* Com 28 anos, Joilton “Peregrino” Lutterbach tem experiência de sobra no MMA. Dono de um cartel de 34 vitórias e oito derrotas, o lutador esteve presente na terceira edição do reality show “TUF Brasil”, representando o time de Chael Sonnen, e já lutou por diversos eventos europeus como KSW e Cage Warriors, por exemplo. Vindo de dez vitórias em suas últimas 11 lutas, Joilton, apesar da longa estrada, terá o ano de 2021 como o mais importante da sua carreira nas artes marciais mistas, e para isso, vem treinando no Rio de Janeiro sob o auxílio do faixa-preta de Jiu-Jitsu Cláudio Hannibal, lutador meio-médio do UFC.

O atleta foi contratado pela PFL (Professional Fighters League) e está escalado para disputar o torneio peso-leve da organização, em abril, com estreia diante do canadense Olivier Aubin-Mercier. Joilton terá ainda a concorrência de outros nomes de peso do esporte como Natan Schulte – bicampeão do GP – e Anthony Pettis – ex-campeão do UFC na divisão até 70kg – em busca do grande prêmio de US$ 1 milhão. Ciente da importância da competição para a sua carreira e até mesmo no sentido de se estabilizar financeiramente, Peregrino vem encarando a oportunidade como a “última grande chance” da sua trajetória no MMA.

“A expectativa é a maior, acho que nunca tive uma expectativa tão grande. Não somente pelo tamanho do evento, pela estrutura ou por lutar por US$ 1 milhão, mas porque eu estou há um ano sabendo que vou lutar pelo evento. Considero, sim, que é a principal chance da minha carreira e eu quero deixar tudo dentro daquele octógono. Quero pensar que é minha última chance, a chance de mudar minha vida e da minha família. Posso definir meu futuro e só vai depender de mim”, projetou Joilton, em entrevista à TATAME.

Ao longo do bate-papo, além de falar sobre a sua expectativa para disputar o GP peso-leve da PFL MMA e exaltar o alto nível do torneio, o lutador comentou sobre a preparação que vem fazendo no Rio de Janeiro e explicou por qual motivo vem representando a Alemanha – e não o Brasil – ao longo das suas últimas lutas.

Confira a entrevista na íntegra: 

– Expectativa para lutar em busca do prêmio de US$ 1 milhão na PFL

A expectativa é a maior, acho que nunca tive uma expectativa tão grande. Não somente pelo tamanho do evento, pela estrutura ou por lutar por US$ 1 milhão, mas porque eu estou há um ano sabendo que vou lutar pelo evento. Era para ter acontecido em fevereiro do ano passado, quando assinei contrato, e desde então estou esperando. Isso gera ansiedade, um peso maior. Quanto mais tempo, mais a gente se cobra e a expectativa fica maior. É como se eu estivesse fazendo um camp de um ano (risos), mas estou animado.

– Torneio no peso leve como mais equilibrado entre todas as divisões

O GP está equilibrado demais, são grandes nomes, não somente na minha categoria, mas em todas. Tem o Anthony Pettis na minha categoria, o Rory MacDonald nos meio-médios, o Fabrício Werdum nos pesados, então isso só valoriza minha entrada no evento. Estou bem animado, feliz e confiante. Passei a pandemia treinando diversos fundamentos, fiz escolinha de Jiu-Jitsu e Boxe, fiz um trabalho de força por muito tempo, atuei na base e agora, faltando dois meses, estou focado mais na parte específica do treinamento. Me sinto pronto antes mesmo de começar o camp. É o meu momento e eu vou mostrar isso no cage.

– Nome confirmado na sua categoria que chama mais a atenção

O cara que chama mais atenção no GP, um dos caras mais perigosos, é o Anthony Pettis. Acho ele perigoso para os outros caras, mas não para mim. Não querendo desmerecer, é um excelente atleta, é ex-campeão no UFC, mas para o meu jogo, não o vejo como uma luta dura pra mim. Caso eu consiga vencê-lo durante o torneio, sem dúvida isso vai me projetar dentro do evento. Já até tinha pedido essa luta para o meu empresário, pedi para ele tentar casar, mas será outro adversário. Não sei se eu nocautearia ou finalizaria o Pettis, mas talvez por pontos venceria. Eu controlaria ele por cima, faria o antijogo e venceria.

– Sentimento de lutar um evento internacional com prêmio de US$ 1 milhão

Considero, sim, que é a principal chance da minha carreira e eu quero deixar tudo dentro daquele octógono. Tive minha primeira chance no TUF e acho que poderia ter feito mais nos treinamentos, eu era muito novo e deixei minha chance passar naquela época. Agora, não quero pensar que é uma segunda chance, quero pensar que é minha última chance, a chance de mudar minha vida e da minha família para melhor.

– Possibilidade e opção por representar a Alemanha ao longo da carreira

Fiquei alguns anos morando e treinando na Alemanha, na academia do meu empresário. Até hoje represento essa academia, mesmo fazendo meu camp agora no Brasil. Minha esposa também tem origem alemã, os avós dela são alemães, daí como eu precisava de um passaporte, eu realizei o processo para me naturalizar alemão, porque como na Europa tem muitos lutadores brasileiro, os eventos não estavam dando oportunidades. Com isso, eu lutei em bons eventos, como o KSW e o Cage Warriors, tudo representando a Alemanha e a academia do meu empresário. Foi uma estratégia de marketing que deu certo, alavancou minha carreira e me levou a ser contratado pela PFL, por representar a Alemanha, onde tem poucos lutadores de destaque. Também já estou na busca pelo passaporte há um tempo para conseguir a nacionalidade.

– Estrutura de treinos no Rio e ajuda de Cláudio Hannibal no camp

Montei essa estrutura no Rio de Janeiro com foco na área comercial e também aproveitar a visibilidade do evento para trazer alunos à academia. Com essa estrutura que eu tenho, vou tentar manter os treinos profissionais, porque a PFL tem um formato de torneio que dura um ano, posso fazer cinco lutas nesse período, então tenho que estar muito bem preparado, com bons professores e atletas. Com isso, estou tendo a ajuda do Cláudio Hannibal, que é um lutador que dispensa apresentações e é canhoto, assim como meu adversário, tem um jogo parecido. Ele está me ajudando bastante e ter um cara desse ao meu lado é incrível.

* Por Mateus Machado