* Faixa-preta da GFTeam, Wallace Costa, mesmo em meio à pandemia de Covid-19, tem motivos para comemorar sua reta final de 2020. O atleta natural de Realengo, Rio de Janeiro, brilhou na semana passada ao conquistar dois títulos importantes e fechar o absoluto do Sul Americano de Jiu-Jitsu com Jaime Canuto, seu companheiro de equipe, tudo isso no período de sete dias.

Em entrevista à TATAME, Wallace, que pegou a faixa preta em outubro passado, mas desde que começou no esporte era o “primeiro a chegar e último a sair” da academia – segundo ele -, celebrou a ótima fase. De acordo com o lutador, a logística para participar de três competições diferentes em um curto espaço de tempo foi uma “loucura”, mas todo o esforço valeu a pena.

“Foi uma loucura, não teve logística… Viajei (para Campinas, SP) na quarta-feira com um amigo, chegamos no hotel 23h, quinta-feira eu já lutei, às 21h o Mundial da CBJJE acabou, pegamos o carro e voltamos para o Rio de Janeiro. Chegamos às 4h da madrugada de quinta para sexta-feira. Na sexta fui no meu fisioterapeuta, Júlio César Marques, para ele dar uma aliviada nas dores e eu lutar domingo de novo (no Sul Americano)”, disse Wallace, completando sobre a principal dificuldade na caminhada até as conquistas.

“Eu não conseguia dormir, então isso foi horrível. Normalmente eu já não durmo muito bem, depois e antes de competição então, nem se fala (risos). Eu estava muito casando das competições e com o sono todo desregulado, essa foi a principal dificuldade que tive”, contou o lutador, que começou a treinar por influência de amigos próximos.

O início da trajetória vitoriosa do faixa-preta de 27 anos começou no dia 6 de dezembro, quando ele faturou o título até 120kg no Abu Dhabi Grand Slam Rio de Janeiro. Já na quinta-feira, dia 10, o carioca levou o absoluto no Mundial da CBJJE – realizado em Campinas, São Paulo -, além do bronze nos pesadíssimos. Para encerrar a semana com “chave de ouro”, Wallace participou do Sul Americano de Jiu-Jitsu da IBJJF/CBJJ, no domingo (13), fechando a final do peso aberto com o casca-grossa Jaime Canuto.

“Confesso que eu não esperava ir tão bem (risos). Eu trabalho muito duro, quem está comigo no dia a dia sabe, mas estava com medo de como seria a minha atuação no meio de grandes nomes do esporte, se eu realmente estava no nível deles. Por isso, avalio minha atuação como nota 10, porque ganhei tudo o que me prontifiquei a lutar. Estou satisfeito, mas agora é hora de descansar e, em janeiro, voltar com foco total, corrigir meus erros e evoluir”, afirmou o representante da GFTeam, destacando que sentiu o ápice do cansaço no Sul Americano.

“Eu tinha três companheiros de equipe na minha categoria do Sul Americano (entre eles o Pedro Alex ‘Bombom’ e o Antônio Assef), então combinei com eles de fazer uma luta só e abrir nas semifinais, porque eu estava morto, não aguentava mais lutar. Minhas costas estavam travadas e eu mal me mexia. Aí na hora do absoluto me pediram para lutar, eu não queria, mas o time insistiu, me animei e fui. Confesso que cada luta que eu fazia no absoluto me dava vontade de desistir (risos), mas pensava: ‘já estou aqui, vou dar meu máximo e seja o que Deus quiser’. Depois da terceira vitória eu cheguei na final e vi que o meu amigo Jaime estava do outro lado. Fiquei muito feliz por ter fechado o peso aberto de um campeonato tão importante com ele, um amigo e atleta que admiro há muito tempo”.

Confira outros trechos da entrevista com Wallace Costa:

– Principias dificuldades de ser atleta profissional de Jiu-Jitsu

Acho que o pior desafio de todo atleta é o financeiro, né. Só nós sabemos o que passamos e o quanto é difícil seguir em frente na arte suave. Além disso, acho que o maior problema que passei foi quando peguei uma bactéria no joelho na semana do Mundial 2019. Fiquei fora do evento e corri até risco de morte, mas graças a Deus consegui sair dessa e estou aqui.

– Impactos da pandemia do novo coronavírus na sua carreira

Afetou tudo (a pandemia). Eu já estava em um ritmo intenso de treinos me preparando para o Pan-Americano (em março), tinha passagem comprada para ir lutar e depois ficar fazendo camp no meu amigo Max (Gimenis) até o Mundial. No início eu fiquei triste, porém não sou uma pessoa de ficar se lamentando. Aproveitei o tempo para descansar porque sabia que quando voltasse, eu estaria bem e faminto para dar o meu melhor de novo. Então, eu deixei meu corpo relaxar até entrar no ‘tédio’, para que quando eu voltasse, ele estar cheio de energia e com muita vontade de trabalhar.

* Por Diogo Santarém