* Após passar o ano de 2020 sem lutar, em meio à uma lesão onde precisou passar por cirurgia e, posteriormente, a inauguração de sua própria academia, nos Estados Unidos, Antônio Cara de Sapato vive a expectativa para retornar ao octógono. Neste sábado (23), o brasileiro, que vem de duas derrotas consecutivas no Ultimate, entra em ação no card do UFC 257, em Abu Dhabi (EAU), onde terá pela frente o americano Brad Tavares.

Ciente de que precisa retomar o caminho das vitórias e, principalmente, engatar uma sequência positiva na organização, assim como fez entre 2016 e 2018, período em que emplacou cinco triunfos consecutivos, o faixa-preta de Jiu-Jitsu garante estar tranquilo e descarta qualquer tipo de pressão para o confronto diante de Tavares. Treinando na American Top Team, celeiro de grandes craques do MMA, Cara de Sapato teve companhias de luxos nos treinos em sua academia, inaugurada em 2020. Em entrevista à TATAME, o paraibano revelou que afiou seu jogo de chão com Marcus Buchecha e Rodolfo Vieira, dois dos maiores nomes da história do Jiu-Jitsu.

“Uma das coisas que eu foquei muito foi o ‘mix’ das modalidades de luta, porque uma coisa que eu estava errando era isolar as áreas. Minha trocação é muito boa e fazer esse mix foi muito importante durante a preparação. Fora isso, conseguir fazer bons ajustes no meu jogo de chão, que é minha especialidade. Além dos meus parceiros de treino na American Top Team, contei com a ajuda do meu amigo e multicampeão Marcus Buchecha e também do Rodolfo Vieira, dois atletas que dispensam apresentações (risos)”, contou Cara de Sapato, que foi derrotado por Ian Heinisch e Uriah Hall em suas últimas apresentações.

Veja a entrevista na íntegra com o lutador: 

– Ano de 2020 sem lutar e desenvolvimento de academia nos EUA

O ano de 2020 até que foi razoavelmente bom para mim. Apesar de eu não ter lutado, passado por uma cirurgia, eu estava precisando dar uma relaxada, foi bom para mim ficar perto da família e dos amigos no Brasil. Posteriormente, voltei aos EUA com o projeto da minha academia, era uma coisa que eu sempre tinha em mente. Finalmente, tirei isso do papel junto com meu sócio, mesmo em uma época difícil, de pandemia, mas estou muito feliz com esse projeto e espero que cresça cada vez mais. A abertura da academia me motivou ainda mais para seguir minha carreira.

– Preparação para a luta contra Tavares e ‘treinos de luxo’ com Buchecha e Rodolfo Vieira

Uma das coisas que eu foquei muito foi o ‘mix’ das modalidades de luta, porque uma coisa que eu estava errando era isolar as áreas. Ou eu só trocava ou colocava para baixo, esquecia que são artes marciais mistas, podemos fazer de tudo um pouco. Foi assim que consegui meus nocautes dentro da organização e foi algo que acabei parando de fazer, mas já voltei a me focar. Minha trocação é muito boa e fazer esse mix foi muito importante durante a preparação. Fora isso, conseguir fazer bons ajustes no meu jogo de chão, que é minha especialidade. Além dos meus parceiros de treino na American Top Team, contei com a ajuda do meu amigo e multicampeão Marcus Buchecha e também do Rodolfo Vieira, dois atletas que dispensam apresentações (risos). São detalhes que fazem a diferença na hora da luta e, com eles e meus parceiros de treino, pude aperfeiçoar e estou ainda mais confiante no meu jogo.

– Melhora nas questões física e mental, apesar de vir de derrotas no UFC

Apesar das duas derrotas seguidas, eu me sinto ainda melhor do que quando eu vinha de cinco vitórias seguidas no UFC, porque eu estava passando por um momento muito difícil, problemas pessoais, e isso me abalou bastante, me prejudicou durante os treinos e também nas lutas, obviamente. O fato de estar melhor mentalmente também me ajudou na questão física. A recuperação da cirurgia que eu fiz foi muito rápida, os fisioterapeutas ficaram impressionados e eu fiquei muito feliz. Treinei bastante, estou forte e, coincidentemente, meu adversário (Brad Tavares), passou pela mesma cirurgia, estamos também com a mesma sequência de derrotas, e ele também está há um tempo sem lutar, assim como eu. Então, isso acaba trazendo uma tranquilidade para os dois, porque estamos iguais em todos os sentidos. Mas me vejo ainda mais forte mentalmente agora, e fisicamente melhor preparado. Estou com 30 anos, mais maduro, fazendo treinos maravilhosos na American Top Team e vamos começar 2021 com o pé direito, se Deus quiser.

– Acusação de ‘espionagem’ feita por Brad Tavares

Confesso que não sei da onde ele tirou essa história (risos). Ele disse que eu liguei para alguém para saber informações do jogo dele, que eu queria espionar. É o que eu já disse, cachorro velho não aprende truque novo (risos). Ele já está há um tempo no UFC, tem experiência, eu já vi várias lutas dele, já estudei diversos detalhes, mas isso foi um episódio que eu, particularmente, não entendi. Não fez sentido nenhum para mim.

– Análise de como a luta contra Brad Tavares deve se desenrolar

Eu sempre tento levar a luta para o chão, não é segredo para ninguém, mas depois dessa preparação que fiz, posso tentar o nocaute também. Estou muito confiante com o trabalho que eu fiz. Ao mesmo tempo que quero trocar, quero colocar para baixo, e vice-versa, então isso mostra que estou pronto para o que vier. Acho muito difícil que ele queira me colocar para baixo, então já é uma vantagem para mim. Sem dúvida nenhuma, em algum momento essa luta vai para o chão e é onde quero chegar, é onde eu sinto que tenho maior vantagem. Sempre vou procurar buscar minhas raízes.

– Planejamentos para o ano de 2021

A ideia é conseguir emplacar uma sequência de vitórias, algo que eu já consegui na categoria. É assim que o UFC trabalha, então é assim que tem que ser. Quero chegar nas ‘cabeças’ de novo e em breve brigar pelo cinturão. Estou mais maduro, mais experiente, então tem tudo para ser ainda melhor. Quero fazer o máximo de lutas possíveis em 2021, ainda mais pelo período que passei sem lutar. É um ano novo, então é hora de fazer uma nova história.

CARD COMPLETO:

UFC 257
Ilha da Luta, em Abu Dhabi (EAU)
Sábado, 23 de janeiro de 2021

Card principal (0h, horário de Brasília)
Peso-leve: Conor McGregor x Dustin Poirier
Peso-leve: Dan Hooker x Michael Chandler
Peso-mosca: Jessica Eye x Joanne Calderwood
Peso-palha: Marina Rodriguez x Amanda Ribas
Peso-médio: Andrew Sanchez x Makhmud Muradov

Card preliminar (21h, horário de Brasília)
Peso-leve: Matt Frevola x Arman Tsarukyan
Peso-médio: Brad Tavares x Antônio Cara de Sapato
Peso-galo: Julianna Peña x Sara McMann
Peso-meio-pesado: Khalil Rountree Jr. x Marcin Prachnio
Peso-casado: Nik Lentz x Movsar Evloev
Peso-mosca: Amir Albazi x Zhalgas Zhumagulov

* Por Mateus Machado