* O começo de Danilo Marques no UFC é, de fato, animador. Em sua estreia na organização, o brasileiro venceu Khadis Ibragimov por decisão unânime e, na segunda apresentação, com um grande desempenho, finalizou Mike Rodriguez após aplicar um justo mata-leão no segundo round. Embalado e animado para os seus próximos desafios na franquia, o brasileiro de 35 anos conversou com a TATAME sobre esse bom início.

“A gente sempre tem um pensamento otimista em relação a cada luta. Eu não esperava ser de tal forma, mas espero sempre a vitória, afinal, trabalho duro para isso. É consequência de um trabalho bem realizado. Numa avaliação geral, o camp completo da segunda luta me trouxe muito mais segurança para trabalhar e isso é visto no resultado, independentemente de como foi. A primeira luta mostrou uma estratégia não muito bonita, mas sem passar sustos, apesar de todo o contexto, onde peguei a luta em cima da hora, venci”, disse.

Faixa-preta de Jiu-Jitsu, o paulista possui um cartel de 11 triunfos e duas derrotas no MMA. Com a moral elevada depois do bom começo no Ultimate, Danilo já tem nova luta marcada, no dia 26 de junho, contra Ed Herman. O americano, de 40 anos, vem de três resultados positivos em sequência, e por isso o brasileiro considera que o vencedor do duelo pode ganhar uma vaga no concorrido Top 15 da categoria meio-pesado.

“Ele (Ed Herman) vem de três vitórias, inclusive as duas últimas sobre caras que eu também ganhei (Khadis Ibragimov e Mike Rodriguez), sendo que a luta dele contra o Mike Rodriguez acabou tendo uma polêmica. Acho que, com certeza, para os dois, quem conseguir a vitória pode almejar uma vaga no Top 15 da categoria meio-pesado. Então é um duelo muito importante para ambos, sem dúvida”, destacou o casca-grossa.

Ao longo do bate-papo, o atleta da Kings MMA falou sobre a boa vitória contra Mike Rodriguez em sua última apresentação, o trabalho que vem desenvolvendo na equipe liderada por Rafael Cordeiro e a importância de nomes como Demian Maia, Mauricio Shogun e Fabrício Werdum ao longo de sua trajetória nas artes marciais.

 

Veja outros trechos da entrevista com Danilo Marques:

– Importância do camp completo na vitória contra o Mike Rodriguez

Fiz o camp completo aqui nos EUA, na Kings MMA, e o Marvin (Vettori) foi fundamental nos treinos, porque ele é canhoto e mais experiente no evento, então foi um cara que me ajudou muito. Acabei fazendo a primeira parte do camp apenas com o Fabrício Werdum, porque a gente pegou Covid-19 no meio da preparação e depois o Werdum voltou para o Brasil, aí eu fiquei treinando na Kings com diversos nomes de destaque como o Gregory (Rodrigues), que agora está morando na Flórida e também me ajuda muito. Em um contexto geral, estou procurando evoluir demais na trocação, principalmente com o mestre Rafael Cordeiro e o Beneil Dariush. A evolução aqui é constante, porque são muitas feras que te puxam pra diversos caminhos no MMA.

– Auxílio de luxo de Demian Maia e outras feras do Jiu-Jitsu

Iniciei minha trajetória no MMA com o Demian Maia e o Eduardo Alonso em 2012, e sempre contei com eles. Todo mundo lá na Vila da Luta sempre me ajudou, inclusive durante a pandemia. Todas essas valências, como Jiu-Jitsu para o MMA, preparação física, fazem parte do contexto da minha experiência na modalidade. A importância do Demian é fundamental, treino com ele há muitos anos. O jogo de Jiu-Jitsu dele é bem específico para o MMA, assim como o do Werdum. Na academia do Rômulo Barral, tenho muitos parceiros da Armênia e outros caras habilidosos no grappling. Estou cercado de pessoas que me ajudaram demais, mas a base é o jogo do Demian. Gosto muito de pegar as costas, quedas e treinei Wrestling ao longo dos anos.

– Inspiração em nomes como Mauricio Shogun e Ayrton Senna

Ter esses nomes por trás do meu trabalho é fundamental. Foi o que me trouxe até aqui. Um nome que vem acima de todos esses, na minha opinião, é o Shogun. Considero ele como um irmão mais velho. É um cara que me abriu muitas portas, viajei com ele, fui córner diversas vezes e aprendi em cada camp juntos. No MMA, minha inspiração é ele. Agora, no esporte em geral, eu me inspiro desde moleque no Ayrton Senna.

– Duelo contra Ed Herman como maior desafio no UFC até agora

Acho que esse lance de maior desafio é complicado. É uma luta dura igual todas as outras, sempre encaro assim. Não existe luta fácil, só quem sobe no cage sabe disso. É mais um degrau importante, não mais importante que os outros, mas tão importante quanto, mais um que eu tenho que subir. É uma luta boa em termos de jogo para a gente, claro que tem seus desafios, então é um duelo que, eu trabalhando sério, estando no meu dia, com certeza é uma luta excelente para a gente, onde vou poder mostrar cada vez mais as minhas habilidades no MMA, evolução em relação à algumas coisas que ainda não mostrei.

– Análise do seu próximo adversário e questão da experiência

Ele é um cara bem experiente, que tem muitas lutas, a maioria no peso médio, mudou para meio-pesado há pouco tempo. Um cara duríssimo e eu tenho muito material para estudar sobre ele, já há algumas semanas venho estudando o jogo dele, gosto de fazer isso, faz parte do meu trabalho. Então, acho que tudo o que você tem a seu favor, se souber usar, pode fazer a diferença. Se ele souber usar a experiência dele e conseguir colocar acima do que eu apresentar, pode ajudá-lo. Mas não tem luta fácil. Vou tentar me apresentar da melhor forma possível, superando o Danilo de outras lutas. O mais importante, porém, é estar focado sempre.

* Por Diogo Santarém