A MSP – Meninas Super Poderosas – é uma equipe 100% feminina de artes marciais que surgiu em 2017 a partir de encontros casuais para algumas meninas praticarem juntas as modalidades de combate. As lutadoras, que já participaram de inúmeros campeonatos regionais e mundiais, carregam o nome da equipe.

Com o tempo, a equipe foi crescendo e recebendo mulheres de outras cidades e estados. São lutadoras que largaram suas famílias e amigos para viverem o sonho de se tornarem profissionais de MMA. As meninas – em grande maioria – moram em uma comunidade em Copacabana, na Zona Sul do Rio. A luta diária – dentro e fora dos octógonos – é para manter a equipe sem nenhum tipo de ajuda ou apoio financeiro.

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Andréa Darocha, produtora, enxergou a situação das atletas da MSP e teve a ideia, junto com o fotógrafo Vinicius Bertoli, de criar um calendário anual para divulgar e mostrar o poder, a força e a beleza dessas atletas que se superaram a cada dia. Além disso, o valor arrecadado será revertido para o sustento delas.

“Eu vejo que elas têm uma grande dedicação e determinação de fazer o trabalho acontecer. Pude acompanhar o dia a dia dessas atletas e vi como é muito difícil o suporte e apoio que o atleta precisa no Brasil. O objetivo é fazer um calendário anual que está sendo vendido, para trazer recursos para o sustento diário delas. Elas ficaram um pouco retraídas no começo, mas fui explicando a importância da visibilidade e do trabalho delas. Elas precisam ser reconhecidas pela busca de suas determinações. São inspiradoras”.

Confira abaixo o perfil – em primeira pessoa – de cada uma das atletas da MSP:

>> Thalita Soares – tenho 28 anos e sou de Cabedelo, na Paraíba. Iniciei na luta aos 6 anos, através dos ensinamentos do meu pai Erinaldo Pereira. Toda a minha família sempre incentivou minha trajetória na luta. Em 2015, comecei a treinar MMA na academia Team Bazuca na minha cidade, em Cabedelo, mas como eu queria alcançar voos maiores, com o apoio da minha família (Erinaldo Pereira, Socorro Soares, Erica Katherine,  Enildo Soares, Evalda Pereira), consegui ingressar na equipe Tropa Thai (antiga equipe), no Rio de Janeiro, onde passei três anos. Hoje, estou na equipe MSP. Eu dei início no MMA amador com a conquista de duas vitórias. Minha carreira profissional no MMA começou em setembro de 2018. Atualmente, estou com o cartel de 3-2. Como meu sonho é chegar ao UFC e alcançar a minha melhor versão todos os dias, eu comecei a fazer coach com Andréa Darocha para fortalecer meu lado emocional que é fundamental para uma atleta.

>> Elaine Lopes – nascida e criada em Piracicaba, interior de São Paulo, comecei a lutar com 13 anos – hoje tenho 26 anos. Vim para o Rio de Janeiro para continuar meu sonho de ser lutadora e o Ubuntu veio da própria equipe criada por quatro garotas. As quatro primeiras formaram as MSP, onde quem chega, se sente acolhida, e Ubuntu significa: “sou o que sou, porque nós somos”. Essa é a essência e o significado da equipe.

>> Brena Cardozo – tenho 26 anos. Sou do estado do Rio de Janeiro, mais precisamente de Itaboraí – que fica na região metropolitana. Treino desde os meus 16 anos Muaythai e kickboxing. Profissionalmente, luto há uns 6 anos. Há cerca de um ano, eu fiz minha estreia no MMA e é a modalidade que eu pretendo continuar.

>> Aieza Ramos “Mudinha” –  Tenho 19 anos. Sou de Alto Taquari, no Mato Grosso, e luto Jiu-Jitsu há quatro anos e MMA há dois. O Ubuntu é uma palavra que hoje está tatuada em minha pele, porque tem um significado maravilhoso e a minha equipe – que também é minha família – leva isso como filosofia de vida.

Lutadoras se destacam pela superação fora e dentro do cage (Foto reprodução)

>> Marla Pereira –  nasci no Rio de Janeiro. Acabei de completar 30 anos. Sou formada em Educação Física e tenho pós graduação em psicomotricidade. Comecei a vivenciar o mundo da luta a partir de 2019 , através do Lynho, que é  o preparador físico da equipe MSP.  Até então, eu só o acompanhava ele em dia de luta. Então, neste ano de 2021, venho aprendendo e auxiliando junto com ele a preparação física das meninas. Como sempre estou vivenciando esse meio, passei a fazer o Jiu-Jitsu através das meninas e estou junto com elas sempre. Me sinto com sorte de vivenciar e estar ali acompanhado sempre que posso no dia a dia.

>> Waleska Karolaine – tenho 23 anos e entrei no mundo da luta com 20 anos, praticando Jiu-Jitsu e, em seguida, migrei para o MMA profissional após assistir lutas femininas. Tenho como referência Ronda Rousey e Cris Cyborg. Desde então, participei de vários campeonatos de Jiu-Jitsu e tive a primeira luta profissional no Recife, capital de Pernambuco, dia 25 de outubro de 2018. Meu cartel agora soma três lutas, com três vitórias.

>> Melissa Gatto – tenho 24 anos. Sou natural de Campinas (SP), mas cresci em Toledo, no Paraná. Iniciei nas artes marciais aos 8 anos por causa do meu irmão mais velho. Vi os treinos dele e dizia para minha mãe que gostaria de fazer o mesmo. Minha estreia no MMA profissional foi em 2016. Hoje são seis vitórias, dois empates e nenhuma derrota. Assinei com o UFC em 2019 – a maior organização do  MMA mundial.

>> Fabíola Nascimento – sou de Campina Grande, na Paraíba. Tenho 26 anos, vim para o Rio de Janeiro com 20 anos em busca de trabalho. Logo em seguida, comecei a trabalhar de vendedora em uma loja de sapatos. Após três anos, passei a fazer Crossfit e Muay Thai – já era uma atleta e não sabia (risos). Daí, fiz minha primeira luta de Boxe e me apaixonei. Deixei o meu trabalho para ser atleta, fazer o que eu amo! Mas continuo continuo conciliando esporte e outra profissão. Atualmente, sou lutadora e uber.

>> Tainara dos Santos – Tenho 28 anos, sou nascida e criada na Comunidade do Cantagalo com vista para Ipanema e Copacabana. Aos 6 anos, iniciei na capoeira, fui acrobática de circo, ginasta olímpica e aos 17 anos comecei no Boxe. Fiz várias lutas, e de repente eu parei com tudo devido às consequências da vida. Mas retornei aos treinos em 2019 na equipe MSP e, em 2021, irei fazer a minha estreia no MMA profissional.

>> Beatriz Consuli – Tenho 20 anos. Em 2013 e 2014, meus amigos de bairro começaram a fazer Capoeira, eu achava lindo e irado, mas não era pra mim. Eu não me encontrei na Capoeira, mas queria muito aprender a lutar. Com isso, fui com meu pai às academias próximas, procurar alguma modalidade que fizesse meus olhos brilharem (risos). Na época, não encontrei. Depois de um tempo, em fevereiro de 2015, minha irmã mais nova começou a fazer Kickboxing na academia perto de casa. Eu, quando fui assistir o treino, fiquei apaixonada, aí falei para o treinador dela que eu iria guardar o dinheiro do lanche que meu pai me dava para poder pagar a aula de Kickboxing. Meu pai já pagava meu curso de desenho e eu não queria dar mais gastos pra ele. Enfim, no mês seguinte, eu comecei. Iniciei no Kickboxing em março de 2015 e competi pela primeira vez um ano depois. No Kickboxing, fui campeã estadual, brasileira e fiquei em 3º lugar no mundial. Após fazer 18 anos, fiz minha estreia no profissional, onde fiz quatro lutas e venci todas. Em 2019, decidi migrar para o MMA. Nesse mesmo ano, fiz minha estreia no mundial de MMA amador da IMMAF, venci a primeira luta contra a sueca e perdi a segunda contra a russa. Após perder para russa, venci as últimas quatro lutas. Tenho seis lutas, sendo cinto vitórias e uma derrota. Já lutei Luta livre, Jiu-Jitsu, Muay Thai e Beachboxing.