Uma das grandes promessas do Jiu-Jitsu, Thalison Soares brilhou nas faixas coloridas e chegou com alta expectativa na faixa-preta após o Mundial da IBJJF de 2019, mas não teve muito tempo para participar dos principais campeonatos por conta do avanço da pandemia de Covid-19 em 2020. Há mais de um ano na Austrália, o amazonense fincou raízes no país da Oceania e abriu sua academia em parceria com um sócio.

Em entrevista à TATAME, o lutador disse que já esteve no país anteriormente para dar seminários e gostou do ambiente de um modo geral. Além disso, afirmou que tem como meta ajudar no desenvolvimento da arte suave na Austrália: “O nível do Jiu-Jitsu aqui está crescendo bastante. Já tem vários destaques no cenário internacional como o Levi Jones, Craig Jones… Tem uma galera boa já representando o país. Aqui tem uma galera dura, que faz um treino forte. Agora, com um pouco da minha ajuda, acho que o Jiu-Jitsu vai crescer e a evolução tem sido constante. Eles gostam de treinar, são dedicados e tem um porte físico para o Jiu-Jitsu. Creio que o futuro da Austrália é ser uma potência grande no esporte”, relatou Thalison.

Ainda jovem – completará 22 anos em maio deste ano -, Thalison contou que um dos principais objetivos que tinha era empreender o quanto antes. Mas, como lidar com a administração da academia, a preparação das aulas e os treinos de alto rendimento para as competições da elite? O casca-grossa explicou esse desafio.

“Os desafios de empreender e dar aula são, usando a linguagem do Jiu-Jitsu, você virar um faixa-branca novamente. Sempre gostei de dar aula e compartilhar o meu conhecimento. Acho que foi uma maneira do meu Jiu-Jitsu evoluir muito, me fez entender não só os meus problemas, mas também de outras pessoas e tentar resolver. Hoje, dando aula, isso me ajuda mais. Empreender tem sido algo muito bom, que eu sempre quis fazer e começar novo. Manter esse balanço de treinador, professor e atleta é difícil, mas venho tirando de letra. Está dando tudo certo, já me considero um empreendedor de sucesso, mesmo com pouco tempo de academia aberta. O principal motivo é a entrega dos alunos para aprender mais e mais”, comentou.

Com poucos meses de academia aberta, Thalison teve que enfrentar os problemas da crise sanitária do novo coronavírus. O lutador disse que o país não ficou fechado por muito tempo e essa pausa motivou ainda mais a equipe: “Quando reabriu, a academia voltou mais forte. Nós aprendemos a dar valor para as coisas que realmente importam. O Jiu-Jitsu é algo que faz muito bem para o corpo e a mente”, destacou.

Por fim, Thalison falou que espera competir mais em 2021 e garantiu que está pronto assim que as principais competições foram marcadas, tendo em vista ainda as incertezas da pandemia, como as restrições de fronteiras. Já na faixa preta, o amazonense foi campeão do Grand Slam de Moscou e do Mundial No-Gi.

“Como ainda não saiu nenhum calendário de competição, estou sem nenhum compromisso até o momento, mas estou com lutas casadas aqui na Austrália para acontecer em abril. Tem o World Pro em fevereiro, mas não estou tentando criar muita expectativa pelo fato das restrições da pandemia e o cancelamento em novembro do ano passado. Eu estou bem, não parei de treinar nenhum dia, estou treinando forte. Quando o calendário for divulgado, aparecem as competições, eu estarei disputando tudo”, concluiu Thalison.