Ao longo dos anos, Marcio Pimentel se notabilizou por sua exemplar trajetória como preparador físico de grandes campeões no Judô, Jiu-Jitsu e MMA, sendo também faixa-preta de Judô e da arte suave. Atualmente morando em Orlando, na Flórida (EUA), o casca-grossa foi um dos responsáveis por implementar o Jiu-Jitsu nas escolas públicas da cidade. O trabalho teve início na Edgewater High School, depois ampliado para a Universidade Central da Florida (UCF), além das aulas na American Top Team East Orlando e consultorias para outras escolas sobre Judô, Jiu-Jitsu e preparação física para esportes de combate.

Com experiência de mais de 20 anos como preparador físico, técnico/professor de Judô e Jiu-Jitsu, Pimentel contou detalhes sobre o trabalho que vem desenvolvendo atualmente nos Estados Unidos, os treinos voltados para os atletas de Judô, como sua experiência no Jiu-Jitsu ajuda na evolução dos atletas da modalidade, entre outros assuntos. Por fim, o experiente professor mostrou uma técnica para os leitores da TATAME.

Confira a entrevista completa e a técnica demonstrada por Márcio Pimentel:

– Trabalho realizado na Flórida (EUA) ao longo dos últimos anos

Eu estou morando em Orlando há três anos, onde comecei dando aulas em um projeto do Mestre Ricardo Libório visando desenvolver o Jiu-Jitsu em escolas públicas e, posteriormente, quando ele começou a dar aulas da disciplina Jiu-Jitsu na Universidade Central da Florida (UCF), eu fui com ele como professor substituto e também estou ministrando aulas na American Top Team East Orlando. No Judô, estou trabalhando com Ryan Vargas e Jeff Stout, que são dois atletas que já representaram a Seleção Americana de Judô em diversas oportunidades, e começamos a trabalhar com uma proposta a longo prazo visando as Olimpíadas de Paris 2024. Porém, para isso precisamos estudar e ajustar todo treinamento com o trabalho.

– Preparação dos treinamentos para os atletas do Judô

O Judô que vejo na Flórida é feito em academias, sem uma divisão de níveis, treinando desde iniciantes até faixas mais graduados na mesma aula. Na realidade, ocorrem aulas de Judô, e não um treinamento específico para atletas de alto rendimento. Quando um aluno se destaca e começa a virar de alto rendimento, acabam indo para projetos em outros estados, ou para alguma academia que tem alguns atletas de mais nível para que possam treinar forte, ou organizam os famosos camps, bem comuns.

Estes atletas que venho treinando não possuíam um treinamento planejado e dividido em períodos e fases, visando uma performance em determinada competição previamente escolhida dentro de um calendário. Sendo assim, a primeira coisa que fiz foi começar um trabalho de base, orientando-os também com relação ao treinamento físico que deve estar de acordo com o treinamento específico, pois além do treino específico técnico e tático, tem o físico, tem o psicológico, tem a parte de nutrição. Ou seja, é muito mais complexo do que somente colocar o quimono e treinar. Em geral, faço a parte técnica e tática entre 2/3 vezes por semana.

– Como a faixa-preta de Jiu-Jitsu ajuda nos treinos de Judô

Os judocas americanos possuem um caso de sucesso associando o Judô e o Jiu-Jitsu, com a Kayla Harrison e com o Travis Stevens, que treinaram Jiu-Jitsu durante bastante tempo e conquistaram suas medalhas nas Olimpíadas do Rio em 2016, vencendo algumas lutas no ne-waza, que é a luta de chão no Judô. Tanto o Jeff quanto o Kayla, além do Judô, treinam com frequência o Jiu-Jitsu e eu também estimulo meus alunos a participar das competições de Jiu-Jitsu, para que se mantenham em treinamento e competindo; além do fato de eu ser faixa-preta em ambas as artes marciais e com a experiência de ter treinado atletas medalhistas Olímpicos e Mundiais de Judô e alguns campeões mundiais de Jiu-Jitsu, eu acredito que posso passar este conhecimento para os atletas americanos e ajudá-los na transição entre as luta em pé e de solo.

– Fale um pouco sobre a relação da Educação Física com a luta

Qualquer pessoa pode chegar à faixa-preta, seja de qualquer arte marcial, com bastante treino e dedicação, e isso é bom. Mas para ele ministrar aulas, a formação de Educação Física vai ajudá-lo a elevar esse nível, elaborando aulas adequadas para diferentes faixas etárias… Como fazer o aquecimento, a parte principal e volta a calma de maneira correta, baseado em parâmetros científicos. Quando o professor não tem essa formação, ele pode ser um excelente professor, porém, poderá pecar em alguns detalhes didáticos e de elaboração de aulas, ocorrendo o empirismo que vemos com frequência. Essa formação acadêmica, junto com a experiência técnica e até competitiva, te proporciona a desenvolver um planejamento melhor de todo esse processo de ensino. Acredito também que o professor que possua, além da formação, a experiência competitiva, terá um melhor feeling para saber exigir e tirar o máximo de cada aluno e/ou atleta.

>>> POSIÇÃO: Uchi-mata em 1 tempo demonstrando o passo a passo

Foco na puxada da manga, elevando o braço ao máximo e sua cabeça, acompanhando a direção do seu cotovelo no momento da execução completa da técnica;

Ao mesmo tempo em que executa a puxada da manga, você deve fazer uma elevação na puxada da gola e colar o peitoral o mais próximo possível ao UKE (quem leva o golpe);

A entrada das pernas deve ser flexionada para que encaixe o quadril. Abaixo do quadril do UKE, é permitida a alavanca. Na sequência, o momento em que o golpe é executado, levantando o UKE para projetá-lo.