* Depois de dois anos e meio, Matheus Nicolau retornou ao Ultimate após ser cortado pela organização em 2018 e, no último sábado (13), diante de Manel Kape no UFC Vegas 21, saiu vencedor na decisão dividida. No entanto, o resultado gerou polêmica, principalmente no terceiro round do equilibrado confronto. O brasileiro, em sua defesa, revelou que assistiu ao replay da luta “diversas vezes” e considera que levou a melhor na parcial, todavia, muitos julgam que o angolano foi superior por conta dos golpes aplicados. Em conversa com a TATAME, Nicolau afirmou que, na sua opinião, foi melhor no primeiro e terceiro assaltos.

“Existe uma velha máxima no MMA, que é nunca deixar o resultado da luta na mão dos juízes. Por mais que eu estivesse certo que fiz o necessário para ganhar – venci o primeiro e o terceiro rounds -, sempre rola uma preocupação com o julgamento dos árbitros. O terceiro round, na minha opinião, vendo a luta várias vezes depois, venci com uma certa clareza até, apesar do Manel Kape ter um bom momento no final, mas nada muito relevante. Porém, sempre que a luta vai para os árbitros, ficamos apreensivos, mas eu estava certo que tive um desempenho necessário para sair com a vitória”, disse o atleta, atualmente aos 28 anos.

Nas redes sociais, muitos fãs e atletas consideram que Kape merecia ter saído com o triunfo, assim como outros afirmaram que o brasileiro, de fato, foi melhor durante os três rounds. Sincero, Matheus acredita que os comentários do ex-lutador Daniel Cormier na transmissão americana do evento fizeram com que os fãs de MMA fossem levados a pensar que Manel deveria ter vencido. Vale ressaltar que, no meio do último assalto, “DC” falou que o round foi “competitivo em pé”, mas as “combinações de golpes de Nicolau o colocaram à frente na parcial”, acrescentando logo depois que seria um “round muito difícil” de pontuar.

Além disso, Cormier e Michael Bisping – que também estava na transmissão – disseram durante o terceiro round que o vencedor poderia ser decidido no minuto final, antes de Manel Kape conectar duas boas joelhadas em Matheus Nicolau. Depois do anúncio do resultado, o ex-campeão duplo do UFC argumentou: “É o que acontece quando as lutas são tão acirradas, sabe? Os juízes decidem. Às vezes eles estão errados”. Na sequência, Kape utilizou suas redes sociais e, ao compartilhar uma imagem com as estatísticas do duelo, declarou: “Não há argumentos contra os fatos. Parabéns aos juízes do UFC, vocês ganharam essa luta”.

“Acho que qualquer esporte, qualquer coisa que você está assistindo, quando tem algum comentarista, inconscientemente, você começa a ver de acordo com o que está sendo comentado, e eu acho que aconteceu um pouco isso nessa luta. O Daniel Cormier tinha o treinador dele (Javier Mendez) no córner do Manel Kape, o Kape é da mesma equipe dele, vi que eles estiveram juntos na semana da luta, o Cormier ajudou ele no processo de perda de peso. Acho que, mesmo sem querer, ele tende a torcer um pouco pelo Manel Kape, a supervalorizar os movimentos dele, e acho que isso (ter ‘induzido’ os espectadores) pode ter acontecido, sim, achei que os comentários foram tendenciosos e até mesmo contraditórios”, analisou.

Ao longo do bate-papo, o lutador da Nova União admitiu que ficou satisfeito com seu desempenho na luta contra Manel Kape, falou sobre o bom momento da categoria peso mosca no UFC – após a mesma quase ter sido excluída da organização – e a expectativa para a estreia de sua namorada, Luana Pinheiro, no Ultimate, que vai acontecer no próximo dia 27 de março, contra Randa Markos, no card do aguardado UFC 260.

Confira outros trechos da entrevista com Matheus Nicolau:

– Satisfação com vitória em retorno ao Ultimate

Estou feliz com meu desempenho, sempre vou para a luta com o objetivo de terminar, seja por nocaute ou finalização, mas o maior objetivo é sair com os braços erguidos. Isso aconteceu, então fiquei muito feliz, ainda mais depois de toda a novela, troca de adversário de última hora, mesmo com isso conseguimos lutar e sair vitoriosos. Sempre acho que tenho coisas a melhorar, mas estou feliz com o desempenho, principalmente pensando que passei por uma ‘tempestade’ no segundo round. O Kape me acertou um bom golpe e eu fiquei sem enxergar quase que o segundo round inteiro. Tive que passar por esse momento de dificuldade e isso foi algo que me engrandeceu, porque nunca havia passado por isso. Foi uma grande luta, todos que assistiram elogiaram. O Dana White me elogiou no final, deu um sorrisão e me parabenizou pela vitória, disse que eu venci um adversário muito duro, então foi recompensador.

– Próximos planos e foco na estreia de sua namorada

Eu ainda não tenho adversário específico em mente. Meu primeiro objetivo agora é focar na luta da Luana, que vai estrear no UFC daqui a menos de duas semanas e é um objetivo muito importante para mim pessoalmente. Estou do lado dela há mais de três anos e, quando vou lutar, ela me dá todo o suporte, agora é minha vez de retribuir. Fizemos o camp todo juntos, um ajudando o outro. Enquanto isso acontece, vamos ver como fica o ranking, qual é a ideia do UFC para mim… Mas meu objetivo é simples, quero crescer lá dentro, estar bem ativo e, aos poucos, com os pés no chão, ir subindo as montanhas até ter a oportunidade pelo cinturão. Espero enfrentar lutadores ranqueados, que me deixem próximo desse grande objetivo.

– Momento de alta da divisão peso-mosca no UFC

A categoria está em uma das melhores fases, está em evidência. Não só por toda a história que aconteceu, deles terem a ideia de acabar com a categoria, um pouco da revolta que aconteceu, dos fãs e da mídia especializada para não excluírem a divisão. Acho que o próprio UFC conseguiu enxergar a qualidade da categoria, principalmente pela ascensão do Henry Cejudo, que acabou sendo campeão também no peso-galo. Então, a divisão está num excelente momento, estamos vendo novas contratações, grandes lutas e a intenção é seguir fazendo um grande trabalho, de tudo para manter o peso mosca em alta e colher os frutos.

* Por Mateus Machado