Uma questão que deve ser lembrada (mas que infelizmente não é) por atletas é sobre a importância de se usar uma proteção bucal ao desempenhar suas atividades. Em esportes de contato, é fundamental que este instrumento seja colocado de maneira correta. O uso incorreto ou a falta dele pode provocar uma série de problemas, como destaca o dentista Dr. Zé Maria Jr.

Uma dúvida muito comum entre esportistas de diversas modalidades é sobre o uso da proteção bucal. A maioria utiliza de fato este instrumento, mas é preciso saber usá-lo da maneira correta para evitar prejuízos. Os danos podem ser ainda maiores se ele não for utilizado.

Exemplo disso é o que aconteceu recentemente com o humorista Whindersson Nunes. Ao lutar Boxe, ele levou um soco, e, por não estar usando uma proteção, teve um dente quebrado. Mesmo com bom humor ao relatar essa situação, ele mostrou nas redes sociais o efeito do golpe e os danos na boca. Mas, tal situação não pode ser interpretada como uma brincadeira, alerta o dentista Dr. Zé Maria Jr.

Segundo o dentista, os primeiros modelos de protetor bucal surgiram ainda no final do século XIX, em 1892. “Criados pelo dentista britânico Woolfe Krause, a proposta naquele momento era ajudar os pugilistas. De lá para cá, os aparelhos foram se evoluindo e permitindo mais êxito nessa tarefa de proteger a boca”, destaca.

Para quem deseja adquirir este equipamento, o Dr. Zé Maria Jr. explica que existem três tipos à venda atualmente: “O tipo 1 é aquele pré-fabricado de estoque. Possui tamanho padrão que oferece proteção limitada por não possuir adaptação. Pode afetar a fala e a respiração de quem usa. Costuma ser feito de materiais como borracha, cloro poli vinil ou acetato-polivinil”.

O segundo tipo, completa o dentista, é aquele “pré-fabricado termoplástico, confeccionado de acetato polivinílico. É melhor do que o primeiro, mas tem um problema, pois não proporciona retenção ideal, já que é moldado em água aquecida e adaptado aos dentes e mucosa pelo próprio usuário, sem qualquer orientação profissional, conhecido como protetor ferve e morde”.

O terceiro tipo é o mais completo e personalizado, afinal, como reforça o dentista, é feito “por meio de um modelo de gesso em um aparelho a vácuo, oferece melhor adaptação e proteção. Além disso, a proteção é confeccionada por placas de etileno vinil acetato (EVA) e borracha de silicone”.

Dr. Zé Maria Jr. ressalta que ter um protetor bucal de qualidade diminui os riscos de concussão e hemorragia cerebral. “Além de manter os tecidos moles afastados dos dentes (lábios, bochechas e língua) ele amortece os golpes frontais diretos, absorvendo e redistribuindo a força dos impactos por toda a arcada. Previne distúrbios na ATM (“Articulação Temporomandibular”) e outros danos intracranianos mais sérios”, completa.

Proteção além das lutas

Existem outras formas de proteger os dentes, mas não no sentido esportivo. Para quem deseja investir na melhora do sorriso, o Dr. Zé Maria Jr. mostra que as lentes dentárias se tornaram uma febre de quem deseja mudar o visual.

Especialista no assunto e um dos nomes mais conhecidos do Pará quando se fala nisso, o dentista salienta que as lentes são mais vantajosas que aquelas que eram feitas em porcelana, “por terem a instalação menos invasiva e a espessura mais fina. Assim, pode-se garantir a melhor apresentação estética”.

Mas, se por um lado a proteção esportiva requer a atenção de um profissional, quando o assunto são as lentes dentárias a lista de cuidados é ainda maior, reforça. “Para que o paciente possa fazer uso delas é fundamental que ele não apresente dentes trincados, tártaro, cáries e doenças na gengiva. Além disso, o tratamento é contraindicado para pessoas que ainda não concluíram a fase de dentição”, explica.

Outro detalhe importante, reforça o dentista, é que “embora as lentes de contato sejam um meio estético para a correção do sorriso, pessoas que possuem hábitos como ranger os dentes ou roer unhas devem passar por avaliação criteriosa. Isso cabe ao fato das lentes serem finas e passíveis de danos irrecuperáveis, caso sejam submetidas à pressão em excesso”, finaliza.