* O duelo entre Matheus Nicolau e Manel Kape, realizado no último dia 13 de março, no UFC Vegas 21, provocou polêmica e discussão nos bastidores. O brasileiro, após três rounds, saiu vencedor na decisão dividida, no entanto, alguns especialistas e fãs de MMA discordaram do resultado, destacando que o angolano foi superior e deveria ter saído com o braço erguido. Tal opinião também foi respaldada pelo ex-lutador e campeão duplo do Ultimate Daniel Cormier, que apesar de ressaltar a dificuldade em pontuar o confronto, reforçou que Kape foi melhor na parte final do embate e que, por conta disso, seria o vitorioso.

O fato é que, mesmo com a polêmica em torno do resultado, Manel amargou sua segunda derrota consecutiva e segue sem vencer no UFC. Contratado com “status” de ter sido campeão peso-galo no evento japonês RIZIN FF, o lutador de 27 anos conversou com a TATAME e falou com mais detalhes sobre o duelo diante de Matheus Nicolau. Na sua avaliação, o atleta considera que foi superior no segundo e terceiro rounds, e não deixou de provocar o brasileiro, que fez sua luta de retorno à franquia após mais de dois anos.

“Primeiramente eu acho, quer dizer, eu tenho a certeza que o Nicolau está totalmente equivocado com o resultado da luta de tanta porrada que levou. Minha avaliação é igual à avaliação geral, de que eu venci. Tive um primeiro round menos ativo, mas ele não me colocou em perigo em nenhum momento. No segundo assalto, eu atropelei ele, quase que a alma dele sobe para o céu. Nicolau entrou em pânico quando eu fixei meus olhos dentro dele. Passou a fugir da luta. No terceiro round, eu dominei o centro do cage e neutralizei todos os ataques dele, que foram fracos. Tive mais golpes efetivos, isso é um fato, e no final eu joguei duas joelhadas que foram suficientes para me dar a vitória. Você pode ver que ele estava derrotado quando terminou a luta e seu treinador gritou para ele erguer os braços, atitude que atletas fazem quando vencem. Ele não tinha isso dentro dele”, disparou Manel, que ainda analisou os comentários feitos por Daniel Cormier.

“Os comentários do Daniel Cormier foram comentários de alguém que entende de luta. Como todos os outros comentaristas, jornalistas e fãs comentaram, a vitória foi minha. O que o Matheus Nicolau está fazendo é se vitimizar, tirar a atenção do resultado do combate e do tema principal, e focar em algo que é opinião geral. Ele mesmo sabe da porrada que levou, bati nele como se estivesse batendo em um ladrão”, completou.

Ao longo do bate-papo, Manel Kape, que possui um cartel de 15 vitórias e seis derrotas, analisou o seu início irregular no Ultimate, respondeu se a ida para a maior organização de MMA do mundo provocou algum nervosismo ou apreensão, relembrou o início da caminhada no MMA e quem são as suas inspirações na luta.

Veja outros trechos da entrevista com Manel Kape:

– Início ruim no Ultimate com duas derrotas seguidas

Claro que não estou satisfeito com os resultados. Sei que tenho um grande potencial e que posso mostrar muito mais, tenho aptidões para ser uma grande estrela no UFC. Acho que preciso mudar certas coisas no meu jogo. Passei muito tempo lutando de sapatilhas no RIZIN, então isso influencia, de certa forma, até porque me sentia confortável. Estou em busca de mudanças, analisando as coisas de forma positiva e tirar proveito, não das derrotas, mas de aprendizados. Da luta contra o Nicolau, nem preciso falar, acho que a opinião geral fala por si, eu venci. Não foi a performance que eu esperava, talvez por ter descansado apenas duas semanas e voltado num curto espaço de tempo, mas achei que estive bem, fiz o suficiente para vencer.

– Pressão por estar no maior evento de MMA do mundo

Não sinto nervosismo e nenhuma pressão. Luto à vontade, tento ser eu mesmo, mostrar minhas habilidades e fazer o meu melhor. Estou mais sério, mais disciplinado em relação à luta, coisa que nunca fui em toda minha vida. Sempre fui um pouco indisciplinado em relação a tudo (risos), mas estou levando as coisas com mais disciplina e afinco. Devemos nos aceitar, e levar as coisas a sério não é meu forte. Acho que eu deveria relaxar mais e fazer as coisas com amor, como eu fazia antes, não pensar nas coisas como um trabalho.

– Diferença entre as lutas no RIZIN FF e no UFC

Sempre enfrentei lutadores do UFC e de alto nível no Japão. Eu não costumo fazer comparações entre ligas de MMA, os atletas comem e treinam como eu, então não vejo vantagem ou desvantagem entre organizações, como RIZIN e UFC, por exemplo. Já enfrentei grandes lutadores, venci e perdi, a diferença está nos atletas, e não nas organizações. Já lutei com público de mais de 35 mil pessoas e foi onde tive minha melhor performance, então não encaro o fato de estar no UFC ser algo que me deixa nervoso ou apreensivo.

– Trajetória nas artes marciais e inspirações no MMA

Eu comecei na luta muito cedo, aos 6 anos, por conta do meu pai, que foi campeão mundial de Boxe. Em relação ao Jiu-Jitsu e ao MMA, iniciei por influência do meu melhor amigo, Paulo Durão, que é um grande professor de Jiu-Jitsu, um dos melhores. Ele que me levou a experimentar o esporte e me apresentou ao professor Kleber, da Nova União, com quem comecei a treinar a arte suave e o MMA. Minhas inspirações sempre foram o Ronaldo Jacaré, o José Aldo e o Anderson Silva. Sempre pensei em ser um atleta desse gabarito, desde novo assistia vídeos deles, tentava imitar tudo o que eles faziam e isso me deu força de vontade para superar as necessidades do passado e chegar onde estou hoje. E ainda tem muito por vir.

– Planos de olho no restante do ano de 2021 

Meus planos são descansar, porque venho de lutas seguidas e treinamentos intensos. Foi turbulência atrás de turbulência, lutas canceladas, quatro camps consecutivos. Meu corpo está desgastado e não sou nenhuma máquina, tenho que preservar e cuidar do meu corpo, cuidar das minhas lesões e limpar a mente para voltar.

* Por Mateus Machado