incluem traumas emocionais ou físicos, estresse crônico, histórico de abuso físico e sexual. Já os gatilhos psiquiátricos, como depressão, ansiedade, somatização e hipocondria estão associados à síndrome.

Como explica a lutadora de Jiu-Jitsu Beatriz Souza, faixa roxa de 35 anos, que antes de iniciar o Jiu-Jitsu, já sentia dores nas articulações e principalmente nos joelhos, cotovelos e pulsos. “Fui a vários médicos ortopedistas e sempre saía com medicações para tendinite”. Até que, um dia, conversando sobre histórico familiar, fui indicada a procurar um reumatologista, onde fiz todos os exames específicos.

E como a prática do Jiu-Jitsu ajudou?

A fibromialgia gera limitação da atividade física sim, mas o sedentarismo pode piorar a doença, criando um círculo vicioso, que vai complicando cada vez mais o quadro e dificultando a melhora.

Eu parei com o Jiu-Jitsu por quatro anos e foi o período que mais tive crises, além do aumento de peso por conta dos corticoides e maiores comprometimentos dos movimentos.

Quando retornei, já tinha o diagnóstico correto e a médica me incentivou bastante a isso. Um dos sintomas fortes causados pela fibromialgia é a dificuldade em tarefas simples do dia a dia, como girar maçanetas e abrir frascos. O Jiu-Jitsu tem muita pegada e o uso das mãos é imprescindível. Sei que nem sempre consigo manter uma pegada tão firme, mas isso me ajuda a pensar e explorar novas posições para o meu jogo; fora que o trabalho de pegada me ajudou exatamente a fortalecer a mente e os músculos para essas situações cotidianas simples, mas ao mesmo tempo difíceis para quem tem fibromialgia. Tem dias que abro com facilidade os potes de azeitona, outros, nem tanto. E tá tudo bem. 

E quanto ao fator psicológico?

Eu trabalho com desenvolvimento humano e sei como o papel da nossa mente é fundamental em nossos resultados. Conhecer a si mesmo é uma ferramenta poderosa na vida comum e mais ainda para a vida de atleta.

Além da dor, a fadiga crônica é um dos sintomas mais fortes no meu caso. Posso simplesmente acordar e sentir como se tivesse acabado de faxinar o Maracanã. Ter o treino de Jiu-Jitsu todas as manhãs, além de ser um fator motivacional, onde testo meus limites, minha resiliência e socializo com outras pessoas, é uma forma de fazer a endorfina e a serotonina trabalharem mais forte e por mais tempo no meu corpo, trazendo de volta a sensação de bem-estar, reduzindo a ansiedade, além de melhorar meu raciocínio.

O Jiu-Jitsu te ajudou a superar?

A minha vida toda pratiquei esportes, como Futebol, Atletismo e Vôlei. Muita gente me pergunta por que não paro com o Jiu-Jitsu e não vou para um “exercício mais leve”. Mas o que muita gente também não sabe é que a maioria dos casos de fibromialgia está atrelada à depressão, e dentre todos os esportes que já pratiquei, foi o Jiu-Jitsu que me mostrou o quanto eu poderia ser melhor, o que mais me fez feliz e o único que me fez vencer a força que me puxava para baixo. Adoro as outras modalidades, mas o Jiu-Jitsu é o que funciona pra mim. Eu amo esse esporte.

Espero ter contribuído com mais um artigo neste ano de 2020, onde não foi fácil para ninguém. Desejo a todos vocês força, fé em Deus e muita saúde para o ano de 2021, e que esse ano que se encerra seja lembrado em forma de superação e de aprendizado para todos nós. Até o ano que vem!

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Quem sou eu? Mônica de Paula Silva, também conhecida como Monica Lambiasi, é graduada em Pedagogia desde 2004. Concursada pela Prefeitura de Embu Guaçu – SP, atua há 13 anos como psicopedagoga clínica, área na qual é pós-graduada desde 2006. Em 2008 concluiu pós-graduação em Didática Superior, e em 2009 concluiu pós-graduação em Educação Especial e Educação Inclusiva. Já em 2017 concluiu pós-graduação em neuropsicopedagoga, e atualmente estuda psicanálise e neurociência. Também é escritora.

Contatos: WhatsApp (11) 99763-1603 / Instagram: @lambiazi03

* Por Mônica de Paula Silva