* Foco na vitória. Basicamente, esse é o único pensamento do peso-galo Thominhas Almeida, que entra em ação no próximo sábado (27) diante de Sean O’Malley no card principal do UFC 260, em Las Vegas, nos Estados Unidos. Sem vencer um duelo desde 2016, o brasileiro chegou a ficar mais de dois anos sem entrar no octógono, e em seu retorno, em outubro do ano passado, foi superado por Jonathan Martinez na decisão unânime dos jurados – somando sua terceira derrota consecutiva na organização, onde luta desde 2014.

Ciente de que precisa retomar o caminho dos triunfos, o atleta da Chute Boxe/Diego Lima terá pela frente um importante desafio. Três anos mais novo em relação a Thominhas, O’Malley estava invicto no MMA, com 12 resultados positivos, mas em sua apresentação mais recente, em agosto do ano passado, acabou sendo nocauteado por Marlon Vera ainda no primeiro round e conheceu a primeira derrota de sua carreira. Animado por retomar o ritmo de luta após um longo período inativo, o paulista conversou com a TATAME e, apesar de fazer elogios ao seu oponente, destacou seu forte jogo de trocação e garantiu que vai em busca do nocaute.

“Quero lembrar muito da minha agressividade, preciso impor meu jogo. Claro que ele (Sean O’Malley) é um moleque talentoso, tem uns chutes fortes, tem os pontos positivos dele, mas estou bem preparado em todas as áreas para chegar lá e fazer meu melhor. O bom é que dessa vez não trocou o adversário de última hora, então pude analisar bem o jogo dele e foi o que eu falei: é não esquecer dos meus pontos fortes e fazer a mão entrar na hora certa. Vou pra cima em busca do nocaute”, projetou o casca-grossa.

Ao longo do bate-papo, o lutador de 29 anos também fez uma análise da sua última luta, onde confessa que não atuou no auge da forma física, justamente por conta do período de mais de dois anos sem atuar. Além disso, Thominhas falou sobre outros assuntos, como a evolução do MMA e do UFC ao longo dos anos, a questão do “trash talk” nas artes marciais mistas e, por fim, os seus planos para o ano de 2021.

Veja a entrevista com Thominhas Almeida na íntegra:

– Preparação para duelo de sábado e desempenho na última luta

O camp foi muito bom, até me surpreendi nessa fase final, que para mim sempre foi muito difícil por conta da perda de peso, dessa vez foi muito bom, então isso é um bom sinal, que meu corpo está preparado, já vim de um camp da última luta. Infelizmente, a performance no último duelo não foi tão boa, porque eu realmente senti esse tempo parado. Nunca fui muito de acreditar nisso, mas de fato é difícil, o ‘time’ e a confiança foi outra, mas encarei como uma vitória pessoal o fato de ter voltado depois de tanto parado. Depois disso, não tive descanso, me mantive ativo e treinado, já emendei no camp para essa luta de sábado. Me sinto bem, tranquilo, focado, numa evolução diária e isso que é o mais importante.

– Derrota para Jonathan Martinez na última luta

Eu comecei mal, meio devagar, e aí fui crescendo de produção nos outros rounds. Se fosse uma luta de quatro/cinco rounds, eu teria vencido. Foi o carro entrando no tranco (risos). Meu último round foi muito melhor, parti pra cima, botando meu jogo, isso é tempo de luta. Foi bom para mim e tenho certeza que essa luta de sábado vai ser totalmente diferente. Prometo estar bem e ativo desde o começo da luta.

– Estudo e análise para enfrentar Sean O’Malley

Sou um cara que gosta de ver o jogo do meu adversário, gosto de saber quem estou enfrentando, os pontos fortes e fracos, mas eu não posso esquecer quem eu sou, das minhas armas fortes e do meu potencial. Esse é o grande ponto dessa luta. Quero lembrar muito da minha agressividade, preciso impor meu jogo. Claro que ele é um moleque talentoso, tem uns chutes fortes, tem os pontos positivos dele, mas estou bem preparado em todas as áreas para chegar lá e fazer meu melhor. O bom é que dessa vez não trocou o adversário de última hora, então pude analisar bem o jogo dele e foi o que eu falei: é não esquecer dos meus pontos fortes e fazer a mão entrar na hora certa. Vou pra cima em busca do nocaute.

– Amadurecimento após anos no plantel do UFC

Não me considero tão novo (risos), mas tenho uma idade boa e já tenho muita bagagem, vivi e passei por muita coisa dentro do UFC. Vivi altos, baixos e agora estou vivendo meu retorno. São momentos que me tornam muito mais maduro, calmo e tranquilo para lidar bem com momentos de pressão, e isso é importante para qualquer lutador. Tenho a força, a técnica, gosto de treinar, então é colocar isso em prática e botar a agressividade em jogo sempre.

– Período de mudanças no UFC

O UFC e o esporte em si evoluem muito. Hoje em dia não são ‘apenas’ lutadores, são atletas de fato, que se dedicam diariamente, treinam exaustivamente e contam com psicólogo, nutricionista e outros profissionais. Tudo isso já está e vai elevar muito o nível do esporte e torna o MMA ainda mais disputado. Hoje em dia você vê muito lutador novo vencendo atletas consagrados, isso é um grande exemplo do quanto o esporte evoluiu e cresceu nos últimos anos. Os lutadores precisam estar cada vez mais treinados, porque sabem que qualquer detalhe pode custar a vitória. É um período de mudança e transição muito bom para o UFC e o MMA como um todo.

– Questão do ‘trash talk’ no MMA    

Acho que é uma ferramenta que está presente no esporte e tem que saber trabalhar com isso. É uma coisa que funciona para vários lutadores, pode te levantar, mas ao mesmo tempo pode te derrubar. Se você arriscar muito, sua chance ganhar é grande, mas a de perder também. Isso é de cada um. Prefiro falar menos, treinar mais e sair na porrada, mas respeito quem faz uso disso. É saber lidar e cada um tem seu estilo.

– Planos para o ano de 2021

Esse ano de 2021 o plano é lutar o máximo possível. Claro, respeitando meu corpo e as lesões, porque penso na carreira a longo prazo. Se meu corpo estiver 100%, quero lutar pelo menos três vezes esse ano. Gosto de lutar, é uma adaptação que fiz do meu jogo, que ultimamente estava muito parado. Gosto de estar ativo, faz bem para mim sentir essa adrenalina, então o plano é esse, estar bem presente. Quero ser ainda mais profissional e buscar vitórias importantes para a sequência da minha carreira.

CARD COMPLETO:

UFC 260
UFC Apex, em Las Vegas (EUA)
Sábado, 27 de março de 2021

Card principal (23h, horário de Brasília)
Peso-pesado: Stipe Miocic x Francis Ngannou
Peso-meio-médio: Tyron Woodley x Vicente Luque
Peso-galo: Sean O’Malley x Thominhas Almeida
Peso-mosca: Gillian Robertson x Miranda Maverick
Peso-leve: Jamie Mullarkey x Khama Worthy

Card preliminar (20h, horário de Brasília)
Peso-meio-pesado: Fabio Cherant x Alonzo Menifield
Peso-meio-médio: Jared Gooden x Abubakar Nurmagomedov
Peso-meio-pesado: Modestas Bukauskas x Michal Oleksiejczuk
Peso-pena: Omar Morales x Shane Young
Peso-médio: Marc-André Barriault x Abu Azaitar

* Por Mateus Machado