* Atual campeão peso-mosca do UFC, Deiveson Figueiredo vai passar a ter uma companhia mais do que especial a partir de agora na categoria. Isso porque seu irmão, Francisco Figueiredo, foi contratado no final deste ano pela organização e vai fazer sua estreia justamente nos 57kg, em confronto diante de Jerome Rivera no card do UFC on ESPN 20, marcado para acontecer no dia 20 de janeiro, na “Ilha da Luta”, em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.

Com 31 anos – dois a menos em relação ao irmão -, Francisco possui um cartel de 11 vitórias (sendo sete delas por finalização) e apenas três derrotas no MMA profissional. O paraense de Soure fez sua estreia na modalidade em 2009 e tem como grande destaque em sua trajetória o cinturão peso-galo que conquistou lutando pelo Jungle Fight, considerada uma das principais organizações de MMA da América Latina. Agora, contratado pelo UFC, o “Sniper” tem em mente fazer história junto a Deiveson, e para isso, não esconde sua inspiração nos irmãos Patrício Pitbull e Patricky Pitbull.

Patrício é o atual campeão peso-pena e peso-leve do Bellator, além de ser considerado por muitos o maior lutador da história da franquia. Já seu irmão, Patricky, vem embalado por cinco vitórias consecutivas na companhia americana e está cada vez mais próximo de conseguir uma disputa de cinturão na divisão dos leves. Tendo em vista que Deiveson Figueiredo, atual campeão peso-mosca do UFC, tem como meta para sua carreira também ser campeão nos galos, Francisco sonha com o título dos 57kg no Ultimate.

“Os irmãos Pitbull são uma referência, sou fã do Patrício e do Patricky. Eles chegaram ao topo no Bellator e isso, sem dúvida, motiva, tenho certeza que o Deiveson e eu vamos conseguir também. Uma vez meu irmão falou que temos tudo para fazer e ser como eles. Não temos dúvida que vamos dominar a categoria peso-mosca, também serei campeão, meu irmão Deiveson vai subir de divisão e também vai conquistar o cinturão peso-galo. Esse é o plano e vamos em busca disso”, projetou o casca-grossa, em entrevista à TATAME.

Confira a entrevista na íntegra com Francisco Figueiredo:

– Início nas artes marciais com influência de Iuri Marajó e do irmão, Deiveson

Eu sempre fiz a luta marajoara, foi assim que comecei nas artes marciais. Com 13 anos, meu irmão tinha 15, ele começou a treinar com o Iuri Marajó na cidade de Soure, e como nós sempre gostamos de artes marciais, de assistir o Bruce Lee, Van Damme, esses filmes de luta, foi mais ou menos nesse período que ele começou a treinar Jiu-Jitsu e Muay Thai, e também foi quando eu comecei, o Deiveson me levou para treinar com o Iuri, e depois o próprio Iuri me levou para Belém, onde eu passei a disputar alguns torneios de Muay Thai e, desde então, não paramos mais. Quando completei 17 anos, o Iuri me trouxe novamente para Belém, para lutar MMA. Foi através dele que começamos no MMA, mas antes do MMA, ainda consegui ser campeão brasileiro de Muay Thai. O Iuri Marajó nos influenciou muito nesse início, sempre foi um exemplo de lutador a ser seguido.

– Momento em que decidiu que poderia viver exclusivamente do MMA

Eu decidi que poderia viver do MMA quando vi que era possível chegar ao UFC, mais precisamente quando o Iuri Marajó entrou no UFC, outros paraenses passaram a entrar também logo na sequência. Foi a partir disso que percebi que também era possível eu e meu irmão entrarmos na organização, porque nós também temos talento, então passei a acreditar ainda mais a partir desse momento.

– Como você resume sua trajetória no MMA?

Foi uma carreira de muito trabalho, vitórias e perseverança. No decorrer da minha trajetória, tive muitas lesões, ocorreu um momento em que pensei que não poderia mais lutar. Lutei várias vezes lesionado e, por isso, acabei sofrendo derrotas. Depois de recuperado, considero que não perdi mais, consegui ser campeão do Jungle Fight e, diante disso, decidi que era a hora de fazer a minha carreira fora do país para ajudar minha família. Me sinto orgulhoso por não ter desistido quando pensei em parar, porque hoje estou chegando na maior organização de MMA do mundo e poderei ajudar ainda mais minha família, juntamente com meu irmão.

– Como foi receber a notícia de que você estava sendo contratado pelo UFC?

O Wallid Ismail tinha me ligado e falou que era para eu treinar, porque eu iria lutar no Contender Series (reality show que serve de ‘porta de entrada’ para o UFC). Uma semana depois, o Wallid voltou a me ligar, dizendo para eu me preparar que eu iria lutar no ‘Fight Árabe’. Fiquei pensando, que tal de Fight Árabe é esse? Daí liguei para o meu treinador, perguntei e ele me disse que eu estava contratado pelo UFC. Fiquei muito emocionado, lembrei de tudo o que eu passei, da minha primeira luta, das minhas lesões, das vontades que tive de parar. Foi uma sensação inexplicável.

– O que os fãs de MMA podem esperar de você no UFC?

Diria para os fãs que eles podem esperar um ‘predador’ dentro do octógono. Busco a luta o tempo todo, sempre quero finalizar ou nocautear. Podem esperar um cara bem agressivo, que não vai deixar o adversário ficar enrolando dentro do octógono. Fui campeão peso-galo do Jungle Fight, mas no UFC vou lutar como peso-mosca, e creio que vou bater bem o peso da categoria e que vou estar forte e bem preparado para encarar os desafios.

– Relação com o irmão Deiveson Figueiredo

Minha relação com o Deiveson é de irmão mesmo. Nós crescemos juntos, passamos a vida toda juntos, a gente fez a luta marajoara desde sempre, era nossa ‘brincadeira’ também. Sempre gostamos de montar em cavalos, correr na fazenda, no campo, crescemos assim. É uma relação de irmão… Brigamos, mas logo depois fazemos as pazes. Quando ele luta, eu fico nervoso demais. Acho que fico mais nervoso com as lutas dele do que com as minhas. Nessa última luta dele (contra o Brandon Moreno), eu tremia, porque eu percebi que ele não estava saudável para lutar. Mas, graças a Deus, no final deu tudo certo.

– Inspiração nos irmãos Pitbull e sonho de fazer história no UFC

Os irmãos Pitbull são uma referência, sou fã do Patrício e do Patricky. Eles chegaram ao topo no Bellator e isso, sem dúvida, motiva, tenho certeza que o Deiveson e eu vamos conseguir também. Uma vez meu irmão falou que temos tudo para fazer e ser como eles. Não temos dúvida que vamos dominar a categoria peso-mosca, também serei campeão, meu irmão Deiveson vai subir de divisão e também vai conquistar o cinturão peso-galo. Esse é o plano e vamos em busca disso.

– Torcida pelo irmão e ‘palpite’ para revanche contra Brandon Moreno

Vejo meu irmão dominando essa categoria. Os lutadores gostam de ‘enrolar’ muito na divisão peso-mosca e o Deiveson tem um estilo de luta muito ofensivo, pra frente mesmo, e é muito agressivo e completo. Eu sempre tive certeza que o Deiveson seria campeão nessa categoria. Não vejo um lutador para vencê-lo nos moscas. Podem esperar que, na segunda luta contra o Brandon Moreno, ele vai finalizar ou nocautear.

* Por Diogo Santarém