Assim como para a maioria dos atletas, a temporada 2020 não foi nada fácil para João Gabriel Rocha. Fora o longo período sem competir por conta da pandemia do novo coronavírus e as incertezas das principais competições, o faixa-preta de Jiu-Jitsu teve um rompimento parcial grau 2 do ligamento colateral lateral do joelho na superluta contra Kaynan Duarte pelo BJJ Stars 3, em julho passado. O lutador não precisou passar por cirurgia, mas disse que se assustou com a lesão até então inédita em sua carreira nos tatames.

“Foi um grande susto, eu nunca tinha tido nada no joelho e sempre soube por amigos que é uma recuperação lenta, difícil… É uma lesão chata. Foi bem estranho lutar com o meu joelho desestabilizado. A recuperação foi a melhor possível, pois consegui aproveitar esse tempo sem muitas competições para me recuperar melhor. Estava com medo de operar, mas eu fiz a ressonância e não teve a necessidade de cirurgia. A recuperação foi fisioterapia e repouso”, afirmou João Gabriel em entrevista à TATAME.

Pouco menos de cinco meses após a lesão no joelho, o faixa-preta já estava pronto para voltar a competir. João participou do American National da IBJJF, realizado no mês de dezembro, nos Estados Unidos, e saiu com a medalha de ouro no peso e também no absoluto da classe adulto. O multicampeão contou sobre a sensação de retornar aos tatames e a experiência de fazer o papel de coach dos seus alunos no evento.

“Foi um bom teste para o meu joelho e, graças a Deus, não senti nada. Acabei voltando após mais de um ano sem competir nos eventos da IBJJF. Estava priorizando superlutas. Então, foi um bom teste. Foram sete lutas. Eu estava acostumado a fazer uma luta na noite, agora tive que fazer várias em sequência. Foi a primeira vez que eu coloquei os meus alunos para competir também. Tive que fazer o coach dos alunos e ao mesmo tempo lutar. Cheguei de manhã e fui embora só de noite (risos). Foi um campeonato longo pra mim, mas foi bem gratificante também”, falou João Gabriel, que analisou sua performance vitoriosa na volta aos torneios.


“A minha performance, em números, foi boa, porque foram sete lutas, com seis finalizações. A única luta que eu não finalizei, ganhei de 10 a 0. Não tomei ponto o campeonato inteiro. Isso é legal, mas eu ainda achei que fiquei um pouco fora de ritmo quando chegou na quinta ou sexta luta, a minha performance caiu um pouco. Fiquei um ano e meio quase sem competir nos campeonatos, então, o saldo é bem positivo”, comemorou.

Já sobre a temporada de 2021, que ainda promete ser afetada pela pandemia, João Gabriel disse que está mais otimista em relação ao que foi o último ano: “Eu aprendi com esse ano (2020) que tem que estar mais preparado o ano todo, porque você nunca sabe o que vai acontecer. Quero me preparar para o que vier. Eu, antigamente, priorizava muito o camp e fazia as marcações das datas que eu iria lutar. Eu espero que 2021 seja melhor que 2020 para todo mundo, foi um ano muito difícil. Eu abri minha academia no meio de uma pandemia e não foi fácil. Agora estamos recebendo notícias de vacinas. Acredito que no primeiro semestre de 2021 ande um pouco devagar, mas no segundo semestre tudo comece a voltar ao normal”, concluiu JGR.