Na última quinta-feira (14), UFC e USADA (Agência Antidoping dos Estados Unidos), em ação conjunta, anunciaram o “fim” da suspensão por uso de maconha para lutadores. Segundo a entidade reguladora independente, atletas que testem positivo especificamente para THC (tetrahidrocanabinol), principal substância psicoativa encontrada na planta, não serão mais penalizados. Agora, a punição vai ser dada apenas se “evidências demonstrarem que a substância foi usada para melhorar a performance”.

Em entrevista ao site MMA Fighting, Jeff Novitzky, diretor de saúde e performance do UFC, explicou sobre os casos que ainda serão passíveis de punição: “É inerente que uma melhora de performance significaria que você está afetado pela maconha, que você está sob a influência. Portanto, estamos supondo que, se você estiver sob a influência, pode existir algum benefício para melhorar o desempenho. Os cenários que posso pensar seriam um lutador aparecer no vestiário antes da luta com os olhos vermelhos, cheirando a maconha, com a fala mais lenta ou o olhar distante. Se há evidências de que eles usaram maconha recentemente, isso se qualificaria como melhora de performance, porque eles estariam afetados na luta”, contou Jeff.

Vale citar que a decisão da USADA / UFC não exclui a realização de exames antidoping para maconha e, além disso, não inclui Comissões Atléticas estaduais dos Estados Unidos ou de outros países, como o Brasil, por exemplo. Anteriormente, o programa antidoping do Ultimate trabalhava com um limite pré-estabelecido de THC no sangue e aqueles atletas que ultrapassavam a marca estavam sujeitos à punição.

“Como tudo o que fazemos neste programa, essa decisão é baseada na ciência. Especialmente na era da pandemia, tivemos todos esses problemas com lutadores aceitando lutas de última hora e depois vindo com resultados positivos para maconha. Sempre que investigamos o ‘quando você usou’, havia sido dias, se não semanas antes da luta. Sempre me interessei pelo assunto e insisti em algumas dessas mudanças, mas o que acelerou a decisão foi um relatório feito pelo Departamento de Transporte dos EUA há alguns anos”.

O relatório “Direção Prejudicada por Maconha” mostra que níveis de maconha no sangue, diferentemente de níveis de álcool, não têm correlação exata com o quanto a direção do motorista fica prejudicada. “O que a ciência mostra é que existem tantas variáveis ​​com os níveis de THC na urina ou no sangue que não há realmente nenhuma correlação científica entre esse número e uma deficiência. Essa é realmente a única coisa com a qual nos preocupamos do ponto de vista antidoping: se o lutador está sendo prejudicado”.

Liberada para uso medicinal em 35 dos 50 estados americanos, e para uso recreativo em 15, além do Distrito Federal, a maconha vem sendo aceita cada vez mais nos Estados Unidos e ganhando espaço mundo afora. A planta também é usada por muitos lutadores, seja como foco no THC ou, especialmente, no CBD (canabidiol), substância usada para ajudar na recuperação de lesões, dores, insônia, ansiedade, etc.